Guitarra e Pauta, de Juan Gris (1926-1927)
20 de Dezembro de 2005 ⋅ Teses de filosofia

Apresentação

Aires Almeida
O Valor Cognitivo da Arte, de Aires Almeida
Supervisão de João Branquinho
Dissertação de Mestrado
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Lisboa, 2005, 129 pp. (44 825 palavras)
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Que a arte tem valor é algo que ninguém contesta seriamente. Mas o que faz a arte ter valor? Formalismo, hedonismo e instrumentalismo estético são algumas das principais teorias candidatas a explicar o valor da arte. O formalismo defende que as obras de arte têm valor intrínseco e que este é independente de quaisquer aspectos extra-artísticos. O hedonismo defende que a arte tem valor porque é um meio para obter prazer. O instrumentalismo estético defende que a arte é valiosa porque nos proporciona experiências estéticas compensadoras. Por diferentes razões, nenhuma destas teorias do valor responde satisfatoriamente ao problema. Uma alternativa mais credível é o cognitivismo, de acordo com o qual a arte proporciona conhecimento, sendo esse conhecimento que justifica o valor da arte qua arte. Nesse sentido, argumenta-se que as obras de arte, incluindo muitas obras de música instrumental não programática, são objectos intencionais. Intencionalidade que decorre das suas propriedades expressivas e representacionais, sendo a música instrumental capaz de exprimir e também de representar emoções. Assim, o conhecimento proporcionado por muitas obras de música instrumental é um conhecimento experiencial do nosso repertório emocional e decorre das propriedades estéticas das obras musicais. Conclui-se, mostrando, por um lado, que o cognitivismo estético não está comprometido com a ideia de que todas as obras de arte têm valor cognitivo — mas apenas com a tese de que as obras de arte paradigmáticas têm, tipicamente, valor cognitivo — e, por outro lado, que também não está comprometido com qualquer teoria normativa da arte.

Aires Almeida (aires.almeida@netcabo.pt) é professor na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, em Portimão. É licenciado e mestre em Filosofia pela Universidade de Lisboa. Organizador e co-autor de Dicionário Escolar de Filosofia (Plátano, 2003), é co-autor de Renovar o Ensino da Filosofia (Gradiva, 2003), A Arte de Pensar: Manual de Filosofia (10.° e 11.° ano) (Didáctica Editora, 2003 e 2004) e de A Avaliação das Aprendizagens em Filosofia (Ministério da Educação, 2002). Membro do Centro para o Ensino da Filosofia da Sociedade Portuguesa de Filosofia.
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