O Culpado que se Apresente, de Rex Stout
Livros

O caso de Watergate

Desidério Murcho
O Culpado Que Se Apresente e Um Caso Familiar, de Rex Stout
Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues e Mascarenhas Barreto
Livros do Brasil, Lisboa, 1998

Este é o décimo tomo da bem-vinda colecção “Obras Escolhidas de Rex Stout” e trata-se de um volume apetecível por várias razões. Do ponto de vista tipográfico, apresenta finalmente uma boa impressão e poucas gralhas. A tradução da primeira história tem a garantia de qualidade de Fernanda Pinto Rodrigues e é um prazer lê-la. As obras propriamente ditas, são ambas a não perder. Em primeiro lugar, pertencem ambas aos últimos anos de vida do autor: a primeira é de 1973 e a segunda de 1975, constituindo esta a última obra que o autor escreveu antes de morrer.

A segunda obra, Um Caso Familiar, apresenta algo nunca visto nas histórias anteriores e catastrófico para o universo de Nero Wolfe. Como os fiéis de Nero sabem, o grande detective nova-iorquino trabalha com Archie Goodwin, mas recorre a outros três colaboradores regulares: Saul Panzer, Orrie Cather e Fred Durkin. E se eu lhe disser que um deles está seriamente envolvido em vários assassínios? E que esses assassínios se relacionam com o caso Watergate, que forçou Nixon à demissão? E que um desses assassínios ocorre na própria residência de Nero? E que, pela primeira vez, Nero se enganou redondamente ao identificar o assassino? E mais não digo, pois não quero estragar-lhe a leitura. Por outro lado, surge nesta obra um elemento novo: as histórias de Nero sempre foram relatadas pelo seu colaborador Archie Goodwin; mas agora as narrativas de Archie entram na própria história: os personagens e o próprio Archie referem os livros em que se contam os casos de Nero Wolfe.

Quanto à primeira obra, O Culpado que se Apresente, narra o caso de um empresário assassinado com uma bomba que deflagra quando aquele abre uma gaveta da secretária de um colega. O caso é complicado precisamente por ser muito difícil dizer se a bomba se dirigia a quem efectivamente acabou por morrer ou se se dirigia antes ao legítimo dono da secretária. Outra hipótese ainda é a de a explosão ter sido acidental, quando a sua vítima se preparava para armadilhar a gaveta da secretária do colega.

Ambas as história estão escritas com humor, vigor e elegância, constituindo uma leitura a não perder.

Desidério Murcho
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