Apresentação
Jorge António Caetano dos SantosSupervisão de Maria José Cantista
Dissertação de Mestrado
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Porto, 2002, 135 pp. (44 700 palavras)
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A reflexão que realizamos assenta de um modo essencial sobre o rumo que tem vindo a tomar as investigações científicas na sociedade contemporânea, tendo como pano de fundo a contribuição teórica do filósofo Hans Georg Gadamer. A ideia central que norteou a nossa dissertação de mestrado traduziu-se na convicção de que assistimos a uma certa redução das experiências humanas à lógica da instrumentalização; a uma certa hegemonia do método científico, situação essa que se torna mais visível após o nascimento da ciência moderna, já que esta inaugura um estado da nossa civilização que, segundo o filósofo, se materializa num modelo meramente técnico e instrumental de conceber os caminhos da racionalidade.
Gadamer acredita que é possível encontrar um novo caminho reflexivo, que é necessário fazer emergir um novo modo de encarar a razão e a existência humana, o qual, partindo da experiência concreta dos homens, não se reveja unicamente nas restrições impostas pelo método tradicional de pensar. Partindo dos contributos da hermenêutica do século XIX, realçando-lhe as suas virtudes e acentuando as suas limitações, frisando as decisivas contribuições de Husserl e de Heidegger, focamos o contributo decisivo da hermenêutica gadamareana na eficácia que revelou no sentido de ultrapassar as dimensões historicistas e instaurar um novo caminho de leitura e interpretação das ciências do espírito. Neste sentido sobressaem a herança platónica, aristotélica e hegeliana, que como símbolos vivos da tradição, abriram e continuam a abrir as portas para um novo modelo de racionalidade que não se reveja exclusivamente na lógica asfixiante da razão instrumental.
O autor é professor de Filosofia no ensino secundário e pertence ao QND na Escola Secundária de Rio Tinto. Lecciona desde o ano de 1982 e além da experiência docente possui alguma experiência na intervenção na realidade educativas ao nível da acção autárquica, na qual desempenhou quatros anos da suas actividade profissional. Foi contudo, e ainda é, a paixão pela produção filosófica que o move decididamente para tentar entender e modificar a realidade. O autor está consciente das profundas limitações que o envolve quando se propõe a passar a mensagem de conteúdos filosóficos no ensino secundário. A demasiada cumplicidade do ensino vigente com uma lógica reducionsita e que abafa o pendor crítico e seguramente despreza o prazer e o gosto pela verdadeira formação humanista inquietata-o profundamente. Também aos 44 anos, mais não lhe resta do que subscrever as sábias palavras de um seu professor: Acha que o tempo após os 30 anos se começa a contar como um usurário acaricia as moedas. Do espaço resta-lhe o gosto pelo mar, pelas ruas acariciantes da Foz Velha. Da Vida acredita nos Amigos poucos, no prazer que cresce em certas horas de Silêncio, no olhar denso e puro de um cão que se encontra no Acaso dos dias. Ganha a vida com professor. De Filosofia. É também o sítio onde mais a gasta.

