E=mc2, de David Bodanis
Maio de 2003 ⋅ Livros

Teoria das invariantes

Desidério Murcho
E = mc2: A Biografia da Equação mais Famosa do Mundo, de David Bodanis
Tradução de Teresa Velhinho
Lisboa: Gradiva, 2001, 292 pp.
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Este livro foi eleito um dos 10 melhores livros de ciência pelo jornal britânico Guardian, a par de Cosmos, de Carl Sagan — mas isto é sem dúvida um exagero. Tratando-se de um relato vivo e informado do muito que rodeia a famosa equação de Einstein, é no entanto um pouco superficial. Contudo, esta fraqueza é uma força: se o leitor nunca passou os olhos por um livro de divulgação científica e pensa que a teoria da relatividade prova que "é tudo relativo", devore este livro. Não encontrará nele longas fórmulas incompreensíveis, nem parágrafos densos com ideias complicadas; está tudo muito claro e ao nível do que qualquer pessoa pode ler.

O livro é uma "biografia da equação mais famosa do mundo", como proclama o subtítulo — e emergimos da sua leitura com uma compreensão aprofundada dos fenómenos físicos associados à equação, e das histórias de tantos intelectuais que contribuíram para a sua descoberta e, mais tarde, para a sua aplicação à bomba atómica. Começamos por compreender as diferentes partes da equação: E, =, m, c e a potência de 2. É assim que o autor nos ensina como os factos fundamentais da energia, da massa e da velocidade da luz foram estabelecidos ao longo dos séculos, para Einstein mais tarde os integrar na famosa equação. O que a equação faz é identificar a matéria com a energia. Estes dois constituintes do universo, à primeira vista tão díspares, estão afinal tão intimamente relacionados que podemos dizer que a matéria é um estado da energia, e a energia um estado da matéria.

Os autores pós-modernos fariam bem em ler este livro para compreender um pouco melhor que a teoria da relatividade não é uma companheira das suas ideias de que é tudo relativo; na realidade, Einstein deplorou que a sua teoria fosse assim conhecida, preferindo o nome "Teoria das Invariantes" — e é disso que realmente se trata, pois a velocidade da luz é invariante, assim como a quantidade de matéria-energia. O que é relativo, segundo a teoria de Einstein, só o é contra o pano de fundo do que é invariante; e o mesmo acontece em qualquer outro domínio — a ideia de que tudo é relativo é incoerente.

Com uma prosa leve e recheada de histórias curiosas de pessoas que de algum modo estão relacionadas com a famosa equação de Einstein, esta é uma leitura ligeira mas informativa. A tradução de Teresa Velhinho é competente e atenta.

Desidério Murcho
desiderio@ifac.ufop.br
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