Buracos Negros e Universos Bebés, de Stephen Hawking
Livros

Os buracos brancos

Célia Teixeira
Buracos Negros e Universos Bebés, de Stephen Hawking
Tradução de Isabel Araújo
Edições Asa, 1994, 186 pp.

Stephen Hawking, o autor de Breve História do Tempo, um dos livros de divulgação científica mais vendido em todo mundo, chegando mesmo a estabelecer um recorde de vendas que lhe permitiu entrar no Guinness Book of Records, oferece-nos em Buracos Negros e Universos Bebés um conjunto de ensaios de interesse para todos aqueles que, como eu, apesar de não serem cientistas, não deixam de partilhar a curiosidade destes pelo universo e por tudo que o compõe.

Buracos Negros e Universos Bebés compreende uma série de ensaios escritos por Hawking entre 1976 e 1992, sendo um deles —  talvez o mais interessante, pelo menos do ponto de vista científico — aquele que dá nome a este volume publicado em Portugal pelas Edições Asa no ano de 1994. Nestes ensaios, Stephen Hawking, além de nos dar as últimas notícias sobre física teórica, também nos dá a conhecer algumas teorias que fizeram história e que continuam a despertar interesse e a ser usadas na investigação de ponta, mas que, no entanto, ainda são poucos aqueles que verdadeiramente as compreendem. Falo, claro, da teoria da relatividade geral de Einstein e da mecânica quântica — que também se deve, em parte, a Einstein.

Muitas são as especulações existentes em volta dos buracos negros. Uma das ideias mais debatidas, principalmente por autores de ficção científica, é a possibilidade de viajar entre dois pontos remotos do universo usando os buracos negros como portas intergalácticas. Mas, para nossa infelicidade, alerta Hawking, se nos lançássemos em tal aventura correríamos o risco de sermos desintegrados dada a pressão exercida pelos campos gravitacionais dos buracos negros. Além disso, de um buraco negro não se pode sair, apenas entrar, logo não o poderíamos usar como porta de saída nas nossas viagens intergalácticas. Uma das possibilidades teóricas lançadas por Hawking em Buracos Negros e Universos Bebés é a de que se as leis físicas forem simétricas no tempo, deverão existir objectos dos quais, ao contrário dos buracos negros, apenas se possa sair e não entrar: os chamados buracos brancos. Se isto se verificar ainda pode vir a ser possível viajar no espaço pelo método acima mencionado, mesmo que estas viagens apenas possam ser realizadas por partículas minúsculas. Mas o que acontecerá aos objectos absorvidos pelos buracos negros, depois de estes se extinguirem? A teoria que Hawking nos propõe, baseada em estudos recentes por ele realizados, é a de que estes objectos entram em pequenos universos — os chamados universos bebés, que não são mais do que ramificações da nossa região do Universo. Para uma melhor compreensão destes fenómenos basta ler este livro de Stephen Hawking, pois todas as explicações lhe serão dadas.

Mas não se pense que este livro apenas trata de dar a conhecer aos leigos (e aos menos leigos) algumas teorias e descobertas acerca do universo. O autor fala-nos também sobre a sua infância, sobre as suas aventuras e desventuras como estudante desde a primária até ao doutoramento em Cambridge, da sua família e até da doença que o levou ao estado em que agora se encontra, conhecida por muitos como a doença dos neurónios motores. Sem dúvida que, ao ficarmos a par das grandes dificuldades físicas por que Hawking passou (que chegou mesmo a contrair pneumonia o que, como se não bastasse tudo o resto, lhe roubou a possibilidade de falar), não deixamos de sentir uma maior admiração por este grande homem que, apesar de tudo isto, continua a sua busca por uma melhor compreensão do universo.

Este volume inclui também a transcrição de uma entrevista dada por Hawking a um programa radiofónico de muito sucesso na Inglaterra e que possui o curioso título de Desert Island Discs. O programa consiste em perguntar aos seus convidados quais os nove discos que estes levariam para ouvir se se encontrassem numa ilha deserta durante alguns dias, até serem socorridos. Para saber quais as escolhas de Stephen Hawking basta ler o livro, pois não irei revelar nenhuma das suas escolhas, para lhe aguçar um pouco mais o apetite. Boa leitura!

Célia Teixeira
celia.teixeira@kcl.ac.uk
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