10 de Dezembro de 2003 ⋅ Teses de filosofia

Apresentação

Jorge António Caetano dos Santos
O Problema da Consciência Histórica: A Emergência de uma Epistemologia Filosófica, de Jorge António Caetano dos Santos
Supervisão de Maria José Cantista
Dissertação de Mestrado
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Porto, 2002, 135 pp. (44 700 palavras)
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A reflexão que realizamos assenta de um modo essencial sobre o rumo que tem vindo a tomar as investigações científicas na sociedade contemporânea, tendo como pano de fundo a contribuição teórica do filósofo Hans Georg Gadamer. A ideia central que norteou a nossa dissertação de mestrado traduziu-se na convicção de que assistimos a uma certa redução das experiências humanas à lógica da instrumentalização; a uma certa hegemonia do método científico, situação essa que se torna mais visível após o nascimento da ciência moderna, já que esta inaugura um estado da nossa civilização que, segundo o filósofo, se materializa num modelo meramente técnico e instrumental de conceber os caminhos da racionalidade.

Gadamer acredita que é possível encontrar um novo caminho reflexivo, que é necessário fazer emergir um novo modo de encarar a razão e a existência humana, o qual, partindo da experiência concreta dos homens, não se reveja unicamente nas restrições impostas pelo método tradicional de pensar. Partindo dos contributos da hermenêutica do século XIX, realçando-lhe as suas virtudes e acentuando as suas limitações, frisando as decisivas contribuições de Husserl e de Heidegger, focamos o contributo decisivo da hermenêutica gadamareana na eficácia que revelou no sentido de ultrapassar as dimensões historicistas e instaurar um novo caminho de leitura e interpretação das ciências do espírito. Neste sentido sobressaem a herança platónica, aristotélica e hegeliana, que como símbolos vivos da tradição, abriram e continuam a abrir as portas para um novo modelo de racionalidade que não se reveja exclusivamente na lógica asfixiante da razão instrumental.

O autor é professor de Filosofia no ensino secundário e pertence ao QND na Escola Secundária de Rio Tinto. Lecciona desde o ano de 1982 e além da experiência docente possui alguma experiência na intervenção na realidade educativas ao nível da acção autárquica, na qual desempenhou quatros anos da suas actividade profissional. Foi contudo, e ainda é, a paixão pela produção filosófica que o move decididamente para tentar entender e modificar a realidade. O autor está consciente das profundas limitações que o envolve quando se propõe a passar a mensagem de conteúdos filosóficos no ensino secundário. A demasiada cumplicidade do ensino vigente com uma lógica reducionsita e que abafa o pendor crítico e seguramente despreza o prazer e o gosto pela verdadeira formação humanista inquietata-o profundamente. Também aos 44 anos, mais não lhe resta do que subscrever as sábias palavras de um seu professor: Acha que o tempo após os 30 anos se começa a contar como um usurário acaricia as moedas. Do espaço resta-lhe o gosto pelo mar, pelas ruas acariciantes da Foz Velha. Da Vida acredita nos Amigos poucos, no prazer que cresce em certas horas de Silêncio, no olhar denso e puro de um cão que se encontra no Acaso dos dias. Ganha a vida com professor. De Filosofia. É também o sítio onde mais a gasta.

Jorge António Caetano dos Santos
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