15 de Março de 2007 ·
Filosofia política
Dois Tratados do Governo Civil, de John Locke
Tradução, introdução e notas de Miguel Morgado
Lisboa: Edições 70, 2006, 410 pp.
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Introdução do tradutor · Excerto: Livro I, caps I-VIII
Esta obra apresenta, no Livro I, a refutação clássica da concepção monárquica e religiosa de estado, segundo a qual o monarca é o soberano de nomeação divina que de todos faz súbditos. No Livro II, Locke articula e defende a concepção moderna de estado, que ainda hoje temos no mundo ocidental, segundo a qual os seres humanos são naturalmente livres e iguais, tendo direitos fundamentais — como o direito à liberdade, à vida e à propriedade. Esta concepção de estado é de tendência universalista, no sentido em que procura não ser específica de um determinado grupo social que faça remontar as suas origens a um passado mítico, no qual Deus teria dado soberania a um rei, e aos seus descendentes, sobre todos os outros seres humanos desse grupo social e seus descendentes.
Trata-se de uma leitura fundamental para estudantes de Filosofia, Direito, Sociologia, Ciência Política e História das Ideias, e para todos os que queiram ter instrumentos para pensar com seriedade sobre os fundamentos do estado.
John Locke (1632-1704) foi um dos mais importantes filósofos e reformistas políticos do séc. XVII. Sendo profundamente religioso, opôs-se no entanto ao pensamento político religioso da altura, defendendo ideias impopulares entre os eclesiásticos do seu tempo, como a firme separação da igreja e do estado, e a ideia de que os seres humanos não são súbditos naturais dos reis, mas antes seres livres que livremente escolhem associar-se e formar um governo. Na teoria do conhecimento, Locke defendeu uma forma radical de empirismo naturalista, opondo-se firmemente ao inatismo de Descartes. A sua influência tanto no pensamento político como na teoria do conhecimento não podia ter sido maior. Autor de Carta sobre a Tolerância (1689), Ensaio Sobre o Conhecimento Humano (1690), Dois Tratados do Governo Civil (1690) e Pensamentos sobre a Educação (1692), defendeu uma política de tolerância religiosa e uma versão de essencialismo metafísico baseada em categorias naturais que antecipa alguns dos resultados filosóficos fundamentais do séc. XX.
Dois Tratados do Governo Civil
Prefácio
Livro I: Primeiro Tratado
Livro II: Segundo Tratado
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