Um só Mundo: A Ética da Globalização, de Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn
Lisboa: Gradiva, Fevereiro de 2004, 284 pp., € 15,50
Comprar ·
Apresentação ·
Excerto
Um só mundo, ou a ética da riqueza?
As grandes questões mundiais contemporâneas devem ser tratadas sob o prisma da ética. Quem fica indiferente aos problemas da pobreza, da fome no mundo ou ao equilíbrio ecológico do planeta?
Peter Singer é um reputado Professor de bioética da Universidade de Princeton e trata muito bem o tema no seu último livro.
Antes, na Ética Prática, Peter Singer explora os grandes desafios éticos do nosso tempo. Quem fica indiferente aos problemas da pobreza, da fome no mundo ou ao equilíbrio ecológico do planeta? Que posições devemos tomar relativamente aos fluxos migratórios, aos refugiados ou à ajuda internacional aos países de Terceiro Mundo? Quais são os grandes desafios que se levantam a uma sociedade verdadeiramente igualitária e solidária?
Já este ano, em português, surge o mais recente trabalho de Peter Singer: Um Só Mundo: A Ética da Globalização. Leitura obrigatória, a convidar a uma boa reflexão. Mais do que se situar a um nível de discussão meramente económica, Singer explora o sentido moral da Globalização. São tratadas quatro grandes questões mundiais: as alterações climáticas, o papel da Organização Mundial do Comércio, os Direitos Humanos e a intervenção com fins humanitários, e a ajuda externa.
Conforme se lê no Prefácio, "Um só Mundo", depois do 11 de Setembro, "parece subitamente contrapor-se às referências ressonantes ao choque das civilizações". A grande questão ética pode resumir-se naquilo "que as pessoas que vivem em países ricos deviam fazer por aquelas que se encontram na pobreza extrema, noutros locais do mundo".
A dada altura cita-se um relatório das Nações Unidas onde se afirma: "na aldeia global, a pobreza de outrém rapidamente se torna um problema nosso: falta de mercados para os nossos produtos, imigração ilegal, poluição, doenças contagiosas, insegurança, fanatismo, terrorismo".
De facto, esta parece a realidade, muitas vezes sentida. O pior é que muitos, demais, ainda não entenderam que na natureza tudo se relaciona.
O livro termina:
"Os séculos XV e XVI são famosos pelas viagens de descobertas que provaram que a Terra era redonda. O século XVIII assistiu às primeiras proclamações dos direitos humanos universais. No século XX, a conquista do espaço tornou possível que um ser humano olhasse para o nosso planeta a partir de um ponto a ele exterior e o visse, literalmente, como um só mundo. O século XXI vê-se agora a braços com a tarefa de desenvolver uma forma adequada de governação desse mundo único. É um desafio moral e intelectual assustador, mas não se pode voltar-lhe as costas. O futuro do mundo depende da forma como o enfrentarmos".
E, como pergunta ao pai a criança: "e tu ficas aí sentado?"
No que nos toca como país, provavelmente, este é o nosso principal problema. Ficamos sentados e esperamos. A responsabilidade pertence sempre a terceiros. Cada um de nós não tem nada a ver com o caso. Somos assim como profissionais, nas empresas, e também como cidadãos. A demissão domina-nos e enquanto isso os nossos recursos colectivos são mal geridos e a nossa riqueza e qualidade de vida fica comprometida. Em nenhum outro sector como o "ambiente" e os ecossistemas naturais isto é tão evidente. Pouco importa se fazemos uma "revolução" ou se "evoluímos", o que importa é mudar.
Se gerimos mal as empresas e o país por que haveríamos de gerir bem a nossa riqueza comum?
Reproduza livremente mas, por favor, cite a fonte.
Termos de utilização: http://criticanarede.com/termos.html.
