Ecos do Big Bang

Desidério Murcho
O Nascimento do Universo, de John Gribbin
Tradução de Lucinda Maria dos Santos Silva
Círculo de Leitores, 1997, 294 pp.

Originalmente publicado em 1992 com o título "In the Beginning — The Birth of the Living Universe", eis uma leitura apaixonante sobre os temas mais importantes do universo, apesar de não ser essa a ideia com que se fica depois de se ver o telejornal, onde é sempre mais importante o último disparate dos dirigentes políticos e "desportivos". Em Abril de 1992 a NASA anunciou ter detectado variações na radiação cósmica de fundo, que se pensava desde há muito constituir o eco distante do Big Bang que terá dado origem ao nosso universo. Esta descoberta é a prova definitiva (ou tão definitiva quanto as coisas são definitivas em ciência) de que o nosso universo teve de facto origem no Big Bang. Isto porque se não existissem variações nessa radiação cósmica de fundo isso significaria que a explosão que a originara não poderia ter dado origem a nada, uma vez que a matéria e a energia se teriam dispersado uniformemente. Se a origem do universo é o Big Bang e se a radiação cósmica de fundo é o seu eco distante, teriam de se encontrar variações que explicassem a formação das galáxias — e foi isso precisamente que se encontrou em 1992.

Gribbin começa por nos descrever a história apaixonante de investigação científica que culminou com a descoberta das variações na radiação de fundo, para de seguida nos introduzir o tema principal do seu livro: a ideia de que a teoria darwiniana da evolução se aplica ao universo como um todo, e a defesa da ideia de que existem inúmeros universos distintos dos nossos, explorando as diferentes dimensões possíveis. Para pessoas com formação filosófica, o paralelo com os mundos possíveis de David Lewis é óbvio.

Escrito de forma clara e tendo sempre firmemente em vista o leitor leigo (como eu!), "O Nascimento do Universo" é uma leitura altamente recomendável. A tradução é boa e sempre que o autor cita um livro houve o cuidado de referir a tradução portuguesa — um pequeno pormenor de grande importância, mas que muitos editores negligenciam por pura preguiça. A única nota estranha é o facto de o livro não trazer um índice remissivo; mas como não conheço o original, pode ser que o original não o tenha também. No entanto, o mais provável é que o editor português, mais uma vez devido a uma mistura de incompetência profissional e preguiça, o tenha pura e simplesmente suprimido — prática habitual neste país miserável.

Desidério Murcho
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