Paisagem Italiana, Fim do Verão (pormenor), de Steven Bigler
22 de Setembro de 2004 ⋅ Filosofia da mente

O tempo e o observador

O onde e o quando da consciência no cérebro
Daniel C. Dennett e Marcel Kinsbourne

O texto de Daniel Dennett (n. 1942) que aqui se apresenta, de co-autoria com Marcel Kinsbourne, é bem o exemplo de uma abordagem filosófica do conceito de consciência que não dispensa o recurso às entidades e aos métodos das ciências experimentais, nomeadamente da psicologia. Contudo, não é uma aceitação passiva das mesmas, na medida em que são trabalhados dentro das ciências (sobretudo de B. Libet) que, quando analisados criticamente, permitem uma reformulação de teorias e de modelos. Em "O Tempo e o Observador: O Onde e o Quando da Consciência no Cérebro" de 1992, Dennett e Kinsbourne criticam o modelo cartesiano da consciência (o Teatro Cartesiano) segundo o qual a consciência é uma espécie de espectáculo que se oferece ao sujeito experienciador, e apresentam como alternativa a este modelo aquilo que eles chamam o Modelo das Versões Múltiplas. Segundo este modelo, não há qualquer meta final para a apresentação da consciência numa versão final canónica, mas sim um constante fluir de experiências em estados diferentes de montagem por parte dos diversos componentes do sistema de "edição/montagem". Assim, os fenómenos de cor phi e daquilo que eles chamam "o coelho cutâneo" (a sensação de um coelho a saltar ao longo do braço) deixam de aparecer como fenómenos anómalos que põem em causa a lei da causalidade que estabelece que as causas precedem sempre os seus efeitos. As múltiplas versões são revistas e montadas de acordo com dois princípios da representação de propriedades temporais (que têm de se distinguir das propriedades temporais das representações), a saber, as revisões orwelliana e estalinesca.

A tradução portuguesa, de Luís M. S. Augusto, é disponibilizada na Crítica, com a autorização dos autores, em PDF.

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