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Neandertal
Recensões

Abomináveis homens das neves

Desidério Murcho
Neandertal, de John Darnton
Tradução de Helena Barbas
Editorial Presença, Lisboa, 1996, 354 pp.

Discretamente editado no final de 1996, este romance é obrigatório para todos os amantes da pré-história em geral e da questão neandertalense em particular. A escrita é fluida, clara e despretensiosa, sem ser de maneira alguma primária, apesar de o valor deste romance residir inteiramente na história, à boa maneira dos best-sellers anglo-americanos típicos. O autor não é um novato (já ganhou um prémio Pulitzer), mas este é o seu primeiro romance. O romance é extremamente informativo, já que se baseia em amplos dados antropológicos e históricos.

O elemento central da história é a descoberta de um grupo de neandertalianos que sobrevive na Ásia central, nos montes Pamir, descoberta conduzida por um grupo de paleontólogos. Durante o primeiro terço do romance somos conduzidos pelas peripécias que acabariam por conduzir à sua descoberta, seguindo-se então todas as peripécias que resultam deste contacto. Darnton explora a ideia por vezes defendida de que o mito dos Yétis, ou dos Abomináveis Homens das Neves, resulta na verdade de encontros fortuitos e fugazes com neandertalianos.

O romance lê-se com sofreguidão e emoção e sempre com a sensação de que tudo aquilo podia realmente acontecer — o que só é possível graças a uma narrativa sóbria e aos conhecimentos de paleoantropologia do autor.

Desidério Murcho