As Grandes Correntes da Filosofia Moderna, de Alain Graf
História da filosofia

Revisões sucintas

Leônidas Hegenberg
As Grandes Correntes da Filosofia Moderna, de Alain Graf
Lisboa, Gradiva, 1997, 83 pp.
Comprar

Este é o volume 1 da coleção Mémo, setor de filosofia. A coleção Mémo, publicada em França, pelas Éditions du Seuil, tem sido objeto de atenção aqui, em Portugal, em cujas livrarias se encontram diversos volumes do setor de filosofia e de outros setores (por exemplo, lingüística e história). A coleção conta com várias dezenas de obras e esta, de Alain Graf, dá início à versão portuguesa de — presume-se — uma boa porção dos originais franceses. Como facilmente se percebe, os pequenos livros da Mémo (formato bolso, em geral com menos de uma centena de páginas), escritos por professores de universidades francesas, destinam-se a estudantes que necessitam revisões sucintas de certos temas comumente exigidos em exames de ingresso em cursos superiores (pelo menos na França).

Este volume principia (Capítulo 1) com rápida análise da revolução provocada pelas idéias de Galileu e termina (Capítulo 9) com breve comentário em torno de alguns autores modernos (Bergson, Maine de Biran, Husserl e Kierkegaard).

No Capítulo 1, Graf ressalta o surgimento de um novo espírito científico. Contrasta razão e fé, ressaltando que esta continua inacessível à razão crítica. A seguir (Capítulo 2), comenta o monismo de Espinosa e o dualismo de Descartes. No Capítulo 3, examina o empirismo inglês e acentua certas idéias de Newton para mostrar o advento do "raciocínio indutivo". Certas críticas de Hume são lembradas.

No Capítulo 4, Graf nos apresenta Kant. Nota que, segundo Kant, não há idéias inatas, pois o conhecimento começa com a experiência. Contudo, não seria possível ordenar a experiência sem inscrevê-la em quadros preexistentes, porquanto nem todo o conhecimento deriva da experiência. Graf examina os tipos de juízos kantianos — os sintéticos a posteriori (que fornecem informes sobre o mundo); os analíticos (que explicitam conteúdos de conceitos); e os sintéticos a priori (que não derivam da experiência e, no entanto, dizem respeito ao mundo).

Condorcet (que traça um diagrama teórico do progresso); Voltaire (que ironiza a transformação da "besta" em criatura racional); e Diderot (que sustenta ser a perfeição um mero resultado casual), são os autores que Graf comenta no Capítulo 5.

Rousseau é o tema do Capítulo 6. Graf não foi muito claro neste comentário, de modo que um retorno a Kant, nas páginas finais do capítulo, chega a ser oportuno. No Capítulo 7, o tema é Hegel. Graf comenta, com certa minúcia, o que Hegel diz a respeito de História. A seguir (Capítulo 8), o positivismo de Comte é estudado. Graf lembra a "lei dos três estados" (teológico, metafísico e positivo), para acentuar de que modo Comte entendia a Sociologia como síntese — a mais complexa das ciências, tendo em conta que o ser humano é o núcleo da unidade final do saber.

O livro contém algumas falhas tipográficas (por exemplo, “uma mal menor”, p. 53; “filsofia”, p. 58) e curiosos alguns erros de revisão, de que o mais grave (p. 59) é substituir alusão ao volume 7 da coleção Mémo por “Memorando n. 7”. As falhas serão certamente evitadas nos próximos volumes.

Leônidas Hegenberg
lh@phonet.com.br

Instituto Brasileiro de Filosofia
Termos de utilização ⋅ Não reproduza sem citar a fonte