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Que Quer Dizer Tudo Isto?, de Thomas Nagel
Abril de 1997 · Filosofia Aberta

Que Quer Dizer Tudo Isto? Uma iniciação à filosofia, de Thomas Nagel
Tradução de Teresa Marques
Revisão Científica de Desidério Murcho
Gradiva, Novembro 1995, 92 pp.
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Críticas: Revista Filosófica de Coimbra · Jornal Público

Crítica da Revista Filosófica de Coimbra

Para iniciar uma nova colecção Filosofia Aberta a editorial Gradiva escolheu o pequeno opúsculo de Thomas Nagel Que Quer Dizer Tudo Isto? onde o conhecido professor de filosofia do Direito, da Universidade Estadual de Nova Iorque introduz, de uma maneira despretensiosa, algumas das grandes questões que preocupam toda a gente. É uma iniciação à filosofia precisamente porque as respostas que se analisam, neste texto, são de ordem filosófica. A dimensão filosófica é dada, antes de mais, pelo facto de a reflexão se apoiar, basicamente, na análise conceptual e argumentativa. De facto, Thomas Nagel parte do pressuposto que a melhor introdução à filosofia não é aquela que inicia na leitura dos textos dos grandes clássicos da história do pensamento mas sim a que leva o leitor a reflectir sobre certas questões — que ele designou noutra obra sua Mortal Questions — que constituem a "matéria-prima filosófica" (8). Trata-se, portanto, de um texto que vai ao encontro da experiência, polifacetada, do leitor sem apelar para qualquer conhecimento de escritos filosóficos, do passado ou do presente. Pretende surpreender a interrogação filosófica, ao nível espontâneo e ingénuo, apelando para o pensamento crítico que deve ser apanágio de todos os cidadãos. Oriundo de outra tradição cultural onde a filosofia ocupa um lugar muito diferente no sistema de ensino, este texto pode, contudo, prestar excelente ajuda a professores e alunos que o quiserem usar no contexto português actual. Pode servir para contrabalançar alguns dos aspectos menos positivos do actual programa de Introdução à Filosofia: uma excessiva tendência para recorrer a uma terminologia demasiado sobredeterminada; proliferação incontrolada de referências textuais descontextualizadas; subordinação excessiva dos conteúdos programáticos a sistemas taxonómicos da própria filosofia — por natureza efémeros; e outros que não cabe aqui mencionar e muito menos explicitar. Sobretudo para alunos que não pretendem, mais tarde, fazer uma licenciatura em filosofia, mas sim em Direito, Ciências ou qualquer outra área científica, o tipo de abordagem deste texto torna-se, porventura, mais vantajoso. É óbvio que se trata de prioridade, de uma questão de maior ou menor ênfase. Não se pode cortar, de modo algum, o acesso aos grandes textos.

Os nove problemas tratados por Nagel são os seguintes: o conhecimento do mundo externo; o conhecimento de outras mentes; a relação entre a mente e o cérebro; a possibilidade da linguagem; o livre-arbítrio; as bases da moral; desigualdade e injustiça; a morte e o sentido da vida.

Pelo estilo, concisão e outras qualidades intrínsecas da reflexão nele condensada, o livro de Nagel pode, efectivamente, abrir muitas mentes para uma reflexão filosófica. Se o conseguir, também entre nós, terá cumprido a sua missão.

António Manuel Martins

Recensão publicada em Revista Filosófica de Coimbra (Março de 1996)
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