Dicionário de Filosofia
26 de Setembro de 2010 ⋅ Filosofia

Com o estudante em mente

Dicionário de Filosofia, dir. de Thomas Mautner
Direcção da edição portuguesa de Desidério Murcho
Tradução de Vítor Guerreiro, Sérgio Miranda e Desidério Murcho
Lisboa: Edições 70, 2010, 784 pp.
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Este é um dos mais completos dicionários de filosofia em língua portuguesa, e certamente um dos mais úteis para estudantes, professores e outras pessoas interessadas em filosofia. De enorme abrangência e com artigos de fundo bastante completos, além dos artigos curtos sobre temas ou autores não tão centrais, é sempre informativo e preciso. Mas o que o distingue de outros dicionários aproximadamente da mesma dimensão é ter em conta as dificuldades de quem é novo na filosofia, ao mesmo tempo que oferece informações interessantes mesmo para quem já conhece bem a área.

Inclui interessantes e por vezes surpreendentes auto-retratos filosóficos, nos quais alguns dos mais importantes filósofos contemporâneos se apresentam a si mesmos:

  • David Armstrong
  • Sir Isaiah Berlin
  • Simon Blackburn
  • Harry Frankfurt
  • R. M. Hare
  • Frank Jackson
  • Alasdair MacIntyre
  • John Passmore
  • Hilary Putnam
  • W. V. O. Quine
  • Richard Rorty
  • John Searle
  • Peter Singer
  • J. J. C. Smart

Inclui ainda ajuda fonética, para quem não sabe como se pronunciam alguns nomes estrangeiros mais exóticos, assim como o alfabeto grego, os símbolos da lógica e uma bibliografia actualizada. A presente edição foi adaptada e por vezes ligeiramente corrigida, com a anuência de Thomas Mautner, para os leitores de língua portuguesa.

A título de exemplo, eis alguns artigos deste dicionário:

Prefácio

A filosofia é fascinante, mas o seu estudo não é isento de problemas: surgem termos cuja origem ou significado é obscuro; surge menção a nomes desconhecidos; e até a pronúncia pode ser um enigma em alguns casos. Este dicionário visa ajudar a resolver problemas deste género, que os leitores de textos filosóficos enfrentam frequentemente.

O dicionário contém verbetes sobre um vasto número de pensadores, nos quais se apresenta as suas posições. Uma característica especial são os auto-retratos de filósofos contemporâneos eminentes: David Armstrong, Sir Isaiah Berlin, Simon Blackburn, Harry Frankfurt, R. M. Hare, Frank Jackson, Alasdair MacIntyre, John Passmore, Hilary Putnam, W. V. O. Quine, Richard Rorty, John Searle, Peter Singer e J. J. C. Smart.

Muitos verbetes explicam o vocabulário usado na filosofia. Destes, muitos indicam também a origem de palavras e elementos lexicais. Se a origem de palavras de aparência misteriosa for revelada, estas perdem algum do seu deslumbramento exótico, mas em contrapartida fazem mais sentido. O objectivo é desmistificar expressões que soam estranhas devido à sua origem estrangeira — habitualmente o grego, que no início era a língua da filosofia, ou o latim, posterior. Quando o uso destas línguas entre os letrados começou a declinar por volta dos finais do século XVII, a maior parte da terminologia filosófica então em uso foi importada destas línguas, sendo que desde então a necessidade, real ou imaginária, de uma nova palavra ou expressão foi habitualmente suprida recorrendo-se ao grego e ao latim. Para mencionar alguns exemplos, de entre muitas centenas, "idealismo" foi uma palavra criada no século XVIII, "agnosticismo" no século XIX, "frástico" no século XX. Na verdade, a prática de criar novos termos técnicos a partir de raízes gregas ou latinas está em ascensão.

Os filósofos e os conceitos que pertencem a tradições de pensamento não ocidentais ultrapassam o âmbito deste dicionário. Dada a enorme diversidade e riqueza das tradições indianas e chinesa, entre outras, a tentativa de as abranger seria uma presunção vã. Para essa tarefa, é necessária uma competência própria e outro dicionário.

As fronteiras da filosofia não têm definição clara, fornecendo este dicionário informação que está na periferia da filosofia, ou além dela, especialmente termos que têm vários significados, só alguns deles filosóficos. Um exemplo, entre muitos, é o funcionalismo. Inclui-se também algumas palavras que pertencem a campos adjacentes da filosofia, como a gramática ou a retórica. Não seria proveitoso excluí-las porque nem sempre é fácil o leitor determinar se uma palavra desconhecida que ocorre num texto filosófico é um termo técnico da filosofia ou de uma área adjacente.

Oferece-se também explicações para expressões como ceteris paribus, de jure, ipso facto, non sequitur, etc., que, apesar de não fazerem parte do vocabulário de qualquer disciplina em particular, ocorrem com bastante frequência no discurso filosófico.

A informação sobre a pronúncia de palavras e nomes foi bem recebida por muitos leitores. Em alguns casos, há pronúncias portuguesas “erradas” mais ou menos comuns, como é o caso de Berkeley ou Kierkegaard, mas indica-se apenas as pronúncias correctas das línguas originais em causa. Trata-se apenas de dar informação. É normal que no discurso comum em língua portuguesa as palavras ou nomes sejam pronunciadas de maneira diferente, em função dos padrões fonéticos da língua.

Autores

  • Alan Musgrave
    Universidade de Otago, Dunedin
  • Alasdair MacIntyre
    Universidade de Notre Dame
  • Alan Ryan
    New College, Oxford
  • Alan White
    Universidade de Hull
  • Brenda Almond
    Universidade de Hull
  • Barry Brundell
    Universidade de New South Wales
  • Bruin Christensen
    Universidade Nacional da Austrália
  • Brian Garrett
    Universidade Nacional da Austrália
  • Bernard Harrison
    Universidade de Utah
  • Barry Hindess
    Universidade Nacional da Austrália
  • Bill Readings
    Universidade de Montreal
  • Colin Cheyne
    Universidade de Otago, Dunedin
  • Chris Falzon
    Universidade Nacional da Austrália
  • Carl Huffman
    Universidade de DePauw
  • Chandran Kukathas
    Universidade de New South Wales
  • Charles Reagan
    Universidade Estadual do Kansas
  • David Armstrong
    Universidade de Sydney
  • David Bennett
    Academia Australiana de Humanidades
  • David Braddon-Mitchell
    Universidade de Auckland
  • Daniel Graham
    Universidade Brigham Young
  • Dominic Hyde
    Universidade de Queensland
  • Desidério Murcho
    Universidade Federal de Ouro Preto
  • David Pears
    Christ Church, Oxford
  • Dag Prawitz
    Universidade de Estocolmo
  • Daniel Stoljar
    Universidade Nacional da Austrália
  • Edwin Curley
    Universidade de Michigan
  • Frank Jackson
    Universidade Nacional da Austrália
  • Fiona Jenkins
    Universidade Nacional da Austrália
  • Gregory Currie
    Universidade de Flinders
  • George Hughes
    Universidade de Victoria, Wellington
  • Göran Sundholm
    Universidade de Leiden
  • Godfrey Tanner
    Universidade de Newcastle, New South Wales
  • Graham White
    Clare Hall, Cambridge
  • Hans Burkhart
    Universidade de Erlangen
  • Harry Frankfurt
    Universidade de Princeton
  • Hilary Putnam
    Universidade de Harvard
  • Harold Tarrant
    Universidade de Newcastle, New South Wales
  • Sir Isaiah Berlin
    All Souls, Oxford
  • Iseult Honohan
    University College, Dublin
  • Judith Armstrong
    Universidade de Melbourne
  • John Bishop
    Universidade de Auckland
  • Jack Copeland
    Universidade de Canterbury, Christchurch
  • John Cottingham
    Universidade de Reading
  • John Haldane
    Universidade de St. Andrews
  • John Kilcullen
    Universidade de Macquarie, Sydney
  • John Lechte
    Universidade de Macquarie, Sydney
  • Jacqueline Laing
    Universidade Metropolitana de Londres
  • John Marenbon
    Trinity College, Cambridge
  • John Passmore
    Universidade Nacional da Austrália
  • Jennifer Rutherford
    Universidade Nacional da Austrália
  • John Searle
    Universidade da Califórnia, Berkeley
  • Jeremy Shearmur
    Universidade Nacional da Austrália
  • J. J. C. Smart
    Universidade Nacional da Austrália
  • James Tiles
    Universidade do Havai
  • Kai Börge Hansen
    Universidade de Uppsala
  • Keith Campbell
    Universidade de Sydney
  • Knud Haakonsen
    Universidade de Boston
  • Kathleen Higgins
    Universidade do Texas, Austin
  • Karis Muller
    Universidade Nacional da Austrália
  • Kevin Wilkinson
    Universidade Nacional da Austrália
  • Michael Inwood
    Trinity College, Oxford
  • Manfred Kuehn
    Universidade de Purdue
  • M. A. Stewart
    Universidade de Lancaster
  • Nicholas Smith
    Universidade de Macquarie
  • Natalie Stoljar
    Universidade Nacional da Austrália
  • Peter Eldridge-Smith
    Universidade Nacional da Austrália
  • Peter Lamarque
    Universidade de Hull
  • Paul Patton
    Universidade de Sydney
  • Peter Röper
    Universidade Nacional da Austrália
  • Peter Singer
    Universidade de Princeton
  • Paul Thom
    Universidade Nacional da Austrália
  • Pavel Tichý
    Universidade de Otago, Dunedin
  • Quentin Gibson
    Universidade Nacional da Austrália
  • Robert Barnes
    Universidade Nacional da Austrália
  • Richard Campbell
    Universidade de Sydney
  • Roderick M. Chisholm
    Universidade de Brown
  • Roland Hall
    Universidade de Iorque
  • R. M. Hare
    Universidade da Florida
  • Richard Popkin
    Universidade de Washington, St. Louis; Universidade da Califórnia, Los Angeles
  • Ruth Anna Putnam
    Wellesley College
  • Richard Rorty
    Universidade de Virginia
  • Robin Small
    Universidade de Auckland
  • Robert Solomon
    Universidade do Texas, Austin
  • Richard Sylvan
    Universidade Nacional da Austrália
  • Robert Wokler
    Universidade de Manchester
  • Simon Blackburn
    Trinity College, Cambridge
  • Sven Ove Hansson
    Instituto Real de Tecnologia, Estocolmo
  • Susan Tridgell
    Universidade Nacional da Austrália
  • Tim Clark
    Universidade de Durham
  • Terence Penelhum
    Universidade de Calgary
  • Tom Sorell
    Universidade de Essex
  • Timothy Sprigge
    Universidade de Edimburgo
  • Tim van Gelder
    Universidade de Indiana, Bloomington
  • Udo Thiel
    Universidade Nacional da Austrália
  • William Grey
    Universidade de Queensland
  • Willard v. O. Quine
    Universidade de Harvard
  • Yvonne Parrey
    Universidade Nacional da Austrália
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