Hutchinson Pocket Dictionary of Confusible Words, de Adrian Room

Esclarecimento lingüístico

Leônidas Hegenberg
Hutchinson Pocket Dictionary of Confusible Words, de Adrian Room
Helicon, 1999, 256 pp.
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O inglês, assim como acontece com o português e com outras línguas, está cheio de vocábulos de grafias e pronúncias parecidas — mas de significados bem diversos. Consequentemente, é fácil cometer enganos, usando o termo inadequado em vez do correto. Exemplificativamente, Adrian Room indaga "When is an attack an assault?" e "If you do something purposely, do you also do it purposefully?" Questões análogas poderiam ser formuladas em nosso idioma, onde também há uma quantidade apreciável de palavras "geradoras de incertezas".

Examinando as significações de cerca de três mil palavras (em mais de mil "entradas"), Adrian Room presta notável serviço, auxiliando os leitores, a evitar enganos mais ou menos facilmente contornáveis. Eis alguns exemplos das "entradas" do Dictionary (com a letra "A"), que permitem perceber a diretriz adotada pelo autor, na tentativa de elucidar significados e afastar erros relativamente comuns: "acceptance/acceptation", "amend/emend", "avoid/evade/elude", "anger/rage/fury/indignation", "awesome/awful".

Um bom consulente deste dicionário entenderá que "centre" alude a um ponto de relevo, ao passo que "middle" se refere a algo eqüidistante dos extremos. Perceberá que "chastise" é castigar, "chasten" é fazer com que uma pessoa se sinta envergonhada, "castigate" é punir severamente. Compreenderá que "historic" é o evento importante, enquanto "historical" é o evento que se fixou na História. Notará que "illegible" seria um texto de leitura difícil, ao passo que "unreadable" seria um texto enfadonho ou dispensável.

Especialmente interessantes são certas sutilezas (próprias do inglês) que o autor focaliza — e que mereceriam análise correspondente em nosso querido e maltratado vocabulário. A seguir, alguns exemplos de especial valia, ótimos para a fixação de significados, através de curiosas comparações:

  1. "racialist" (aquele que acredita na superioridade de uma raça) e "racist" (aquele que defende a teoria de que a raça determina traços característicos de personalidade);
  2. "presume" (supor que algo seja verdade, mesmo sem muita certeza) e "assume" (admitir, sem discussão) — uma diferença comumente ignorada por maus escritores;
  3. "perceptive" (que entende rapidamente), "percipient" (que percebe rapidamente), "perspicacious" (que dispensa explicações) e "perspicuous" (que se faz entender com facilidade);
  4. os significados distintos de "misanthropist" (pessoa que odeia outras pessoas), "misogynist" (homem que odeia mulheres) e "misogamist" (pessoa que odeia casamento);
  5. "inhuman" (que não possui qualidades do ser humano) e "inhumane" (cruel);
  6. "inept" (afirmação absurda) e "inapt" (afirmação imprópria);
  7. "explain" (tornar algo claro ou compreensível) e "explicate" (explain and analyse);
  8. "assure" (tornar certa a ocorrência de algo), "ensure" (tomar medidas a fim de que algo ocorra) e "insure" (tomar medidas a fim de que algo indesejável não ocorra).

O autor comete, aqui e ali, a indelicadeza de supor que seus leitores confundam "perímetro" e "parâmetro", ou, alternativamente, entre "monograma" e "monografia", o que — suponho — não deve acontecer. Mas, afinal, dando os significados de ambos os termos, ainda lhes presta um pequeno favor. Erra, entretanto, quero crer, com respeito à grande maioria dos leitores, mesmo britânicos, ao imaginar que chegariam a confundir "Uruguai" e "Paraguai"... A par disso, não esclarece, com a devida precisão, o significado de certas palavras — o que acontece, em particular, no caso de "imply/infer".

Seja como for, o livro é agradável e poderia ter um similar no Brasil, colocado a meio caminho, entre o conhecido Dicionário Escolar das dificuldades da Língua Portuguesa e o Manual de Redação e Estilo, do jornal O Estado de São Paulo (ou de outros jornais brasileiros, como O Globo e A Folha). Notar que o livro de Room já tem alguns "irmãos" de preço igualmente baixo, como, por exemplo, os italianos, Dizionario delle Parole Difficili, de P. Sorge, e Dizionario Degli Errore e dei Dubbi Grammaticali, de L. de Cesari, publicados na coleção "Il sapere", da Newton Compton.

Leônidas Hegenberg
Instituto Brasileiro de Filosofia
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