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Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton
Junho de 1998 · Filosofia Aberta

Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton
Edição revista e aumentada
Tradução de Desidério Murcho
Revisão Científica de António Franco Alexandre
Gradiva, Abril de 2007, 284 pp.
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Com Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton, a Gradiva faz chegar às livrarias portuguesas uma boa surpresa para todos os que procuram uma introdução acessível e esclarecedora ao pensamento filosófico. O critério prioritário de organização do livro não é histórico, mas temático. Warburton justifica esta opção nos seguintes termos: "o meu objectivo neste livro é oferecer ao leitor instrumentos para pensar por si próprio, em vez de ser apenas capaz de explicar o que algumas grandes figuras do passado pensaram acerca desses temas". Em cerca de 250 páginas, Warburton procura atingir este objectivo nas questões fundamentais da ética, epistemologia e metafísica, e também nas questões filosóficas mais específicas que incidem sobre a religião, a política, a ciência, a mente e a arte.

O valor educativo de livros como o de Warburton poderá ser questionado. Há quem pense, erradamente, que a melhor forma de iniciar o estudo da filosofia consiste na leitura de obras clássicas. Mas isso é tão desastroso como iniciar o estudo da física com a leitura dos Principia, de Newton, ou como entrar no domínio da biologia começando por ler a Origem das Espécies. Na física e na biologia, existem livros especialmente concebidos para quem deseja aceder a essas áreas. E na filosofia também. Um bom livro deste tipo, como os Elementos Básicos, de Warburton, proporciona uma visão sistemática dos problemas e teorias da disciplina, e para além disso ensina a dominar as técnicas elementares que permitem investigar esses problemas e avaliar essas teorias. Ambas as coisas são condições prévias para ler proveitosamente as grandes obras clássicas e contemporâneas.

O livro de Warburton, no entanto, não atribui o mesmo peso a essas condições, pois privilegia mais a abrangência temática que o rigor técnico. Esta opção revela-se na inexistência de um capítulo dedicado ao tópico da lógica. "Deixei-o de fora", declara Warburton, "porque é uma área excessivamente técnica para poder ser tratada satisfatoriamente num livro desta dimensão e com este estilo." A prioridade colocada na abrangência introduz limitações óbvias, mas traduz-se em vantagens igualmente óbvias. No capítulo "Bem e Mal", por exemplo, Warburton apresenta e discute a ética cristã, a ética kantiana, o utilitarismo nas suas diversas versões, e a ética aristotélica das virtudes. Considera depois o problema da eutanásia à luz das teorias analisadas. Por fim, conduz ainda uma discussão em torno das teorias mais influentes sobre os fundamentos da moral. Tudo isto em apenas quarenta páginas.

Embora não encontremos neste livro uma apresentação explícita das técnicas elementares de argumentação filosófica, devemos reconhecer que com ele o leitor poderá aprender ostensivamente a dominar essas técnicas. Para cada problema considerado, Warburton analisa separadamente diversas teorias rivais, mas não se limita a formular e contrapor essas teorias. Destaca sobretudo as "críticas" a que as teorias estão sujeitas, e com isso viabiliza uma compreensão satisfatória de como os filósofos propõem e avaliam argumentos, ao mesmo tempo que contribuem para um esclarecimento adequado dos nossos conceitos mais importantes.

Os professores de filosofia contam-se entre os principais beneficiados com a publicação destes Elementos Básicos. Todos os capítulos do livro são relevantes para os temas indicados nos programas, e o aluno médio do secundário consegue usá-lo proveitosamente como manual de estudo. O índice detalhado, a par da reduzida dimensão das secções, constituem virtudes didácticas assinaláveis, e a independência que os capítulos mantêm entre si fazem do livro um instrumento de ensino muito flexível. A bibliografia indicada no final de cada capítulo merece atenção. Só é pena que muitos dos livros recomendados por Warburton não estejam disponíveis em português...

Previamente publicado no jornal Público (23 de Maio de 1998).
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