Análises
8 de Junho de 2006 ⋅ Filosofia

Revelador da variedade

Sofia Miguens, João Alberto Pinto e Carlos E. E. Mauro
Análises: Actas do 2.º Encontro Nacional de Filosofia Analítica, org. de Sofia Miguens, João Alberto Pinto e Carlos E. E. Mauro
Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2006, 378 pp.

O presente volume resulta do 2.º Encontro Nacional de Filosofia Analítica (ENFA2). O ENFA2 teve lugar no Porto, na Faculdade de Letras, entre 7 e 9 de Outubro de 2004. Os coordenadores do volume são os membros da Comissão Organizadora do ENFA2. O ENFA1 teve lugar em Coimbra, em 2002, na Faculdade de Letras, sob a responsabilidade do Prof. Henrique Jales Ribeiro. Foi decidido que o segundo encontro se realizaria no Porto, e que a Prof.ª Sofia Miguens seria a responsável. Como ficou reflectido na composição da Comissão Científica, o ENFA2 pretendeu ter uma dimensão nacional. Foi um objectivo importante do encontro incentivar e fortalecer a colaboração entre universidades portuguesas onde existe ensino da Filosofia e a tradição analítica tem alguma expressão. Na Comissão Científica encontravam-se representantes de várias universidades portuguesas (João Branquinho, Universidade de Lisboa; João Sàágua, Universidade Nova de Lisboa; Henrique Jales Ribeiro, Universidade de Coimbra; Sofia Miguens, Universidade do Porto e José Manuel Curado, Universidade do Minho). A organização deste encontro teve como modelo os encontros das sociedades espanhola (SEFA) e italiana (SIFA) de filosofia analítica. O ENFA2 realizou-se sob os auspícios da ESAP (European Society for Analytic Philosophy), cujo presidente era então um português, o Prof. João Branquinho.

O primeiro call for papers do ENFA2 foi posto a circular em Abril de 2004, em mailing lists europeias e sul-americanas. A Comissão Científica apreciou resumos provenientes de lugares tão diversos como Espanha, Brasil, Itália, Polónia, Reino Unido e Suécia. Uma vez que a submissão de resumos de tantos filósofos não portugueses foi bastante inesperada, o trabalho dos membros da Comissão Científica foi especialmente importante. Também aqui queremos exprimir um agradecimento muito especial ao Prof. João Branquinho que, mesmo não estando fisicamente presente no Porto, esteve sempre disponível para resolver problemas logísticos e de organização que foram surgindo.

Dado o grande número de submissões, colocou-se o problema da língua. Tínhamos consciência de que o português seria importante para chamar os estudantes portugueses à filosofia analítica, no entanto o inglês tornou-se quase imperativo, uma vez que as pessoas de várias nacionalidades presentes no encontro deveriam compreender-se umas às outras e comunicar. Não havendo uma solução perfeita para o problema, foi deixada a opção a cada um dos participantes. O português e o inglês foram as línguas oficiais do encontro, o que se reflecte nestas Actas.

Pensamos que o presente volume é bem revelador da variedade de áreas da filosofia analítica. No ENFA2 tivemos apresentamos que foram desde a História da Filosofia, à Estética e à Filosofia Moral e Política, passando pela Lógica, Filosofia da Linguagem e Filosofia da Mente. Mantivemos no volume a classificação temática que utilizámos no encontro; pretendemos aqui que a divisão por temas surja a partir dos textos, e não o contrário. Relativamente ao programa do encontro, alguns textos foram perdidos, outros ganhos, nomeadamente aqueles de pessoas cujos resumos tinham sido aceites mas que não puderam estar presentes no Porto. Por outro lado, o texto de Charles Travis (que esteve presente no Porto enquanto membro fundador da Sociedade Portuguesa de Filosofia Analítica mas também apresentou uma comunicação) não corresponde exactamente à que foi a sua participação.

Durante o encontro teve lugar a constituição formal da Sociedade Portuguesa de Filosofia Analítica (SPFA), cuja direcção — constituída por João Branquinho (Universidade de Lisboa), Presidente, Sofia Miguens (Universidade do Porto), Desidério Murcho (King's College London), Pedro Santos (Universidade do Algarve) e Ricardo Santos (Universidade Nova de Lisboa) — foi eleita em Assembleia Geral. Todos os presentes no Porto, bem como os presentes em Coimbra em 2002, são considerados membros fundadores da SPFA.

A organização do ENFA2 no Porto foi ainda um estímulo importante para o MLAG (Mind, Language and Action Group). O MLAG faz parte do Gabinete de Filosofia Moderna e Contemporânea, coordenado pela Prof.ª Maria José Cantista, na Unidade de I&D 502 (Instituto de Filosofia) da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, sendo ainda a estrutura através da qual a Filosofia participa no Centro de Ciência Cognitiva da Universidade do Porto. Queremos agradecer à Prof.ª Maria José Cantista o apoio que nos deu em todas as questões relativas à constituição do MLAG e à organização do ENFA2.

Gostaríamos de agradecer aos nossos patrocinadores, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Reitoria da Universidade do Porto. Agradecemos também ao nosso principal patrocinador, o Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, na pessoa do seu presidente, o Prof. José Meirinhos. Agradecemos a todas as pessoas que dirigiram sessões no ENFA2, bem como aos membros do Comité de Alunos (Fernanda Moura Pinto, Tomás Magalhães, Cátia Faria, Maria José Lopes, Manuela Ferreira). Agradecemos ainda à Dra. Alexandra Abranches, da Universidade do Minho, por todas as suas sugestões relativas a versões inglesas de documentos relacionados com o ENFA2, bem como pela sua ajuda ao longo dos trabalhos do encontro.

Esperamos que a tradição de realização dos Encontros Nacionais de Filosofia Analítica se mantenha, e que sirva de estímulo à criatividade e ao conhecimento mútuo dos filósofos analíticos portugueses, bem como de espaço de intercâmbio, como foi o caso no ENFA2, entre a comunidade analítica portuguesa e a comunidade filosófica em geral.

Sofia Miguens
João Alberto Pinto
Carlos E. E. Mauro

Índice

Conferências plenárias
  • To catch one's own shadow (Fernando Ferreira)
  • Is truth mind-dependent? (Diego Marconi)
  • A room with two views: mind-body monism with a difference (Peter Simons)
Filosofia da linguagem
  • Frege on sentences and proper names (Michael Blome-Tillman)
  • Referential descriptions revisited (Adriana Silva Graça)
  • Como não negar a bivalência (Teresa Marques)
  • Conditionals and some pragmatics (Pedro Santos)
  • Reference intentionality is an internal relation (Alberto Voltolini)
Acção e racionalidade
  • Has neuroethics killed moral philosophy? On Paul Churchland's neurobehaviorism (Alfredo Dinis)
  • Why there can't be a science of rationality: Davidson and cognitive science (Sofia Miguens)
  • Kind's of practical reasons: Attitude-related reasons and exclusionary reasons (Christian Piller)
  • Reasons, causes and experience: extending anomalous monism (Manuel de Pinedo)
  • Acção e explicação causal (Ricardo Santos)
Filosofia da mente
  • Uma abordagem anti-realista contra a reformulação do problema mente-corpo segundo uma perspectiva reducionista-interteórica (João Fonseca)
  • O conceito de consciência (Jorge Gonçalves)
  • Cognitivism and internalism (Pedro Madeira)
  • Pattern of emotion and emotional growth (Dina Mendonça)
  • Property dualism about consciousness and epistemic necessity (Christian Onof)
  • Localizacionismo cerebral e múltipla instanciação (João Teixeira Fernandes)
Epistemologia
  • A natureza da necessidade das verdades necessárias a posteriori (André Barata)
  • "There are necessary a posteriori truths" implies "There are conceptual truths" (M. J. García-Encinas)
  • Há um conjunto rígido de condições necessárias para o conhecimento proposicional? (Luís Rodrigues)
  • Some weaknesses of a priori warrants (Daniele Sgaravati)
  • Empirismo eliminativista (Célia Teixeira)
  • Why disjunctivism? (Charles Travis)
  • Chisholm, naturalism and the role of logic in epistemology (Gregory Wheeler e Luís Moniz Pereira)
Metafísica
  • Modality, rigid designation and atomism (Marcin Gokieli)
  • Reality and the meaning of life (Desidério Murcho)
  • Temporal intrinsic change (Elisa Paganini)
Ética
  • O consequencialismo das regras reconsiderado (Pedro Galvão)
  • Authority, objectivity and history in ethics: a study of Bernard Williams's relativism (tim Heysse)
  • Two forms of consequentialism, or what sould we expect from normative theory? (Andreas Lind)
  • Beliefs and the moral status of animals (Harry Witzhum)
Estética
  • Conceptual content and aesthetic perception (Christopher Bartel)
  • Music lessons: what the philosophy of music can teach us about nominalism (António Lopes)
  • Interpretação literária e intenção (Inês Morais)
  • The cinematic Muthos (Vítor Moura)
História da filosofia
  • The good sense of nonsense: a non self-repudiating reading of Wittgenstein's Tractatus (Danièle Moyal-Sharrock)
  • Filosofia analítica e história da filosofia: um debate a partir da historiografia da filosofia medieval (Gil Santos)
  • Semântica e pragmática: considerações sobre a Sprachkritik de Brentano (Luísa Couto Soares)
  • Russell versus Quine: sobre as origens filosóficas do conceito de epistemologia naturalizada (Henrique Jales Ribeiro)
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