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18 de Abril de 2007⋅ Filosofia

O orientalismo romântico de Foucault

José Pedro Teixeira Fernandes
Foucault and the Iranian Revolution, de Janet Afary e Kevin B. Anderson
University of Chicago Press, 2005, 312 pp.
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"O orientalismo romântico de Foucault" podia muito bem ser o título deste livro, que coloca, a partir de uma perspectiva feminista e de esquerda, questões sérias, profundas e particularmente incómodas sobre o pensamento de Foucault e a sua crítica enviesada da modernidade. Sendo um dos autores canónicos do actual pós-modernismo nas ciências socias e humanas, o assunto é tanto mais curioso quanto Michel Foucault ganhou fama pela sua "filosofia da suspeição", pela "desconstrução" das grandes narrativas e utopias ocidentais e pela sua refutação do "essencialismo".

Ironicamente, Foucault, o "desconstrutor" e "genealogista", afinal também tinha a sua própria utopia romântica, tendo-se fascinado por um modelo de sociedade alternativo ao "das mais cruéis, selvagens, egoístas, desonestas e opressivas" criadas pelo moderno capitalismo liberal (entrevista-diálogo de Foucault com o escritor iraniano Baqir Parham, pág. 185). Qual era? Vejamos os acontecimentos.

Com o início da revolução iraniana, Foucault decidiu visitar o Irão para assistir ao desenrolar desta, que foi objecto do seu particular interesse e entusiasmo como intelectual "engagé". Na sua deslocação ao Irão, assumiu um papel de jornalista de investigação, funcionando como correspondente especial do jornal italiano Corriere della Sera. Publicou também algumas das suas peças jornalísticas na imprensa francesa, nomeadamente no jornal Le Monde e na revista Nouvel Observateur.

Nesses textos, Foucault retratou de forma quase entusiástica o movimento islamista iraniano liderado pelo Ayatollah Ruhollah Khomeini, vendo-o como uma nova forma de "vontade política", perfeitamente unificada, que abria "uma dimensão espiritual na política". Isto, naturalmente, em contraste com as "cruéis, selvagens, egoístas, desonestas e opressivas sociedades" do moderno capitalismo liberal do ocidente.

Como realçam Janet Afary e Kevin B. Anderson, uma ilação profunda resulta do episódio iraniano de Foucault e não está apenas relacionada com este pensador. A ilação é particularmente importante para a actualidade e está relacionada com o fenómeno geral do "fundamentalismo religioso", mostrando a existência de um bloqueio intelectual que afecta, sobretudo, várias correntes da esquerda política, impedindo uma resposta adequada a este.

Uma leitura que se recomenda aos seguidores e aos críticos, até porque o episódio iraniano de Foucault está muito bem documentado pelos textos anexos ao livro, grande parte dos quais são inéditos ou pouco conhecidos em língua inglesa.

José Pedro Teixeira Fernandes
jpedrofernandes@tvtel.pt
Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo
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