Teses de filosofia

Apresentação

Maria João Coelho
Corpo, Pessoa e Afectividade: Da fenomenologia à bioética, de Maria João Coelho
Supervisão de Michel Renaud
Dissertação de Mestrado
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa
Lisboa, 1997, 46 pp. (28 000 palavras)
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Esta tese é o resultado de dois anos de investigação e compreende três áreas no âmbito da Filosofia: Fenomenologia, Ética e Bioética. Numa articulação cujo ponto central é, em última análise, a pensatividade e genuinidade humana, no seu modo de funcionamento próprio, com as suas leis, a sua finalidade, os seus direitos, a sua dignidade que, em cada instante é necessário compreender, respeitar e valorizar como a forma de existência mais excelente e plena, absolutamente valiosa, mas finita, limitada, frágil.

Enquadrada num ideal de aceitação dos enormes progressos que a ciência e a tecnologia têm feito, mas igualmente atenta à experiência humana reveladora de dimensões outras de inquietação, propus-me elaborar um estudo que induza ao reexame do fenómeno humano numa atitude de busca de soluções aceitáveis, através da nossa capacidade de pensar e amar. Precisamente quando a ciência e a medicina alcançam uma capacidade maior de salvaguardar a saúde e a vida, as ameaças tornam-se mais insidiosas. Coloca-se em questão o Homem e o sentido da sua existência, e surge a necessidade de edificar uma nova ética capaz de explicar os problemas humanos e de pautar os seus comportamentos em sociedade. Assim, a presente reflexão inicia-se com uma análise mais fenomenológica de modo a articular a problemática: corpo, pessoa, afectividade. Esta análise procura os contributos da fenomenologia para a nossa pensatividade actual, radicada numa perda crescente de sentido e valorização daquilo que constitui a unidade do humano em si mesmo, e que importa revitalizar em ordem a uma aproximação de compreensão do Homem, esse ser misterioso e vulnerável que sempre se revela como fim, num verdadeiro apelo de Ser e de Amor. Apoiada pela análise fenomenológica e, entendendo a Pessoa como relação, atitude, abertura ao outro, surge a necessidade de equacionar a intersubjectividade, numa procura dos seus fundamentos e princípios éticos. A via da ética aparece como intenção, interrogação acerca das acções humanas em ordem ao estabelecimento de normas e critérios orientadores. A última parte do trabalho consiste na abordagem temática que desde o início se constituiu como objectivo — corpo, pessoa e afectividade, numa visão pautada por um aprofundamento dessa nova disciplina, cada vez mais importante: a bioética. À luz das ciências da vida e suas tensões inerentes, a bioética suscita esforços para permitir os benefícios das novas técnicas e limitar os seus perigos.

Maria João Coelho, natural de Mangualde, nascida em 1970, reside em Viseu. Licenciada em Filosofia pela F.C.S.H. da U.C.P. de Lisboa em 1993 com a classificação de 14 valores, foi durante os anos lectivos de 1993 até 1998 docente do grupo 24 de várias Escolas Secundárias do distrito de Viseu, é formadora do Instituto de Emprego e Formação Profissional de Viseu nas áreas de Relações Interpessoais e Psicologia, e também é creditada como formadora pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua de Professores. Actualmente exerce funções de professora-adjunta no ISCE — Instituto Superior de Ciências Educativas de Mangualde, Instituição na qual é também membro do Conselho Científico. No presente ano lectivo inicia o seu projecto de Doutoramento sob o título: Memória e Projecto, sob orientação de Michel Renaud.

Maria João Coelho
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