Apresentação

Maria Bouça
Uma Defesa do Necessário A Posteriori, de Maria Bouça
Supervisão de João Branquinho
Dissertação de Mestrado
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Lisboa, 1999, 126 pp. (34 000 palavras)
Puxar

Esta dissertação tem como objectivo defender a existência de verdades necessárias a posteriori, isto é, argumentar a favor da tese kripkeana segundo a qual há verdades necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas, e, consequentemente, refutar a tese tradicional, a qual identifica o necessário e o a priori.

Começo por apresentar e discutir certas noções filosóficas, nomeadamente as de identidade transmundial, propriedade essencial (acidental), e designação rígida, as quais constituem parte do aparato conceptual no âmbito do qual a tese kripkeana do necessário a posteriori é formulada. Argumento, em seguida, a favor da plausibilidade da tese kripkeana, mostrando que ela é susceptível de duas versões que designarei por versão fraca e versão forte: defender que a categoria do necessário a posteriori não é vazia (tese kripkeana não qualificada), é não só defender que existem proposições necessárias que só empiricamente podem ser conhecidas (versão fraca), mas também que só empiricamente podem ser conhecidas como necessárias (versão forte). O reconhecimento da distinção tradicional entre o domínio alético e epistemológico de uma proposição, e da distinção, nem sempre claramente estabelecida, entre o conhecimento do valor de verdade, do estatuto modal específico e do estatuto modal geral de uma proposição necessária, permite mostrar a plausibilidade das duas versões da tese kripkeana e refutar as respectivas versões da tese tradicional.

A defesa da tese kripkeana passará, por fim, pela discussão de três tipos de casos do necessário a posteriori onde serão delineados os argumentos a favor e as objecções contra cada um deles.

A autora terminou o Bacharelato em Filosofia no ano lectivo de 1973/74, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e concluiu a Licenciatura em 1977/78 na Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica Portuguesa. Regressou à Faculdade de Letras de Lisboa, tendo concluído, com a defesa da respectiva tese, o Mestrado em Filosofia da Linguagem e da Consciência, em Fevereiro de 2000. Iniciou a sua actividade profissional como professora de Filosofia do ensino secundário no ano lectivo de 1975/76 na Escola Secundária Sarmento Guimarães, em Guimarães. Nos anos lectivos de 1983/84 e 1984/85 realizou a Profissionalização em Exercício na Escola Secundária Padre Alberto Neto (Queluz). Permanece, desde 1986/87, nessa escola, a leccionar a disciplina de Filosofia do 12.º ano via de ensino (em extinção) e, simultaneamente, desde 1998/99, o novo ensino recorrente por unidades capitalizáveis.

Maria Bouça
Termos de utilização ⋅ Não reproduza sem citar a fonte