Proposições e frases eternas
W. v. O. QuineNo capítulo anterior prevaleceu um certo ar de inovação, mas apenas o mais diáfano. Mostrou-se maneiras de parafrasear frases para ganhar clareza de estrutura e economia de construções com pouco ou nenhum custo exceto a brevidade e familiaridade da expressão. As paráfrases foram feitas de maneira a responder à maior parte ou a todos os propósitos prováveis em função dos quais as frases originais podem ser usadas...
Música
Robert SharpeEmbora possamos encontrar escritos filosóficos sobre música que remontam a Platão e Aristóteles, e a discussão por parte de filósofos que não se situam na tradição analítica, como Schopenhauer, Adorno e Nietzsche, os problemas filosóficos que hoje identificamos como aqueles que abrangem a estética da música tiveram pela primeira vez um tratamento clássico com o crítico vienense Eduard Hanslick. Embora o seu tratamento não seja sempre lúcido, e continue a ser objecto de debate o que Hanslick queria dizer, parece razoavelmente claro que o seu alvo primário era uma concepção romântica...
A sujeição das mulheres, de John Stuart Mill
Fernanda Belo GontijoJohn Stuart Mill (1806-1873) foi um defensor dos direitos liberais e um homem preocupado com o bem-estar individual e social da humanidade. Suas idéias utilitaristas a favor da maximização do bem-estar deram-lhe destaque no meio filosófico e político. Em consonância com os seus ideais liberais e utilitaristas estão as suas idéias em favor da igualdade de gênero, sendo um dos poucos filósofos de seu tempo a defender ativamente os direitos das mulheres.
Teorias antropológicas da religião
Stewart E. GuthrieHá uma diversidade de teorias antropológicas da religião. Baseiam-se ora em ideias de estruturas humanas sociais, emoções ou cognição. A maior parte concentra-se numa delas, mas algumas combinam mais de uma. Algumas olham para lá da natureza humana, para os outros animais, procurando análogos ou precursores da religião. Algumas teorias são próprias da antropologia, mas muitas foram tomadas de empréstimo. Assim, qualquer exame tem de ser também abrangente e de incluir material que não seja apenas antropológico. Ofereço aqui uma breve panorâmica histórica e um olhar sobre uma promissora abordagem contemporânea.
Facing Up, de Steven Weinberg
Pedro Pereira RomanoSteven Weinberg é um físico peculiar. Apesar de ser o autor do artigo mais citado de sempre da história da física, raramente reserva para as equações que lhe granjearam o prémio Nobel (1979) um papel mais do que secundário nos seus livros. A Física e a Ciência estão sempre no título; mas quem lê o miolo percebe que os dois temas são apenas bons pretextos para Weinberg fazer arrojadas incursões no campo da filosofia e da religião.
Os Céticos Gregos, de Victor Brochard
Jaimir ConteA tradição filosófica ocidental que teve início na Grécia com uma série de pensadores freqüentemente denominados de “pré-socráticos” foi marcada por uma forte atitude crítica relativamente às próprias teorias filosóficas. Num contexto em que as teorias formuladas suscitavam divergências e discordâncias, estando sempre abertas à discussão, à reformulação e a correções, alguns filósofos — os céticos gregos — assumiram uma postura radical: colocaram em xeque as alegações de conhecimento de todas as doutrinas filosóficas...
Trair a tradução
Desidério MurchoUm dos aspectos que me incomoda em muitas edições portuguesas, sobretudo do passado, é uma falta de fidelidade ao original. Subitamente, é como se o autor não tivesse qualquer palavra a dizer; o livro não lhe pertence já, e passou a poder ser adulterado como muito bem o entender o tradutor...
Definições: disjunção significa disfunção?
Justine Kingsbury e Jonathan McKeown-GreenMuitas das pessoas que duvidam do seu carácter analítico concordam contudo com a afirmação de que uma solteirona é uma mulher em idade de casar que ainda não casou. É também provável que concordem que esta afirmação tem o ar de uma definição. Afinal, tem as seguintes quatro características...
História da filosofia e história das ideias
Roger ScrutonUma abordagem das obras de filósofos históricos sem a aquisição de alguma competência filosófica independente conduz a equívocos. Uma abordagem puramente “histórica” tanto representa mal a filosofia de Descartes ou Leibniz como as peças de Shakespeare ou a poesia de Dante. Compreender o pensamento destes filósofos é enfrentar os problemas que eles visavam, problemas que habitualmente ainda são objecto de investigação filosófica, tanto quanto no seu tempo. Parece quase uma condição prévia para entrar no pensamento dos filósofos tradicionais que não se encare as questões que discutiam como “fechadas”...
Uma nova maneira de explicar a explicação
David DeutschEstou certo que ao longo dos cento e tal mil anos de existência da nossa espécie, e até antes, os nossos antecessores olhavam para o céu nocturno e perguntavam-se o que são as estrelas. Perguntavam-se portanto como explicar o que viam em termos de coisas que não viam. Bom, a maior parte das pessoas só se perguntavam isto ocasionalmente — como acontece hoje — quando paravam momentaneamente de se preocupar com o que normalmente se preocupavam. Mas o que as preocupava normalmente também envolvia uma ânsia de conhecer.
Filosofia da música
Peter KivyDesde o autêntico renascimento da estética e da filosofia da arte na década de 1960, tem havido uma clara tendência para tratar as artes individuais na medida em que apresentam problemas filosóficos que lhes são peculiares. Isto não equivale a afirmar que não se tem desenvolvido também a filosofia da arte em geral. As teorias ambiciosas da arte, procurando abranger todas as belas artes em definições sinópticas, ocuparam algumas dos melhores espíritos filosóficos deste período e trouxeram à disciplina...
O que é a ciência?
George OrwellNo Tribune da semana passada havia uma carta interessante do Sr. J. Stewart Cook, na qual sugeria que a melhor maneira de evitar o perigo de uma “hierarquia científica” seria fazer todos os membros do grande público, tanto quanto possível, ter uma formação científica. Ao mesmo tempo, os cientistas deveriam sair do seu isolamento e ser encorajados a desempenhar um papel mais intenso na política e na administração.
Viver bem: a ética de Aristóteles
Christopher ShieldsOs seres humanos entregam-se a comportamentos com propósitos. Fazemos coisas com razões e agimos tendo fins em vista. Assim, caminhamos para a loja com a intenção de comprar leite. Se um amigo que encontramos na rua nos perguntar no caminho por que estamos a caminhar na direcção da loja, a resposta sensata e correcta é a verdadeira: “Para comprar leite.” Se o nosso amigo for divertido e começar a regalar-nos com piadas e histórias de modo tão entusiasmante que nos esquecemos de onde íamos e porquê, podemos ficar confundidos, esquecendo temporariamente o que estávamos a fazer...
Filosofia da música
Paul GriffithsA filosofia da música é o estudo acerca do que é a música e de como esta tem significado. Associadas a estes assuntos abrangentes e abstractos estão questões que têm a ver com a composição, a execução e a audição: O que é a beleza na música? Quais os efeitos da música em indivíduos, grupos e sociedades inteiras? Que relações há entre a música, a natureza do som e a natureza do cosmos? Será que a música é uma linguagem e, se o for, de que tipo são as suas mensagens e quem é a sua fonte? Quais as bases da avaliação de composições e execuções (isto é, da crítica)? Será que algumas tradições musicais são superiores a outras?
Anselmo e a Astúcia da Razão, de J. M. Costa Macedo
Helena CostaA obra Anselmo e a Astúcia da Razão é uma edição actualizada de um dos trabalhos que integravam as “Provas de aptidão científica e capacidade pedagógica” que J. M. Costa Macedo, antigo professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, defendeu em 1995 nesta mesma Universidade. Nela procura delinear com a maior exactidão possível a importância da autonomia da razão na obra de S. Anselmo. Partindo das obras Cur Deus Homo, Monologion e Proslogion, ...
Soberba epistémica, estatismo e legislação
Desidério MurchoNum ensaio acertadamente publicado em 24 de Dezembro de 1943, Orwell sublinha que todas as utopias e concepções de uma existência humana perfeita, terrenas ou não, falham miseravelmente. Contrastam com a vivacidade das distopias e narrativas que descrevem em pormenor uma existência infernal ou o próprio inferno. Orwell discute não apenas a literatura — Charles Dickens, H. G. Wells, Aldous Huxley, Jonathan Swift, Voltaire e Rabelais — mas também as tradições míticas e religiosas da Grécia antiga, do cristianismo e do islamismo...
Será que a metafísica da música é redundante?
Vítor GuerreiroHá quem ponha em causa a relevância da metafísica da música, tanto para a experiência que temos dela como para a compreensão da sua natureza. Quem argumenta que a metafísica da música é musicalmente irrelevante, se bem compreendo, defende que os problemas metafísicos sobre música são musicalmente irrelevantes por não serem problemas da música e sim da metafísica.


