Teses de filosofia

Apresentação

João Marcos de Almeida
Semânticas de Traduções Possíveis, de João Marcos de Almeida
Supervisão de Walter Alexandre Carnielli
Dissertação de Mestrado
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Campinas, 1999, xxviii + 240 pp. (75 000 palavras)
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A lógica começa pela linguagem. Após determinar quais construções gramaticais fazem sentido, é de se supor que a elas se atribuam significados, esclarecendo por exemplo quais sentenças são verdadeiras e quais não. Ao traduzir uma linguagem em outra deve-se esforçar por preservar na linguagem para a qual se traduz não apenas o significado dos elementos da linguagem que se está traduzindo, mas também a coerência e a própria mensagem de todo o discurso no qual estes elementos se inserem. De maneira similar, ao traduzir uma lógica em outra deve-se preservar não apenas o significado de suas fórmulas mas toda cadeia de raciocínio, ou de inferência, na qual estas fórmulas estejam envolvidas. Em geral, numa tradução entre duas lógicas deve-se preservar a "relação de consequência" característica da lógica original.

Suponhamos agora que nos seja apresentado um texto escrito numa linguagem da qual não entendemos patavina. Mas suponhamos ainda que dispomos de uma "Pedra de Rosetta" contendo este mesmo texto reescrito em várias outras linguagens que nos são conhecidas. Podemos então usar estas traduções do texto original para tentar entendê-lo, atribuindo-lhe finalmente uma significação. Assim funcionam as "semânticas de traduções possíveis", pelas quais lógicas complexas, não inteiramente conhecidas, ganham uma interpretação por meio de suas diversas traduções em lógicas mais simples, conhecidas. Por outro lado, dado um grupo de agentes inteligentes que raciocinam cada qual de seu modo peculiar mesmo quando expostos às mesmas informações — o que ocorre por exemplo em ambientes distribuídos na computação e na inteligência artificial — podemos agora entendê-los como casos particulares de traduções e de alguma forma falar sobre a lógica que move simultaneamente a todos eles, a lógica de sua sociedade.

Nascido em 1974 no interior do Brasil, João Marcos nem sempre é esta pessoa agitada, ativa, que parece querer se multiplicar e pretende tornar-se ubíquo, factótum. Na verdade ele guarda outro por dentro — que tudo observa, meneando a cabeça, como a dizer que não — um outro que é uma de suas traduções possíveis, num mundo possível, com uma personalidade bem tranquila, equilibrada, mesmo que não-'standard'; só não sabe dizer onde este outro se esconde toda vez que procura por ele. Graduado em Engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1996, completou seu mestrado em Lógica e Filosofia da Ciência em 1999 pela Unicamp, e persegue agora o doutorado em Filosofia pela mesma instituição, embora provavelmente o fato de você o procurar por lá implique que você porventura não o encontrará. Participou da organização do II World Congress on Paraconsistency, e tem circunstancialmente contribuído ao estudo da paraconsistência — mas não se deve esperar que ele se contradiga a todo momento por esta razão. João Marcos não acredita em muita coisa, e persegue peripateticamente a beleza e a arte. Ao menos quando tem tempo.

João Marcos de Almeida
vegetal@cle.unicamp.br
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