Uma realidade violenta

Desidério Murcho
Stonehenge, de Harry Harrison e Leon Stover
Tom Doherty, 1983, 347 pp.

O monumento megalítico Stonehenge desperta a nossa imaginação. Foi construído há cerca de 3400 anos, em plena Idade do Bronze. Esta obra relata, com fidelidade histórica e arqueológica, a construção do monumento e os acontecimentos com ele relacionados. Leon Stover, professor de antropologia no Instituto de Arqueologia do Ilinóis, e co-autor da obra, afirma que "este não é um romance histórico, mas um romance sobre a história" (pp. 308-309). Harry Harrison é o celebrado autor de títulos como a trilogia de A Oeste do Éden e The Turing Option.

Ason, o herói deste romance, é um nobre grego. A Grécia da Idade do Bronze vivia mergulhada em guerras fraticidas pelo domínio do mediterrâneo oriental. O estanho era crucial para se obter o bronze, peça importante do poder militar da altura. Uma vez que o estanho não existia na Grécia, os gregos eram obrigados a procurá-lo onde ele existia. E ele existia nas costas da actual Cornualha, na Inglaterra. Daí que encontremos Ason, um nobre grego, nas Ilhas Britânicas, acompanhado de Inteb, o seu amigo egípcio que dirigirá as operações da construção de Stonehenge.

O romance é extremamente violento — mas a realidade era extremamente violenta. Escrito com estilo, empolgante, comovente por vezes, este é um romance que prende a leitura e que nos ensina alguma história. Uma leitura que vale não apenas pelo prazer que proporciona, mas também pelo que aprendemos desses tempos remotos — as raízes da civilização actual. O romance é acompanhado de um posfácio no qual Leon Stover nos dá conta da realidade na qual a obra se baseia, terminando com uma bibliografia sobre os mais diversos aspectos do mundo da Idade do Bronze.

Desidério Murcho
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