Terapia em Filosofia Clínica
15 de Agosto de 2004 ⋅ Filosofia

Maximamente humana

Leandro Anésio Coelho
Terapia em Filosofia Clínica: Percepções e Aprendizagem, org. por Vânia Dantas, Marta Claus e Saurater Faraday
Fortaleza: 2004, 110 pp.
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Terapia em Filosofia Clínica é, digamos, um motivo para discutirmos essa nova abordagem do ser humano pela Filosofia. A obra é voltada para a formação do aluno e terapeuta em Filosofia Clínica, mas é de fácil acesso também ao público leigo no assunto, seja em Filosofia propriamente, seja na parte de clínica. A Filosofia Clínica foi desenvolvida por Lúcio Packter e é disseminada pelo Instituto Packter. A aplicação terapêutica da Filosofia ainda é algo muito desconhecida ou, em casos piores, mal entendida e mal interpretada, o que a faz ser atacada muitas vezes por argumentos pequenos, como se fosse uma "nova psicologia", ou um "ritual" desprovido de suporte teórico e científico. Sem dúvida alguma a Clínica na Filosofia não é unanimidade e nem mesmo se pretende que seja, mas é necessário conhecê-la primeiramente para, aí sim, se opor, caso seja, com argumentos inteligentes e consistentes.

Quer a Filosofia Clínica ser humana o máximo possível, procurando entender como o homem se relaciona com a própria vida. Raros são aqueles que param para refletir como enfrentam a vida, quais são os seus traumas ou o que faz de prejudicial à própria existência e poderá se tornar uma marca indelével. Packter se expressou dizendo que a Filosofia Clínica tem um contato próximo e empírico com aqueles que sofrem existencialmente, o que nos permite ressaltar a sua dimensão humana. Ela tem o homem como o centro — no sentido de preocupação maior — e o conhece através da sua própria história, da partilha de experiências que provocam dor, sofrimento, alegrias... os mais variados sentimentos humanos. Em uma rota contrária ao mundo contemporâneo, não se "coisifica" o homem, mas o humaniza! Ao falar do homem, "não estamos a tratar com coisa, como quer nos fazer crer o olhar científico, que reduz o outro a definições objetivas e cegas, a simples encadeamentos de tipologias psicológicas ou sociológicas sem uma significação ou existência singular" (prefácio, p. 12). Em um capítulo do livro em questão a professora Dra. Mariluze Ferreira de Andrade e Silva expressa sucintamente o feito da Filosofia Clínica: ela "apresenta os procedimentos clínicos levando em conta o modo como a vida do partilhante foi construída e os conteúdos que não se ajustaram às suas estruturas de pensamento causando desconfortos existenciais" (p. 20). Assim, a Filosofia Clínica se apresenta como uma grande defensora da vida, ou melhor dizendo, defensora de um bem viver, de uma correção do modo de vida através do auto-conhecimento, de uma leitura de si mesmo.

Em Terapia em Filosofia Clínica o leitor encontra informações básicas sobre Filosofia Clínica. Além de ser uma leitura agradável, apresenta esta atuação da Filosofia na vida do homem que ainda é nova. Aos já inseridos no assunto a obra é uma fonte de pesquisa e de consulta a normas de atendimentos e opinião de diversos autores. Em especial aos leitores da Crítica trata-se de uma oportunidade para se abrir o debate acerca do tema.

Leandro Anésio Coelho
Universidade Federal de São João del-Rei
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