A concepção civil de estado
Tradução, introdução e notas de Miguel Morgado
Lisboa: Edições 70, 2006, 410 pp.
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Esta obra apresenta, no Livro I, a refutação clássica da concepção monárquica e religiosa de estado, segundo a qual o monarca é o soberano de nomeação divina que de todos faz súbditos. No Livro II, Locke articula e defende a concepção moderna de estado, que ainda hoje temos no mundo ocidental, segundo a qual os seres humanos são naturalmente livres e iguais, tendo direitos fundamentais — como o direito à liberdade, à vida e à propriedade. Esta concepção de estado é de tendência universalista, no sentido em que procura não ser específica de um determinado grupo social que faça remontar as suas origens a um passado mítico, no qual Deus teria dado soberania a um rei, e aos seus descendentes, sobre todos os outros seres humanos desse grupo social e seus descendentes.
Trata-se de uma leitura fundamental para estudantes de Filosofia, Direito, Sociologia, Ciência Política e História das Ideias, e para todos os que queiram ter instrumentos para pensar com seriedade sobre os fundamentos do estado.
Sobre o autor
John Locke (1632-1704) foi um dos mais importantes filósofos e reformistas políticos do séc. XVII. Sendo profundamente religioso, opôs-se no entanto ao pensamento político religioso da altura, defendendo ideias impopulares entre os eclesiásticos do seu tempo, como a firme separação da igreja e do estado, e a ideia de que os seres humanos não são súbditos naturais dos reis, mas antes seres livres que livremente escolhem associar-se e formar um governo. Na teoria do conhecimento, Locke defendeu uma forma radical de empirismo naturalista, opondo-se firmemente ao inatismo de Descartes. A sua influência tanto no pensamento político como na teoria do conhecimento não podia ter sido maior. Autor de Carta sobre a Tolerância (1689), Ensaio Sobre o Conhecimento Humano (1690), Dois Tratados do Governo Civil (1690) e Pensamentos sobre a Educação (1692), defendeu uma política de tolerância religiosa e uma versão de essencialismo metafísico baseada em categorias naturais que antecipa alguns dos resultados filosóficos fundamentais do séc. XX.
Índice
IntroduçãoDois Tratados do Governo Civil
Prefácio
Livro I: Primeiro Tratado
- [A Introdução]
- Do poder paternal e régio
- Do título de Adão à soberania por criação
- Do título de Adão à soberania por doação, Génesis 1:28
- Do título de Adão à soberania por sujeição de Eva
- Do título de Adão à soberania por paternidade
- Da paternidade e da propriedade consideradas conjuntamente como fontes da soberania
- Da transmissão do poder monárquico soberano de Adão
- Da monarquia por herança de Adão
- Do herdeiro do poder monárquico de Adão
- Quem é o herdeiro?
Livro II: Segundo Tratado
- [A introdução]
- Do estado de natureza
- Do estado de guerra
- Da escravatura
- Da propriedade
- Do poder paternal
- Da sociedade política ou civil
- Do princípio das sociedades políticas
- Dos fins da sociedade política e do governo
- Das formas de uma comunidade política
- Da extensão do poder legislativo
- Dos poderes legislativo, executivo e federativo da comunidade política
- Da subordinação dos poderes da comunidade política
- Da prerrogativa
- Dos poderes paternal, político e despótico, considerados em conjunto
- Da conquista
- Da usurpação
- Da tirania
- Da dissolução do governo
Índice remissivo