A Arte de Argumentar, de Anthony Weston
Tradução de Desidério Murcho
Revisão Científica de João Branquinho
Gradiva, Fevereiro 1996, 145 pp.
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Apêndice
Críticas: Revista Filosófica de Coimbra · Jornal Público
Crítica da Revista Filosófica de Coimbra
Em boa hora a Gradiva colocou à disposição do público português este livro de regras que a Hackett lançou nos EUA, em 1986, com enorme sucesso. Trata-se de um texto que pertence a um género literário pouco cultivado. Enquanto «livro de regras» não pretende introduzir o leitor nos meandros da argumentação pela via clássica dos manuais de lógica (formal ou informal) ou dos tratados de argumentação e de retórica. De facto, o texto não chega sequer a entrar numa verdadeira tradução para linguagem simbólica dos argumentos analisados. O que o autor pretende é destacar algumas regras de inferência e de metodologia, devidamente exemplificadas e identificadas, que possam servir de base a uma avaliação da própria escrita e da escrita dos outros.
Os primeiros capítulos tratam da redacção e avaliação de argumentos curtos. Para além de serem mais comuns, permitem mais facilmente perceber a estrutura geral dos argumentos. Esta primeira parte do texto (capítulos I-VI) é que constitui o verdadeiro «livro de regras» de uma boa argumentação. Nos capítulos VII-IX, o Autor trata dos ensaios argumentativos. Assistimos, então, a uma ampliação e aplicação das regras previamente enunciadas completadas com uma série de regras metodológicas sobre a elaboração de um pequeno ensaio. O texto contém ainda uma breve síntese de algumas das principais falácias a evitar (ou a criticar) terminando com um pequeno capítulo sobre o uso das definições e uma breve descrição dos tipos mais correntes. O que a tradução portuguesa designa, algo equivocamente, como «estudo complementar» (pp. 127-129), é, na realidade, a indicação bibliográfica de algumas obras que podem ajudar o leitor a aprofundar e completar a informação aqui obtida.
Sem pretender nem poder substituir os textos de lógica, este livro de regras pode melhorar significativamente a performance argumentativa e crítica daqueles que se derem ao trabalho de o usar na redacção dos seus textos, na análise de textos da mais variada proveniência e na prática quotidiana do discurso argumentativo.
António Manuel Martins
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