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24 de Junho de 2016   Filosofia

Fidedigno e actualizado

Desidério Murcho
Cambridge Dictionary of Philosophy
org. de Robert Audi
Cambridge: Cambridge University Press, 2015 (3.ª edição), 1201 pp.

A primeira edição do Cambridge Dictionary of Philosophy, de 1995, surgiu na altura em que tanto a Blackwell como a Oxford University Press editaram novos dicionários de filosofia. No caso da Blackwell, o dicionário organizado por Mautner, que depois foi comercializado pela Penguin (leia-se aqui uma recensão); no caso da Oxford, o dicionário redigido por Blackburn, que depois foi publicado em Portugal (Gradiva) e no Brasil (Jorge Zahar) — veja-se aqui. De todos, o dicionário da Cambridge distinguiu-se por ser maior (mais de 4 mil artigos, quando o da Oxford não chega a 3 mil), só comparável em termos de dimensão ao Oxford Companion to Philosophy. Contudo, a sua primeira edição tinha uma lacuna grave: por uma bizarra decisão editorial, não incluía artigos sobre filósofos vivos. Isto dava origem a arbitrariedades, e foi criticado em algumas recensões, pois significava a inclusão de filósofos menores do séc. XX, que entretanto tinham morrido, ao mesmo tempo que não incluía filósofos muitíssimo mais influentes que estavam felizmente ainda vivos. A segunda edição do dicionário, contudo, abandonou tão bizarra decisão editorial, e passou a incluir também filósofos vivos. Esta segunda edição, publicada originalmente em Setembro de 1999, foi traduzida no Brasil pela Paulus.

Esta terceira edição conta agora com cerca de cinco mil artigos (!) e inclui quinhentos artigos novos sobre filosofia oriental e de outras proveniências, além de uma centena de retratos intelectuais de filósofos contemporâneos.

Este dicionário é fidedigno, está actualizado e é em geral informativo e claro. Para estudantes ainda pouco familiarizados com a filosofia, não é um primeiro dicionário ideal, pois exige já algum conhecimento da disciplina. Para esses estudantes, os dicionários de Mautner ou de Blackburn são mais adequados. Contudo, para um estudante universitário no segundo ou terceiro ano, o dicionário de Audi é uma excelente fonte de informação. Os artigos foram redigidos por mais de 5500 filósofos de vários países.

A edição brasileira (entretanto esgotada, mas disponível em muitas bibliotecas) é apresentada em capa dura, com papel de qualidade, e a um preço inacessível a muitos estudantes. Contudo, este volume faz parte de qualquer biblioteca universitária brasileira de filosofia que mereça a sua designação. É uma obra de consulta obrigatória para estudantes e professores brasileiros de filosofia.

Desidério Murcho