O aspecto dinâmico do processo dialéctico

Leônidas Hegenberg
Dizionario di Sociologia, de Antonio Saccà
Newton Compton Editori, 1994, 98 pp.

Antonio Saccà, depois de lecionar na Università di Roma, passou a Reitor do Istituto Nuova Accademia di Roma, onde ensina história da sociologia. Este seu dicionário contém (se não errei ao contá-los) 152 verbetes — e mais algumas poucas "entradas" que remetem o leitor a termos definidos em outros pontos da obra. Apenas como curiosidade, há 21 termos iniciados com "S", 19 com "C", 16 com "A", 14 com "I", "E" e "M", 12 com "R". Há apenas 4 iniciados com "B" e 3 com "L" e "O".

Os verbetes são mais ou menos "longos". Ocupam, em geral, cada qual deles, um terço de página, meia página ou, em certos casos, quase uma página. Não cabe criticar o que o autor escreve ao oferecer significados de palavras da sociologia — setor que deve conhecer bem. Imagino, pois, que termos como, digamos, "proletariado", "fascismo", "distanza sociale", "conflitto", etc. estejam definidos com o desejável rigor.

Saccà não foi muito feliz, no entanto, 1) ao considerar termos de áreas relativamente afastadas da sociologia (lingüística, psiquiatria, religião); e 2) ao tentar caracterizar significados de vários termos da filosofia.

Escrevendo a respeito de "ego", por exemplo, o autor nada nos diz do significado desse termo, limitando-se a falar da relação entre ego e alter. O mesmo acontece em outros locais, quando uma caracterização de significados é substituída por uma descrição paralela — nem sempre adequada, às vezes confusa. Exemplificando, é o caso, entre outros, dos termos "atto linguistico", "causa", "ceto", "mito", "modello", "relativismo", "religione", "ricerca", "semiologia".

Em "razionalità", o autor compara uma racionalidade antiga e uma racionalidade moderna. Para ele, a antiga seria "processo lógico e processo que assegurava a conquista da verdade", ao passo que a moderna seria "relação entre meios e fins". A "epistemologia" está restrita à "verificação da validade do saber científico".

"Norma" é termo fragilmente definido. Considerando, porém, que a obra de Saccà se destina a pessoas preocupadas com significados úteis para a sociologia, a caracterização pode ser dada como satisfatória. O termo "negação", entretanto, está mal definido. Em vez de lhe dar um significado, o autor se limita a asseverar que "La n. è l'aspetto dinamico del processo dialettico" (!?). Também não parece admissível admitir que "totalità" seja "termine proprio della dialettica"(?).

Em suma, um principiante pode valer-se deste livro, entendendo o que significam termos típicos da sociologia. Deve ler, porém, com cautela, o que o livro registra a respeito de termos de outras disciplinas.

Felizmente, o autor é cuidadoso em suas indicações bibliográficas (p. 93), anotando, em cada caso de tradução, publicada na Itália, a data e o idioma do original. Como isso se tem tornado raro, ultimamente, vale a pena deixar explícito um elogio ao prezado mestre Saccà.

Leônidas Hegenberg
Instituto Brasileiro de Filosofia
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