Dicionário de Filosofia, de Simon Blackburn Dicionário de Filosofia, de Simon Blackburn
Junho de 1997 ⋅ Filosofia Aberta

A marca da distinção

M. S. Lourenço
Dicionário de Filosofia, de Simon Blackburn
Coordenação da edição portuguesa de Desidério Murcho
Tradução de Desidério Murcho, Pedro Galvão, Ana Cristina Domingues, Pedro Santos, Clara Joana Martins, António Horta Branco
Revisão Científica de António Franco Alexandre, João Branquinho, Fernando Ferreira, Ana Isabel Simões, M. S. Lourenço, José Trindade, Santos, Maria Leonor Xavier
Gradiva, Maio 1997, 487 pp.
Consultoria da edição brasileira de Danilo Marcondes
Jorge Zahar Editor, Setembro 1997, 437 pp.
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Simon Blackburn foi Fellow de Pembroke College em Oxford e também responsável pela direcção da revista Mind, entre 1984 e 1990. As duas ocupações conjuntas conferem-lhe a marca da distinção, tal como esta pode ser medida pelos critérios mais rigorosos. O seu "Dicionário de Filosofia" exemplifica o que é conhecido como o "estilo de Oxford". A este estilo está associado o facto de exprimir a identidade colectiva (de toda a actividade) da Universidade. É por isso comum aos químicos, aos musicólogos, aos arqueólogos, aos professores de literatura, aos filósofos, como é facilmente verificável em qualquer colégio onde os tais investigadores coabitem. Comum a todos eles é a convicção de que o que há a dizer em cada uma destas disciplinas pode ser expresso com graça ática, apoiada numa estrutura lógica. Assim, este "Dicionário de Filosofia" caracteriza-se pela formulação lógica das suas definições e pela limpidez da linguagem usada para as exprimir. As definições são informativas, mesmo quando são breves, e são, cientificamente, completamente fidedignas. Vai ser um instrumento de trabalho imprescindível quer no ensino secundário quer no ensino superior. Vai também impor-se pelo seu âmbito: além das disciplinas tradicionais (Lógica, Teoria do Conhecimento, Ética, Estética e Metafísica) o "Dicionário" é também completo nas novas disciplinas entretanto criadas, como a filosofia da matemática, a filosofia da ciência e a filosofia da consciência. Como a tradução filosófica é um trabalho também ele filosófico (veja-se a entrada "Anscombe"), o aparecimento do "Dicionário" em português constitui um incremento da cultura filosófica nacional.

M. S. Lourenço

Crítica originalmente publicada no jornal O Independente (13 de Junho de 1997).
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