Abril de 2003 ⋅ Teses de filosofia

Apresentação

André Joffily Abath
Linguagem e Pensamento: da Herança Behaviorista a um Ponto de Vista Inatista, de André Joffily Abath
Supervisão de António Zilhão
Dissertação de Mestrado
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Lisboa, 2002, 134 pp. (39 000 palavras)
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Durante as décadas de 50 e 60 do século passado, o debate entre behaviorismo e inatismo esteve no centro das atenções tanto na comunidade científica como na filosófica. Hoje, este debate é tido como encerrado. Acredita-se que o inatismo venceu a diputa, tornando-se a corrente dominante no estudo da mente e da linguagem, e que o behaviorismo caiu no esquecimento. Mas as coisas não são tão simples. Embora seja verdade que ninguém mais busca explicar o comportamento humano, e o verbal incluído, ignorando por completo aquilo que é interior ao organismo, como queriam os behavioristas mais radicais, há aspectos do programa behaviorista que permanecem vivos. A teoria behaviorista do aprendizado de uma primeira língua, por exemplo, ainda encontra seus defensores. Nesta dissertação, busco mostrar que entre estes está Donald Davidson. Em sua obra, esta teoria, herdada de Skinner e Quine, ressurge como um caso do que ele chama de "triangulação". E mais do que recuperar esta teoria, Davidson a tomará como base para pôr de pé um argumento em favor da dependência do pensamento em relação à linguagem. O objectivo negativo desta dissertação é mostrar que a triangulação proposta por Davidson, ou seja, a teoria behaviorista do aprendizado de uma primeira língua, é empiricamente falsa, e que neste caso seu argumento acerca da relação entre linguagem e pensamento não pode ser sustentado.

Sendo assim, se quisermos dizer algo acerca desta relação, precisamos abordá-la de uma outra forma. O caminho mais adequado, embora não o mais curto, de fazê-lo é apresentar uma teoria da linguagem e do pensamento, e considerar as relações entre ambos à luz desta teoria. Chegar ao fim deste caminho é o objectivo positivo desta dissertação. Defenderei que a melhor teoria disponível acerca da linguagem encontra-se em Chomsky, e que nela é possível encontrar as bases para a formulação de uma teoria do pensamento. Esboçarei a construção de uma tal teoria. Com uma teoria da linguagem e do pensamento em mãos, temos tudo o que precisamos para considerar a relação entre estes dois fenómenos. Por fim, defenderei que a linguagem não é condição necessária para o pensamento.

André Joffily Abath é Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (Brasil), Bacharel em Comunicação Social por esta mesma universidade e Mestre em Filosofia da Linguagem e da Consciência pela Universidade de Lisboa.

André Joffily Abath
aabath@bol.com.br
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