1 de Novembro de 2016   Dicionário Escolar de Filosofia

M

maiêutica

Nome pelo qual a personagem Sócrates, no Teeteto de Platão, designa o seu método de perguntas e respostas. O interesse da expressão está no facto de pôr ênfase no lado positivo do processo, uma vez que se trata de partejar as almas dos interlocutores de modo a que estes dêem à luz as ideias que de forma não consciente já contêm em si e que pode, por isso, ser entendido como um processo complementar da reminiscência. Nesse sentido, talvez seja mais uma noção platónica do que socrática. (Álvaro Nunes)

mal moral

O mal que resulta das más acções humanas. Por exemplo, assassínios, guerras, etc. (Célia Teixeira)

mal natural

O mal que resulta da natureza. Por exemplo, cheias, terramotos, doenças, etc. (Célia Teixeira)

mal, problema do

Ver problema do mal.

mandamentos divinos, teoria dos

Ver teoria dos mandamentos divinos.

Maquiavel, Niccolò (1469-1527)

Filósofo italiano de enorme importância na história do pensamento político. Foi considerado imoralista, adepto da ideia de que os fins justificam sempre os meios. É falso. Maquiavel não rejeita pura e simplesmente a moral, não diz que bem e mal são conceitos sem qualquer sentido. Separa a moral da política. O bom homem de estado é o que alcança e mantém o poder e não tem para tal de ser moralmente bom ou virtuoso. Seguir a moral pode ser uma desgraça para o interesse público. Em nome deste pode permitir-se, quando necessário, infracções à moral (mentiras, astúcias, crimes). A política não pode subordinar-se à moral. Se o governante quiser ser virtuoso, que o seja na sua vida privada. O realismo político de Maquiavel nega radicalmente a visão medieval e cristã da política e a perspectiva platónica, o que se pode confirmar pela leitura de O Príncipe (1532; trad. Europa-América, 1994), a sua obra mais conhecida. (Luís Rodrigues)

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Marx, Karl (1818-1883)

Filósofo alemão que apresenta uma interpretação materialista da história, cujo objectivo é transformar a sociedade mediante uma actividade revolucionária consciente das condições objectivas em que se exerce. A economia é a chave da compreensão dos acontecimentos históricos. Mais do que negar a importância das ideias, Marx nega que, só por si, elas possam mudar a vida dos seres humanos. As ideias dominantes são sempre as da classe economicamente dominante. Mas nenhuma classe domina para sempre e nem sempre haverá luta de classes. A exploração e a alienação terminarão com o advento da sociedade comunista, uma sociedade sem classes. No Manifesto do Partido Comunista (1848; trad. 1999, Editorial Avante) e em A Ideologia Alemã (1846; trad. 1980, Presença), Marx pretende ter apresentado uma visão dialéctica, científica e não utópica da história: cada forma de organização social desenvolve dentro de si própria as condições da sua inevitável negação. (Luís Rodrigues)

matéria

Aquilo, seja o que for, que tem existência física e ocupa espaço; que tem forma, tamanho e se pode mover. Muitos filósofos sintetizam, dizendo que os objectos materiais são substâncias que têm extensão (ver substância), mas os cientistas têm levantado muitas dúvidas acerca da noção tradicional de matéria. Algumas formas de idealismo negam a existência de objectos materiais e algumas formas de materialismo defendem que só há objectos materiais. (Aires Almeida)

materialismo

Teoria segundo a qual toda a realidade é de natureza material ou redutível (ver reducionismo) a processos de natureza material e que, em geral, nega a existência de estados mentais independentes desses processos. A doutrina foi advogada pela primeira vez por Leucipo e Demócrito, filósofos gregos do séc. V a. C., que viram naquilo a que chamaram átomos, juntamente com o espaço, os constituintes de tudo o que existe. Os filósofos actuais, no entanto, preferem falar de fisicalismo em vez de materialismo, uma vez que a física moderna concebe a matéria como sendo composta de protões, neutrões e electrões. O materialismo é ainda importante como uma possível solução para o problema da mente-corpo. Ver epicurismo, dualismo/monismo. (Álvaro Nunes)

materialismo histórico

O materialismo histórico corresponde à concepção que Marx tem da evolução histórica: 1. Uma interpretação da História que afirma que não são as ideias em si, mas sim as relações económicas de produção, que constituem os agentes fundamentais da vida social, política e espiritual do Homem; 2. Uma teoria (científica, segundo Marx) sobre a formação e o desenvolvimento das sociedades humanas, que considera que a economia é a chave da compreensão dos fenómenos históricos; 3. Uma visão da História como processo dialéctico, dinamizado por uma série de con-tradições (ver contradição) que se dão essencialmente na estrutura económica das diversas sociedades. Ver também materialismo dialéctico. (Luís Rodrigues)

máxima

Na ética deontológica de Kant, as máximas são os princípios que indicam o que leva as pessoas a agir. Pode-se fazer a mesma coisa segundo máximas diferentes, e para Kant o valor moral de um acto depende primariamente, não daquilo que se faz, mas da máxima que está subjacente àquilo que se faz. Um comerciante que não engana os clientes pode agir segundo a máxima “Devemos ser honestos”, sendo motivado pela honestidade, mas também pode agir segundo a máxima “Não enganes os outros se não queres perder clientes”, sendo neste caso motivado pelo interesse pessoal. Kant afirma que só no primeiro caso o acto do comerciante tem valor moral. Ver também dever, imperativo categórico, vontade boa. (Pedro Galvão)

mecanicismo

Concepção da natureza, típica de filósofos e cientistas modernos, como Galileu, Descartes e Newton, segundo a qual tudo o que acontece se pode explicar à luz de forças físicas que provocam “puxões" e “empurrões”. Tal como qualquer máquina, a natureza é composta por inúmeras “peças" ligadas entre si, cujo funcionamento regular e previsível pode ser reduzido a um conjunto limitado de leis, as leis da mecânica. Por isso o mecanicismo é uma forma de reducionismo. O mecanicismo surgiu como oposição às concepções organicista e animista da natureza, herdadas de Aristóteles e dos teóricos medievais. As descobertas do físico escocês James Maxwell (1831-79) acerca da radiação electromagnética abalaram seriamente a concepção mecanicista da natureza. (Aires Almeida)

mediação

Ver imediatez/mediação.

metaética

Área da ética que, em vez de se ocupar de teorias normativas (ver normativo/descritivo) relativas àquilo que devemos fazer ou ao tipo de pessoa que devemos ser, investiga a própria natureza dessas teorias e da moralidade em geral. Na metaética discute-se, por exemplo, até que ponto e em que sentido a ética depende da razão ou da emoção. Outro problema importante é o de saber por que motivo havemos de agir moralmente. Uma questão central nesta área é a de saber se e como os juízos morais são objectivos (ver objectivo/subjectivo). Entre as teorias que procuram esclarecer esta questão, contam-se o realismo moral, o subjectivismo moral, o emotivismo, o relativismo moral e a teoria dos mandamentos divinos. Ver Hare. (Pedro Galvão)

metafilosofia

Chama-se “metafilosofia" às teorias acerca da natureza da filosofia. Estas teorias não tratam conceitos como, por exemplo, os de verdade, bem, justiça, dever, beleza, ser, conhecimento, etc.; nem respondem a problemas como, por exemplo, o de saber se todas as desigualdades são injustas ou se existe um sentido da vida, etc.. Em metafilosofia examina-se a natureza dos problemas filosóficos, como se devem estudar as teorias e os argumentos da filosofia, ou que papel desempenha a interpretação de textos, o conhecimento do contexto histórico ou o domínio da lógica no trabalho filosófico. Por exemplo, quando se discute a utilidade, a historicidade ou a universalidade da filosofia está-se em pleno campo metafilosófico. (António Paulo Costa)

metafísica

O estudo dos aspectos conceptuais mais gerais da estrutura da realidade. Por exemplo: Serão todas as verdades relativas, ou haverá verdades absolutas? E o que é a verdade? Ao longo do tempo um ser humano muda de personalidade, fica fisicamente diferente, perde cabelo, etc. — como se pode então dizer que é a mesma pessoa? Será que a vida faz sentido? Será que temos livre-arbítrio? A ontologia é a disciplina da metafísica que estuda quais as categorias de coisas que há. Por exemplo: Será que há números, ou são meras construções humanas? Terão os universais, como a brancura, existência independente dos particulares, isto é, das coisas brancas? Serão as possibilidades não realizadas reais, ou meras fantasias? O que hoje em dia se chama “lógica filosófica” abrange em grande parte os temas da metafísica tradicional, introduzidos na obra Metafísica, de Aristóteles, designadamente o problema da identidade e persistência de objectos ao longo do tempo. A designação de “metafísica”, contudo, não foi introduzida por Aristóteles, que usava a expressão “filosofia primeira”, muito corrente ainda no séc. XVII, mas hoje pouco usada — o que é uma pena, pois não permite o trocadilho informativo que consiste em dizer que a filosofia primeira estuda as questões últimas. No sentido popular do termo, “metafísica" quer dizer algo totalmente diferente: o “estudo" de questões que transcendem a realidade material: ocultismo, espiritismo, etc. Em filosofia, a metafísica não é nada disto.

A metafísica é uma das disciplinas centrais e mais gerais da filosofia; muitas outras disciplinas abordam problemas metafísicos particulares. Por exemplo: a filosofia da acção estuda, entre outras coisas, o problema metafísico de saber o que é e como se individua uma acção (isto é, como se distinguem as acções umas das outras); a filosofia da ciência estuda, entre outras coisas, o problema ontológico de saber se as entidades inobserváveis postuladas pelas ciências (como os quarks) têm existência real e independente de nós, ou se são meras construções humanas.

Com o desenvolvimento da ciência moderna, a partir do séc. XVII, a metafísica começou a sofrer ataques por não produzir resultados à semelhança da ciência; afinal, era a ciência empírica, como a física, que produzia conhecimento seguro sobre a natureza última das coisas, e não a metafísica. Esses ataques começam com Kant. Posteriormente, algumas escolas de filosofia, como o positivismo lógico, encaravam a metafísica como coisa mítica do passado. Contudo, na filosofia contemporânea, a força dos problemas metafísicos voltou a impor-se, e o seu estudo floresceu uma vez mais. (Desidério Murcho)

Russell, Bertrand, Os Problemas da Filosofia, Caps. 9 e 10 (Coimbra: Almedina, 2001).
Nagel, Thomas, Que Quer Dizer Tudo Isto?, Caps. 9 e 10 (Lisboa: Gradiva, 1995).

metáfora

Um recurso literário em que se usa uma ideia ou imagem para falar de outra coisa que não essa ideia ou imagem. A alegoria da caverna de Platão, por exemplo, é usada não para falar de cavernas e escravos, mas para falar de alguns aspectos importantes do conhecimento e da atitude das pessoas relativamente a ele. Assim, o interesse de uma metáfora não é a ideia ou imagem usada, mas o que esse uso significa. (Desidério Murcho)

método científico

Conjunto de procedimentos usados pelos cientistas para obter um conhecimento tão certo (ver certeza) e seguro quanto possível na sua área de investigação. Até aos primeiros anos do séc. XX, uma concepção de método baseada na indução e derivada das ideias de Francis Bacon (1561-1626) e de Galileu Galilei teve a preferência dos cientistas. A descoberta de que algumas teorias científicas, consideradas verdadeiras com base nesse método eram, na realidade, falsas, levou à formulação de metodologias alternativas, das quais a mais importante e conhecida é o falsificacionismo de Karl Popper. Outras tentativas de explicar a investigação científica, como a de Thomas Kuhn, que, em vez de formular teorias normativas e racionalistas (ver racionalismo) da ciência, procura descrever (ver normativo/descritivo) a forma como progride, ou como a de Paul Feyerabend, ao defender a inexistência do método científico e a ideia de que “qualquer coisa serve”, têm sido por muitos consideradas irracionalistas (ver irracionalismo). Ver experiência, explicação científica, falsibicabilidade, filosofia da ciência, generalização, incomensurabilidade, método experimental, método hipotético-dedutivo, problema da indução, verificabilidade, verificacionismo. (Álvaro Nunes)

método experimental

O método experimental é o conjunto de procedimentos científicos que incorporam sistematicamente a experimentação como forma de estabelecer a verdade/falsidade de uma certa hipótese científica. A padronização dos testes experimentais possibilita a sua repetição em quaisquer situações análogas e permite uma confirmação independente dos resultados pela comunidade científica, o que não acontece com os enunciados não científicos e pseudocientíficos. Dada a importância da exactidão dos dados a utilizar, o método experimental exige um aparato técnico progressivamente mais sofisticado, com o qual se ampliam as limitadas capacidades naturais de percepção humana. Embora exista uma concepção largamente difundida do método experimental segundo a qual este consiste na sequência observaçãohipóteseexperimentaçãolei ou reformulação da hipótese, em filosofia da ciência discute-se a correcção desta descrição. Ver Galileu, falsificabilidade, corroboração, método científico e método hipotético-dedutivo. (António Paulo Costa)

método hipotético-dedutivo

Trata-se de um método empregue na ciência para avaliar uma certa hipótese acerca dos fenómenos em estudo. Neste método, formula-se uma dada hipótese sob a forma de uma premissa com a forma lógica de uma afirmação condicional, que se submete a um teste que a confronta com os factos, deduzindo-se então se é, ou não, uma hipótese correcta (ver dedução). Imagine-se que um cientista, ao descobrir uma dada substância, formula a seguinte hipótese: “Se esta substância é água, então entra em ebulição a 100º centígrados”. Em seguida, o cientista vai testar esta hipótese submetendo a substância à temperatura de 100º centígrados. Se a substância não entrar em ebulição àquela temperatura, o cientista deduz que não é água e que a hipótese era falsa (ver verdade/falsidade). O seu raciocínio tem a forma lógica de um modus tollens e pode ser formalizado da seguinte maneira:

Premissa da hipótese: Se esta substância é água, então entra em ebulição a 100º centígrados.
Premissa do teste: Esta substância não entra em ebulição a 100º centígrados.
Conclusão: Logo, esta substância não é água.

Pelo contrário, se a substância entrar em ebulição àquela temperatura, a hipótese é corroborada (ver corroboração). Em filosofia da ciência é habitual contrastar o método hipotético-dedutivo com o método indutivo (ver indução e Mill), em que as leis são generalizações feitas com base na experiência de um número significativo de fenómenos particulares. Ver falsificabilidade, generalização, explicação científica, método científico e método experimental. (António Paulo Costa)

milagres

Intervenções divinas que violam uma lei da natureza. Exemplos de milagres são fenómenos como a levitação de santos, a transformação de água em vinho, etc. Os milagres são por vezes usados como premissas de argumentos a favor da existência de Deus: se os milagres são o resultado da intervenção divina, então revelam a existência de Deus. Hume objectou à existência de milagres, defendendo que é sempre mais provável que os relatos de milagres sejam falsos do que tenham de facto acontecido as coisas extraordinárias que relatam. Ver filosofia da religião. (Célia Teixeira)

Mill, John Stuart (1806-1873)

Filósofo inglês, tornou-se o principal representante do empirismo no séc. XIX. Mill defendeu que todo o conhecimento científico — até o matemático — resulta de inferências indutivas realizadas a partir da experiência sensível (ver indução), propôs um conjunto de métodos para avaliar tais inferências e introduziu a concepção nomológico-dedutiva das explicações científicas (ver explicação científica). Na ética, Mill destacou-se como defensor do utilitarismo, tendo associado esta teoria a uma versão peculiar de hedonismo, segundo a qual, mais do que a quantidade, interessa a qualidade dos prazeres de que desfrutamos. Contra o hedonismo do seu predecessor, Jeremy Bentham (1748-1832), sustentou que os prazeres mentais são intrinsecamente superiores aos corporais, de tal modo que os primeiros são preferíveis seja qual for a duração e intensidade dos segundos. Na filosofia política, Mill advogou o liberalismo. Argumentou decisivamente a favor da liberdade de pensamento e expressão, bem como da igualdade entre homens e mulheres. Algumas das suas obras mais importantes são Utilitarismo (1861; trad. 1976, Atlântida Editora), Sobre a Liberdade (1859; trad. 1997, Europa-América). (Pedro Galvão)

mimêsis

Termo grego para “imitação”. Segundo Platão e Aristóteles, trata-se de uma noção central da estética. A ideia é que as artes imitam o mundo real. A noção foi submetida a fortes críticas, a mais notória das quais foi a de Nelson Goodman. (Desidério Murcho)

modus ponens

O nome da seguinte forma válida da lógica proposicional: “Se P, então Q; P; logo, Q”. Por exemplo: “Se a vida é sagrada, o aborto é um mal; a vida é sagrada; logo, o aborto é um mal”. Trata-se de uma das formas lógicas mais usadas na argumentação corrente; é tão usada, que muitas vezes se omite a segunda premissa e a própria conclusão, afirmando-se apenas a primeira premissa. (Desidério Murcho)

modus tollens

O nome da seguinte forma válida da lógica proposicional: “Se P, então Q; não Q; logo, não P”. Por exemplo: “Se Deus existe, o mal não existe; mas o mal existe; logo, Deus não existe”. Trata-se de uma das formas lógicas mais usadas na argumentação corrente; é tão usada, que muitas vezes se omite a segunda premissa e a própria conclusão, afirmando-se apenas a primeira premissa. (Desidério Murcho)

mónada

Termo popularizado por Gottfried Wilhelm Leibniz na obra Princípios de Filosofia Ou Monadologia (trad. 1987, INCM) para designar as substâncias básicas individuais (ver substância) que constituem o universo. As mónadas são entidades únicas, indestrutíveis, imateriais, sem extensão nem partes, semelhantes a almas, e dotadas de percepção (representação das coisas) e de apetição (tendência para ter sucessivas percepções). As mónadas diferem pelo grau de percepção de que são capazes e, embora não tenham quaisquer relações entre si, estão perfeitamente sincronizadas umas com as outras por intermédio de uma harmonia pré-estabelecida. Os objectos do mundo material são colecções de mónadas. (Álvaro Nunes)

moral

O mesmo que ética. Contudo, usa-se por vezes o termo “moral" não como sinónimo de ética mas para referir os costumes de um povo, independentemente de serem relevantes ou não para a ética, costumes esses enraizados em determinadas tradições, muitas vezes de carácter religioso. Assim, uma pessoa pode considerar que é imoral trabalhar ao Sábado, não no sentido filosófico de ser eticamente condenável, mas apenas no sentido de ser proibido pela sua tradição religiosa. Do ponto de vista ético, trabalhar ou não trabalhar ao Sábado poderão ser escolhas igualmente legítimas. É neste sentido que se distingue um moralista de um eticista. Um moralista é alguém que defende ou condena certos costumes com base em tradições religiosas ou culturais; um eticista é um especialista em ética, que defende ou condena certas práticas com base numa argumentação filosófica. (Desidério Murcho)

mundo exterior

O mundo que percepcionamos através dos sentidos, do qual também fazemos parte e no qual agimos no nosso dia-a-dia. Diz-se “exterior" para o distinguir de conteúdos mentais, como pensamentos, ideias, desejos, crenças, etc., de que temos experiência directa e que, portanto, constituem o nosso mundo interior ou mental. Saber se temos ou não acesso directo ao mundo exterior, ou até se existe algo a que possamos chamar mundo exterior, é alvo de disputa entre os partidários do realismo e do idealismo. (Aires Almeida)

mundo sensível

O mundo da maneira como é percepcionado pelos nossos sentidos. Platão considerava que esse era um mundo de falsas imagens e ilusões, contrapondo-o ao “mundo inteligível”, apenas acessível à razão e onde podemos encontrar a verdade. Ver também alegoria da caverna. (Aires Almeida)

mutatis mutandis

Expressão latina que significa “fazendo as mudanças necessárias”. Por exemplo, pode-se dizer que as críticas de Sócrates à sociedade superficial e acrítica do seu tempo se podem fazer à sociedade de hoje, mutatis mutandis. (Desidério Murcho)