Com o estudante em mente
Direcção da edição portuguesa de Desidério Murcho
Tradução de Vítor Guerreiro, Sérgio Miranda e Desidério Murcho
Lisboa: Edições 70, 2010, 784 pp.
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Este é um dos mais completos dicionários de filosofia em língua portuguesa, e certamente um dos mais úteis para estudantes, professores e outras pessoas interessadas em filosofia. De enorme abrangência e com artigos de fundo bastante completos, além dos artigos curtos sobre temas ou autores não tão centrais, é sempre informativo e preciso. Mas o que o distingue de outros dicionários aproximadamente da mesma dimensão é ter em conta as dificuldades de quem é novo na filosofia, ao mesmo tempo que oferece informações interessantes mesmo para quem já conhece bem a área.
Inclui interessantes e por vezes surpreendentes auto-retratos filosóficos, nos quais alguns dos mais importantes filósofos contemporâneos se apresentam a si mesmos:
- David Armstrong
- Sir Isaiah Berlin
- Simon Blackburn
- Harry Frankfurt
- R. M. Hare
- Frank Jackson
- Alasdair MacIntyre
- John Passmore
- Hilary Putnam
- W. V. O. Quine
- Richard Rorty
- John Searle
- Peter Singer
- J. J. C. Smart
Inclui ainda ajuda fonética, para quem não sabe como se pronunciam alguns nomes estrangeiros mais exóticos, assim como o alfabeto grego, os símbolos da lógica e uma bibliografia actualizada. A presente edição foi adaptada e por vezes ligeiramente corrigida, com a anuência de Thomas Mautner, para os leitores de língua portuguesa.
A título de exemplo, eis alguns artigos deste dicionário:
- Alexius Meinong
- Ética
- Existencialismo
- Michel Foucault
- Guilherme de Ockham
- Hermenêutica
- John R. Searle
- Sobreveniência
- William James
Prefácio
A filosofia é fascinante, mas o seu estudo não é isento de problemas: surgem termos cuja origem ou significado é obscuro; surge menção a nomes desconhecidos; e até a pronúncia pode ser um enigma em alguns casos. Este dicionário visa ajudar a resolver problemas deste género, que os leitores de textos filosóficos enfrentam frequentemente.
O dicionário contém verbetes sobre um vasto número de pensadores, nos quais se apresenta as suas posições. Uma característica especial são os auto-retratos de filósofos contemporâneos eminentes: David Armstrong, Sir Isaiah Berlin, Simon Blackburn, Harry Frankfurt, R. M. Hare, Frank Jackson, Alasdair MacIntyre, John Passmore, Hilary Putnam, W. V. O. Quine, Richard Rorty, John Searle, Peter Singer e J. J. C. Smart.
Muitos verbetes explicam o vocabulário usado na filosofia. Destes, muitos indicam também a origem de palavras e elementos lexicais. Se a origem de palavras de aparência misteriosa for revelada, estas perdem algum do seu deslumbramento exótico, mas em contrapartida fazem mais sentido. O objectivo é desmistificar expressões que soam estranhas devido à sua origem estrangeira — habitualmente o grego, que no início era a língua da filosofia, ou o latim, posterior. Quando o uso destas línguas entre os letrados começou a declinar por volta dos finais do século XVII, a maior parte da terminologia filosófica então em uso foi importada destas línguas, sendo que desde então a necessidade, real ou imaginária, de uma nova palavra ou expressão foi habitualmente suprida recorrendo-se ao grego e ao latim. Para mencionar alguns exemplos, de entre muitas centenas, "idealismo" foi uma palavra criada no século XVIII, "agnosticismo" no século XIX, "frástico" no século XX. Na verdade, a prática de criar novos termos técnicos a partir de raízes gregas ou latinas está em ascensão.
Os filósofos e os conceitos que pertencem a tradições de pensamento não ocidentais ultrapassam o âmbito deste dicionário. Dada a enorme diversidade e riqueza das tradições indianas e chinesa, entre outras, a tentativa de as abranger seria uma presunção vã. Para essa tarefa, é necessária uma competência própria e outro dicionário.
As fronteiras da filosofia não têm definição clara, fornecendo este dicionário informação que está na periferia da filosofia, ou além dela, especialmente termos que têm vários significados, só alguns deles filosóficos. Um exemplo, entre muitos, é o funcionalismo. Inclui-se também algumas palavras que pertencem a campos adjacentes da filosofia, como a gramática ou a retórica. Não seria proveitoso excluí-las porque nem sempre é fácil o leitor determinar se uma palavra desconhecida que ocorre num texto filosófico é um termo técnico da filosofia ou de uma área adjacente.
Oferece-se também explicações para expressões como ceteris paribus, de jure, ipso facto, non sequitur, etc., que, apesar de não fazerem parte do vocabulário de qualquer disciplina em particular, ocorrem com bastante frequência no discurso filosófico.
A informação sobre a pronúncia de palavras e nomes foi bem recebida por muitos leitores. Em alguns casos, há pronúncias portuguesas “erradas” mais ou menos comuns, como é o caso de Berkeley ou Kierkegaard, mas indica-se apenas as pronúncias correctas das línguas originais em causa. Trata-se apenas de dar informação. É normal que no discurso comum em língua portuguesa as palavras ou nomes sejam pronunciadas de maneira diferente, em função dos padrões fonéticos da língua.
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