criticanarede.com · ISSN 1749‑8457
Crítica

30 de Dezembro de 2008

George Orwell
George Orwell

Orwell e a liberdade, de Maria Filomena Mónica

No fim de 1936, Orwell alistou-se, em Barcelona, num batalhão anarquista, o POUM, a fim de lutar contra as tropas de Franco. Foi a partir desta experiência que escreveu outra obra excepcional, a Homenagem à Catalunha. Ao assistir à denúncia de companheiros seus feitas pelos comunistas ao inimigo franquista, percebeu que jamais se devia, podia, pactuar com eles. Muito antes de H. Arendt, Orwell anunciou as semelhanças entre o estalinismo e o nazismo.

29 de Dezembro de 2008

Fundamentals of Philosophy

O que é a filosofia?, de John ShandAcesso gratuito

Há uma anedota recorrente entre muitos filósofos profissionais, que envolve um deles a ser encurralado durante uma festa por alguém que ao saber que se trata de um filósofo lhe pergunta: "Bom, o que é então a filosofia?" A piada reflecte na verdade o desconforto de muitos filósofos e a desconfortante consciência de não serem capazes de dar uma resposta directa e clara.

28 de Dezembro de 2008

Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia

Rui Daniel Cunha: Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia, de Ludwig Wittgenstein

Quando iniciei a licenciatura em Filosofia, em meados dos anos 80, não existia em Portugal — sinal do nosso atraso filosófico — uma única obra de Wittgenstein traduzida para a nossa língua (embora no Brasil, honra lhe seja feita, já existissem algumas edições). Foi a Fundação Gulbenkian quem quebrou esta lamentável situação e inaugurou as traduções portuguesas de Wittgenstein, com a publicação do Tractatus e das Investigações Filosóficas, mesmo no final de 1987, e é desta mesma editora que nos surge agora, em edição modelar, os Últimos Escritos sobre a Filosofia da Psicologia.

28 de Novembro de 2008

Filosofia

Indução e filosofia da ciência, de Stephen Law

A filosofia da ciência é uma das mais velhas subdivisões da filosofia, remontando pelo menos a Aristóteles. Está hoje em rápido crescimento, uma vez que os grandes avanços científicos do último século têm levado os filósofos a pensar mais cuidadosamente sobre a ciência. Estes filósofos poderão vir a influenciar o futuro da ciência.

23 de Novembro de 2008

Epicteto: Testemunhos e Fragmentos

Joelson Santos Nascimento: Epicteto, Testemunhos e Fragmentos

Mais uma vez o Grupo de Pesquisa em Filosofia Clássica e Helenística, Viva Vox (DFL/UFS), agora em parceria com o Mnemosyne (DHI/UFS), Grupo de Estudos de História Intelectual e das Idéias, traz à baila o filósofo romano Epicteto. Após a tradução do Manual de Epicteto, temos a tradução bilíngüe (em grego, latim e em português do Brasil) dos fragmentos epictetianos apresentada neste opúsculo, organizado por Aldo Dinucci, doutor em filosofia clássica pela PUC-RJ e professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe, e Alfredo Julien, doutor em História pela USP e professor adjunto do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

18 de Novembro de 2008

O Músico no Violino, Henri Masson

A natureza da filosofia e o seu ensino, de Desidério MurchoAcesso gratuito

Neste artigo defende-se duas idéias principais. Primeiro, que compreender a natureza aberta e especulativa da filosofia é uma condição necessária para uma compreensão fecunda do seu ensino. E segundo, que para se ter uma compreensão fecunda do ensino da filosofia é necessário distinguir cuidadosamente as competências estritamente filosóficas da informação histórica, e a leitura filosófica ativa dos textos dos filósofos da sua mera compreensão.

17 de Novembro de 2008

Por Que Escrevo e Outros Ensaios

Mário Santos: Por Que Escrevo e Outros Ensaios, de George Orwell

George Orwell (1903-1950) é fundamentalmente recordado como autor de duas famosas alegorias políticas do século XX: os romances Mil Novecentos e Oitenta e Quatro e A Quinta dos Animais. Mas foi também um fértil ensaísta (acolhendo aqui esta designação os mais variegados artigos jornalísticos). Foi sobretudo um comprometido publicista (como antigamente se dizia). Essa qualidade é evidente no volume que a editora Antígona acaba de publicar.

27 de Outubro de 2008

Jean-Paul Sartre
Jean-Paul Sartre

Sartre e o anti-semitismo, de George Orwell

O anti-semitismo é obviamente um assunto que precisa de ser seriamente estudado, mas parece improvável que o venha a ser nos próximos tempos. O problema é que enquanto o anti-semitismo for encarado simplesmente como uma aberração vergonhosa, quase um crime, qualquer pessoa suficientemente literata para ter ouvido a palavra irá obviamente declarar-se-lhe imune; e em resultado disso, livros sobre o anti-semitismo tendem a ser meros exercícios de tirar argueiros dos olhos dos outros. O livro de Monsieur Sartre [Portrait of the Anti-Semite, trad. ingl. de Erik de Mauny] não é excepção, e nada ganhou provavelmente por ter sido escrito em 1944, no período de embaraço, autodesculpabilização e caça às bruxas que se seguiu à Libertação.

25 de Outubro de 2008

The Cult of Information: A Neo-Luddite Treatise on High Tech, Artificial Intelligence and the True Art of Thinking

Insight e cognição, de Theodore Roszak

Se há uma arte de pensar que quereríamos ensinar aos jovens, tem muito a ver com isto — mostrar como a mente se pode mover ao longo do espectro da informação, discriminando generalizações súbitas de pressentimentos, hipóteses de preconceitos irreflectidos. Para o nosso propósito, contudo, quero mover-me para o extremo do espectro, para o ponto limite em que os factos, cada vez mais rarefeitos, desaparecem por fim completamente. O que encontramos quando ultrapassamos tal ponto e entramos na zona em que os factos estão totalmente ausentes?

22 de Outubro de 2008

Introdução à Estética

Desidério Murcho: Introdução à Estética, de George Dickie

A filosofia da arte é provavelmente a disciplina da filosofia que conheceu um desenvolvimento mais exuberante nos últimos cinquenta anos. Apesar de todas as disciplinas da filosofia terem conhecido um desenvolvimento imenso no mesmo período, nota-se mais no caso da filosofia da arte precisamente porque era uma área pouquíssimo cultivada até muito recentemente. O mesmo se pode dizer da estética. Esta última aborda problemas que ultrapassam o âmbito da filosofia da arte, como a natureza e valor da beleza em geral (e não apenas artística) e do juízo estético em geral (e não apenas o juízo estético sobre as artes).

13 de Outubro de 2008

A Estrutura das Revoluções Científicas

Eduardo Dayrell: A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas S. Kuhn

A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas Samuel Kuhn (1922–1996), é uma das obras mais influentes em filosofia da ciência; menos pela solidez de seus argumentos do que pelo elevado número de divergências e debates que tem causado. Originalmente publicado em 1962 e traduzido para mais de vinte línguas, este livro constitui uma das principais fontes de argumentos para quem defende o relativismo epistêmico e científico. Opõe-se, principalmente, ao conjunto de crenças compartilhadas pelos filósofos do Círculo de Viena e seus sucessores. Sobretudo, o debate com Karl Popper (1902–1994) e Imre Lakatos (1922–1974) foi intenso.

11 de Outubro de 2008

Ronald Dworkin
Ronald Dworkin

Dworkin em português, de Matheus Silva

Ronald Dworkin é um dos filósofos do direito mais importantes da atualidade. É conhecido principalmente por sua crítica à Jurisprudência Positivista, que trata o direito como um conjunto de regras passíveis de análise independentemente da moralidade. Dworkin argumenta que isto é um engano, pois a distinção entre fatos e valores no domínio legal, entre o que o direito é de fato e o que o direito deveria ser, é mais imprecisa do que a Jurisprudência Positivista supõe. Deste modo torna-se impossível determinar o que o direito é em casos particulares sem recorrer a considerações morais e políticas sobre o que deve ser. Além disso, Dworkin sustenta que as decisões jurídicas adequadas se baseiam na melhor interpretação moral possível das práticas em vigor em uma determinada comunidade.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

O Jovem Stálin

Weber Lima: O Jovem Stálin, de Simon Sebag Montefiore

Muito do que se pensou e ainda se pensa sobre Ióssif Stálin deve-se aos escritos de Trotsky — um rival do ex-ditador soviético desde que se conheceram pela primeira vez. Mas Trotsky era presunçoso, arrogante e não menos vaidoso do que Stálin e por isso descreveu seu opositor de maneira superficial a fim de desvalorizá-lo.

24 de Setembro de 2008

Filosofia Antiga

Desidério Murcho: Filosofia Antiga, de Anthony Kenny

Este é o primeiro volume, dedicado à filosofia antiga, da nova história da filosofia da Oxford em quatro volumes, agora publicada pela Loyola no Brasil, e que será em breve publicada pela Gradiva, em Portugal. A Loyola anuncia para breve o segundo volume; os restantes dois ainda não estão publicados. O livro é excelente, inovador, maximamente informativo e de leitura agradável. Sendo escrito por um único historiador e filósofo, oferece uma unidade que outras histórias da filosofia não têm.

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Ethics: Inventing Right and Wrong

A subjetividade dos valores, de J. L. Mackie

Não há valores objetivos. Essa é a crua enunciação da tese deste capítulo. Não obstante, antes de argumentar em sua defesa, tentarei esclarecê-la e restringi-la de maneiras que possam enfrentar certas objeções e evitar alguns mal-entendidos.

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Nelson Goodman
Nelson Goodman

O novo enigma da indução, de Nelson Goodman

Ao terminar a conferência anterior, afirmei que iria hoje examinar como estão as coisas no que diz respeito ao problema da indução. Numa palavra: penso que estão mal. Mas as dificuldades reais com que nos confrontamos actualmente não são as tradicionais. Aquele que é normalmente entendido como o Problema da Indução está resolvido, ou dissolvido; e enfrentamos novos problemas que ainda não estão amplamente compreendidos. Para abordá-los, terei de passar o mais rapidamente possível por algum terreno conhecido.

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Henry Sidgwick
Henry Sidgwick

Liberdade e justiça distributiva, de Henry Sidgwick

Segundo alguns pensadores influentes, no entanto, há um modo de sistematizar estes direitos e de os colocar sob um único princípio. Embora a sua perspectiva talvez seja hoje um pouco antiquada, é ainda suficientemente corrente para merecer um exame cuidado. Defendeu-se que a liberdade como ausência de interferências é, na verdade, tudo o que cada ser humano, originalmente e à margem de contratos, deve estritamente aos outros; pelo menos, que a protecção desta liberdade (incluindo a imposição do cumprimento dos contratos livres) é o único fim apropriado da lei, isto é, daquelas regras de comportamento mútuo que são sustentadas por penas infligidas sob a autoridade do governo. Segundo esta perspectiva, podemos resumir todos os direitos naturais no direito à liberdade, pelo que a implementação completa e universal deste direito seria a realização completa da justiça — a igualdade que se supõe a justiça ter em vista seria interpretada assim como uma igualdade de liberdade.

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