O Nomear e A Necessidade
7 de Novembro de 2012 ⋅ Filosofia Aberta

Linguagem e metafísica

O Nomear e A Necessidade, de Saul A. Kripke
Lisboa: Gradiva, Novembro de 2012, 247 pp
Tradução de Ricardo Santos e Teresa Filipe
Introdução de Ricardo Santos, Universidade de Évora
Comprar

Apresentação

Este livro é constituído por um conjunto de três palestras, proferidas sem qualquer suporte escrito, no início de 1970 na Universidade de Princeton, quando Saul A. Kripke tinha apenas 29 anos. A sua publicação em livro ocorreu alguns anos mais tarde, com base na gravação então realizada, e para a qual o autor acabou por escrever um prefácio. Entretanto, o impacto dessas palestras na discussão filosófica subsequente era já bastante notório, sobretudo nos domínios da metafísica e da filosofia da linguagem, trazendo também contributos importantes para a filosofia da mente, para a filosofia da ciência e até, embora mais indirectamente, para a epistemologia. É, de resto, consensual que O Nomear e a Necessidade está na origem da reabilitação contemporânea da metafísica que, além disso, deu uma nova direcção à filosofia da linguagem. No domínio da metafísica, Kripke desafia velhas, e aparentemente insuspeitas, ideias herdadas de Kant (como as ideias de que todas as verdades conhecíveis a priori são necessárias e de que todas as verdades exclusivamente conhecíveis a posteriori são contingentes), ao mesmo tempo que recupera algumas teses aristotélicas, sustentadas por novos e poderosos argumentos. No domínio da filosofia da linguagem, Kripke apresenta argumentos, por muitos considerados decisivos, contra as teorias descritivistas do significado e da referência dos nomes próprios com origem em Frege e Russell.

Este clássico da filosofia contemporânea está, há muito, traduzido para praticamente todas as línguas ditas cultas. Com esta tradução, os leitores de língua portuguesa passam também a ter acesso a uma obra cuja influência filosófica não tem parado de crescer. A presente tradução obedeceu a elevados critérios de rigor científico e académico, sendo acompanhada por uma útil introdução do Prof. Ricardo Santos (Universidade de Évora), que visa orientar o leitor menos familiarizado com esta obra seminal na discussão das principais ideias aí contidas, contextualizando-as filosoficamente e apontando algumas das suas principais implicações. O Nomear e a Necessidade destina-se a todos os leitores, estudiosos ou não, que valorizam o conhecimento dos grandes clássicos da filosofia.

Saul A. Kripke

Sobre o autor

Saul Aaron Kripke e nasceu em 1940, em Long Island (Nova Iorque) e cresceu em Omaha (Nebrasca), até ingressar na Universidade de Harvard. O seu brilhantismo intelectual tornou-se patente desde muito cedo, tendo conseguido publicar, com apenas 18 anos, um original artigo de lógica no exigente e respeitadíssimo Journal of Symbolic Logic. Autor de vários artigos muito influentes, até hoje apenas publicou mais dois livros além de O Nomear e a Neccessidade: um deles em 1982, sobre o argumento da linguagem privada de Wittgenstein e, mais recentemente, o primeiro volume de Collected Papers (2011). Professor jubilado da Universidade de Princeton desde 1998, ensina actuamente em Nova Iorque, no CUNY Graduate Center. Tem sido distinguido com vários prémios, entre os quais se destaca a atribuição, em 2001, do prestigiado Prémio Schock de lógica e filosofia, atribuído de dois em dois anos pela Real Academia Sueca das Ciências, considerado o equivalente ao Prémio Nobel da filosofia.

Em 2007 foi criado em Nova Iorque o Saul Kripke Center, que reúne a vasta obra ainda por publicar de Kripke, constituída por milhares de páginas e muitas horas de gravações áudio e vídeo, que estão a ser tratadas por bolseiros.

Louvor

«Quando estas palestras foram publicadas pela primeira vez todos ficaram furiosos ou exaltados ou perplexos. Ninguém ficou indiferente. Esta bem-vinda republicação num volume separado (com um novo e útil prefácio, mas sem alterações substanciais) oferece-nos a oportunidade de voltar a olhar para um clássico moderno e de dizer algo sobre as razões por que foi considerado tão chocante e libertador.»
Richard Rorty, London Review of Books
«Brilhante e muito influente. Impõe-se como uma obra de filosofia impressionante e duradoura, distinguindo-se pela sua abrangência, clareza e profundidade.»
Colin McGinn, Times Higher Education Supplement
«À distância de quarenta anos, parece-me seguro dizer que O Nomear e a Necessidade tem lugar reservado entre as principais obras da filosofia do século XX.»
Ricardo Santos, in Introdução à tradução portuguesa
«O melhor de tudo acerca de Saul [Kripke] é que ele nunca confunde uma questão filosófica real com um problema meramente técnico.»
Paul Boghossian, Universidade de Nova Iorque
«A obra de Kripke contribuiu enormemente para o declínio da filosofia da linguagem e escolas afins, as quais defendiam que a filosofia era nada mais que a análise lógica da linguagem.»
Enciclopédia Britânica

Índice

Introdução
Prefácio

  1. Primeira palestra: 20 de Janeiro de 1970
  2. Segunda palestra: 22 de Janeiro de 1970
  3. Terceira palestra: 29 de Janeiro de 1970

Adenda
Índice remissivo