The Penguin Dictionary of Proverbs, de Rosalind Fergusson
Livros

Curtos e memoráveis

Leônidas Hegenberg
The Penguin Dictionary of Proverbs, de Rosalind Fergusson
Penguin Books, 2001 (segunda edição), 384 pp.
Comprar

A Penguin vem publicando, há muitos anos, uma apreciável quantidade de interessantes dicionários de preços muito convidativos. Ao lado de dicionários de idiomas (inglês-francês, inglês-alemão, etc.) também os de rimas, de citações, de nomes, de sinônimos, etc., etc.

Rosalind, de Liverpool, hoje beirando os 50 anos de idade, diplomou-se em Letras (Francês). Após um período em que atuou como professora, passou a trabalhar como lexicógrafa, atingindo, em pouco tempo, o posto de "senior editor" da Market House — importante casa editora. Deixou a firma para trabalhar na condição de "free lancer". Escreveu vários livros, entre os quais o dicionário de rimas, da Penguin, e foi co-autora de duas obras notáveis, o Dictionary of British History (Secker & Warburg, 1981) e o Dictionary of Twentieth Century Biography (Longmans, 1985).

Neste dicionário há mais de seis mil provérbios, de inúmeras nações, desde os muito antigos (por exemplo, "O convívio traz desprezo") até os ditos cínicos de nossos dias (por exemplo, "Quem sabe, faz; quem não sabe, ensina"). A autora define “provérbio” de maneira interessante. Trata-se de enunciado memorável que encerra conselho (primeiro prosperar, depois casar); advertência ou previsão (casar depressa, arrepender-se devagar); análise (por exemplo, a solteira se casa a fim de agradar aos pais; a viúva, a fim de agradar a si mesma). Fergusson, acertadamente, não considera as "expressões idiomáticas" — digamos, algo como "between the devil and the deep blue sea". A par disso, lembra, com muita propriedade, que os provérbios precisam ser curtos e memoráveis, sem jamais se reduzirem a banalidades.

Os provérbios foram apresentados em "categorias" — 188 ao todo. Essas categorias foram postas em ordem alfabética, de “absence” e “adversity”, até “worth” e “writing” (passando por “fame”, “law”, “regret”, self”, etc.). Em cada categoria, os provérbios acham-se dispostos em grupos, de acordo com "aspectos" que a categoria permite considerar. Exemplificando, examinemos o tópico “love” — um dos mais curiosos e longos da obra. O item se abre em grupos que correspondem a variados aspectos do amor. A autora considera nada menos do que 24 aspectos. Eis alguns deles: 1) cegueira; 2) irracionalidade; 3) valor; 4) poder; 5) universalidade; 6) constância; 7) altos e baixos; 8) desvantagens; 9) perigos; 10) inadequação; 11) fontes; 12) remédios; 13) regras; 14) brigas de namorados; 15) ciúme; etc. (A par disso, neste e em algumas outras categorias, convida-se o leitor a examinar itens correlatos. No caso presente, ver “hatred”, “marriage”, etc.)

Fergusson lembra que certos provérbios não passam de ditos populares ("An apple a day keeps the doctor away") — preservando, pois, sua significação literal. Ao lado deles, há expressões que procuram atingir níveis mais elevados, discorrendo a respeito de mistérios da vida ("Opportunity seldom hits twice"). Muitos provérbios têm caráter metafórico. Ainda que pareçam pertencer à primeira dessas espécies, cabem melhor na segunda. Assim, por exemplo, "Não conte com a galinha antes dela sair do ovo" não diz respeito a galinhas e ovos, como "Há mais de um meio de pelar um gato" nada tem a ver com gatos... Isso explica o fato de muitos provérbios surgirem em locais que olhos menos avisados teriam por "inadequados": "Every cloud has a silver lining" não aparece em "weather", mas em "optimism".

Como curiosidade, notar que o dicionário também inclui vários provérbios originários de países de língua não inglesa — em especial, a China, a Espanha e a França.

O índice desta obra é importante e bem feito. Conduz, com facilidade, aos locais desejados. Vale a pena examinar o que a senhora Fergusson reuniu neste livro.

Leônidas Hegenberg
lh@phonet.com.br

Instituto Brasileiro de Filosofia
Termos de utilização ⋅ Não reproduza sem citar a fonte