Stonehenge, de Bernard Cornwell

Uma boa aventura

Desidério Murcho
Stonehenge, de Bernard Cornwell
Planeta Editora, 2000, 390 pp.

Há cerca de 4 mil anos, homens e mulheres hoje desconhecidos ergueram várias construções imensas, monumentais, em pedra. A imagem da imponentes pedras de Stonehenge, dispostas em círculo, é hoje amplamente conhecida. É difícil olhar para aquelas pedras imensas e não nos sentirmos espantados e profundamente curiosos acerca das pessoas que os ergueram. De algum modo, trata-se de um feito mais extraordinário do que as grandes construções do Egipto antigo, pois neste caso sabemos que nenhuma civilização grande e poderosa pôde apoiar esta impressionante iniciativa.

Bernard Cornwell deitou mãos ao tema e oferece ao leitor este magnífico romance, que se lê com um espírito de maravilhosa descoberta. No centro da narrativa estão dois irmãos — um que honra o seu pai, antigo chefe da tribo, moderado e sábio e outro, feiticeiro, que comete parricídio, toma o poder pela força e obriga a sua tribo a perseguir uma visão religiosa que irá culminar na grande construção de Stonehenge.

A descrição da vida tribal, com os seus mitos e conflitos, é convincente e as personagens são densas. A história desenvolve-se de formas sempre surpreendentes, com interlúdios comoventes, e o carácter diabólico do feiticeiro vai-se desenrolando a pouco e pouco, até chegar ao paroxismo dos seus planos terríveis e da sua verdadeira natureza.

Uma obra de leitura apaixonante, sobretudo para quem se interessa pelas épocas mais recuadas da história e para quem gosta de se entregar a uma boa aventura. É um excelente antídoto ao pretensiosismo reinante nas letras portuguesas e mostra como a boa literatura está noutro lado.

Desidério Murcho
Termos de utilização ⋅ Não reproduza sem citar a fonte