A Última Palavra, de Thomas Nagel
Março de 1999 ⋅ Filosofia Aberta

Reflexão sobre o relativismo

A Última Palavra, de Thomas Nagel
Tradução de Desidério Murcho
Revisão científica de Carlos João Correia
Gradiva, Fevereiro de 1999, 182 pp.
ComprarExcertoRecensão 1Recensão 2

O relativismo pretende ser a última palavra no que respeita à justificação de todas as nossas crenças e perspectivas, afirmando não só que são todas fruto de contingências históricas, sociais e biológicas, mas que só são encaradas como verdadeiras por motivos, também eles, contingentes. Os valores perdem-se numa diversidade em que tudo é aceitável porque tudo tem uma justificação histórica, social ou biológica e porque esse género de justificação é o único que existe. Mas poderá o relativismo ser realmente a última palavra nesta matéria? Thomas Nagel procura mostrar que o relativismo não pode ter a última palavra — o relativismo tem de ser discutido como uma proposta entre outras, em vez de ser acriticamente aceite como uma verdade incontornável. Mas quando o relativismo é confrontado com propostas rivais não consegue impor-se como inequivocamente verdadeiro, mesmo nos poucos casos em que não é ininteligível.

O relativismo é uma das tendências culturais deste fim de século e tem assumido várias formas, em diversos domínios, invadindo a sociologia, a antropologia, a crítica literária, a filosofia e até os meios políticos, a cultura de massas e o jornalismo. Esta posição tem sido, no entanto, uma tentação constante ao longo da história do pensamento ocidental, estando presente de uma forma ou outra em filósofos tão distintos quanto Hume, Kant e, numa leitura frequente, Wittgenstein. Hoje em dia, os seus representantes mais notáveis são W. V. Quine, Nelson Goodman, Hilary Putnam, Bernard Williams e Richard Rorty, entre outros. Nesta obra, admirável pela sua clareza, seriedade e subtileza, Thomas Nagel leva a sério as propostas relativistas e mostra por que razão elas não podem ser verdadeiras nos seus domínios principais: a filosofia da linguagem, a lógica e a aritmética, as ciências empíricas e a ética e filosofia política. A argumentação de Nagel é clara mas subtil, ostentando a marca de um dos maiores filósofos contemporâneos.

A Última Palavra ganhou o prémio “Outstanding Academic Book of 1997” da "Choice". É uma leitura obrigatória não apenas para estudantes e professores de Filosofia, Sociologia, Direito, Comunicação e Antropologia, mas também para todos aqueles que se preocupam com a perigosa ausência de valores em alguns sectores da cultura contemporânea.

Thomas Nagel

Sobre o autor

Thomas Nagel é professor de Filosofia e Direito na Universidade de Nova Iorque e um dos mais reputados filósofos actuais. É membro da Academia Americana de Artes e Ciências e da Academia Britânica. As suas obras já foram traduzidas em dezoito línguas. É autor de algumas das mais importantes obras da filosofia contemporânea, como The Possibility of Altruism (1970), Mortal Questions (1979), The View From Nowhere (1986) e Equality and Partiality (1991). A Última Palavra (1997), obra publicada pela Filosofia Aberta, foi distinguida com o prémio “Outstanding Academic Book of 1997” da Choice. Publicou ainda Other Minds: Critical Essays, 1969-1994 (1995), que recolhe as mais importantes recensões do autor, e uma obra de introdução à filosofia para adolescentes, Que Quer Dizer Tudo Isto?, publicada na Filosofia Aberta. O influente jornal cultural britânico Times Literary Supplement chamou-lhe “o filósofo mais interessante dos nossos dias”.

Índice

Prefácio

  1. Introdução
  2. Por que razão não podemos compreender o pensamento a partir do exterior
  3. Linguagem
  4. Lógica
  5. Ciência
  6. Ética
  7. O naturalismo evolucionista e o medo da religião

Índice analítico
Glossário inglês-português

Termos de utilização ⋅ Não reproduza sem citar a fonte