23 de Dezembro de 2003 ·
Filosofia Aberta
Elementos de Filosofia Moral, de James Rachels
Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves
Lisboa: Gradiva, Janeiro de 2004, 316 pp., € 15,50
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Excerto
Críticas: Álvaro Nunes · Leônidas Hegenberg · Pedro Galvão
Apresentação
Está finalmente disponível em português uma das melhores introduções à filosofia moral. Abordando os temas centrais desta disciplina de forma clara e despretensiosa, o autor guia-nos com segurança pelos labirintos fascinantes de problemas, teorias e argumentos relacionados com o modo como devemos viver a vida. Um dos aspectos mais inovadores da obra é a integração de diversos problemas de ética aplicada, como a eutanásia ou os direitos dos animais, para ilustrar os problemas e teorias estudados. O leitor compreende assim a pertinência das teorias de Kant, Hobbes, Mill, Hume, Aristóteles, Anscombe e tantos outros dos filósofos estudados.
Do máximo interesse para todas as pessoas que procuram compreender melhor os problemas da filosofia moral, trata-se de uma obra especialmente adequada para estudantes do ensino secundário e superior, assim como para professores de Filosofia, Comunicação, Direito, Economia e Sociologia.
Esta obra aborda, de forma clara e despretensiosa, mas profunda e iluminante, os principais temas e teorias da filosofia moral. Começando por discutir a própria definição de moralidade, o autor aborda depois os seguintes temas:
- A ideia de que a ética é relativa à cultura
- A ideia de que a ética é subjectiva
- A relação entre a ética e a religião
- O problema do egoísmo psicológico e ético
- A teoria utilitarista
- A ética de Kant
- A teoria do contrato social
- A ética feminista
- A ética de Aristóteles
Sobre o autor
James Rachels (1941-2003) é autor de The End of Life: Euthanasia and Morality (Oxford University Press, 1986), Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism (Oxford University Press, 1991) e Can Ethics Provide Answers? (Rowman and Littlefield, 1997). Organizou quase uma dezena de volumes, dos quais se destacam Ethical Theory, 2 vols. (Oxford University Press, 1998) e The Right Thing To Do: Basic Readings in Moral Philosophy (McGraw-Hill, 2002). Publicou mais de cinquenta artigos nas mais prestigiadas revistas académicas internacionais. Doutorado em Filosofia pela Universidade de Carolina do Norte, em Chapel Hill, EUA, Rachels foi professor nas Universidades de Nova Iorque e de Miami. À data da sua morte era professor catedrático na Universidade de Alabama, em Birmingham, EUA, e escrevia regularmente em periódicos como Bioethics, Nature, Los Angeles Times e The New York Times Book Review.
Índice
PrefácioSobre a quarta edição (americana)
1 O que é a moralidade?
1.1 O problema da definição2 O desafio do relativismo cultural
1.2 Primeiro exemplo: a bebé Teresa
1.3 Segundo exemplo: Jodie e Mary
1.4 Terceiro exemplo: Tracy Latimer
1.5 Razão e imparcialidade
1.6 A concepção mínima de moralidade
2.1 Culturas diferentes têm códigos morais diferentes3 O subjectivismo em ética
2.2 Relativismo cultural
2.3 O argumento das diferenças culturais
2.4 As consequências de levar a sério o relativismo cultural
2.5 Por que razão há menos desacordo do que parece
2.6 Como todas as culturas têm alguns valores em comum
2.7 A avaliação de uma prática cultural como indesejável
2.8 O que se pode aprender com o relativismo cultural
3.1 A ideia de base do subjectivismo ético4 Dependerá a moralidade da religião?
3.2 A evolução da teoria
3.3 A primeira fase: o subjectivismo simples
3.4 A segunda fase: emotivismo
3.5 Existirão factos morais?
3.6 Haverá provas em ética?
3.7 A questão da homossexualidade
4.1 A suposta ligação entre moralidade e religião5 Egoísmo psicológico
4.2 A teoria dos mandamentos divinos
4.3 A teoria da lei natural
4.4 Religião e questões morais particulares
5.1 Será o altruísmo possível?6 Egoísmo ético
5.2 A estratégia de reinterpretação de motivos
5.3 Dois argumentos a favor do egoísmo psicológico
5.4 Esclarecer algumas confusões
5.5 O erro mais grave do egoísmo psicológico
6.1. Teremos o dever de ajudar pessoas que morrem à fome?7 A abordagem utilitarista
6.2. Três argumentos a favor do egoísmo ético
6.3. Três argumentos contra o egoísmo ético
7.1. A revolução na ética8 O debate sobre o utilitarismo
7.2. Primeiro exemplo: eutanásia
7.3. Segundo exemplo: os animais não humanos
8.1. A versão clássica da teoria9 Haverá regras morais absolutas?
8.2. Será a felicidade a única coisa que importa?
8.3. As consequências são a única coisa que importa?
8.4. Deveremos ter toda a gente igualmente em conta?
8.5. A defesa do utilitarismo
9.1. Harry Truman e Elizabeth Anscombe10 Kant e o respeito pelas pessoas
9.2. O imperativo categórico
9.3. Regras absolutas e o dever de não mentir
9.4. Conflitos entre regras
9.5. Outro olhar sobre a ideia fundamental de Kant
10.1. A ideia de dignidade humana11 A ideia de contrato social
10.2 Retribuição e utilidade na teoria da punição
10.3. O retributivismo de Kant
11.1. O argumento de Hobbes12 O feminismo e a ética dos afectos
11.2. O dilema do prisioneiro
11.3. Algumas vantagens da teoria contratualista da moral
11.4. O problema da desobediência civil
11.5 Dificuldades da teoria
12.1. Pensam os homens e mulheres de maneira diferente sobre a ética?13 A ética das virtudes
12.2. Implicações para o juízo moral
12.3 Implicações para a teoria ética
13.1 A ética das virtudes e a ética da acção correcta14 Como seria uma teoria moral satisfatória?
13.2. As virtudes
13.3 Algumas vantagens da ética das virtudes
13.4 O problema da incompletude
14.1. Moralidade sem hubrisSugestões de leitura
14.2. Tratar as pessoas como merecem e outros motivos
14.3. Utilitarismo de estratégias múltiplas
14.4. A comunidade moral
14.5. Justiça e equidade
14.6. Conclusão
Notas sobre fontes
Índice analítico
Erratas
- Pág. 87, na terceira linha do primeiro parágrafo, lê-se: "consideração pelo bem-estar do próximo assim como do nosso"; deveria ler-se "consideração pelo bem-estar do próximo assim como pelo do nosso".
- No final do mesmo parágrafo lê-se: "como parte de seu plano global"; deveria ler-se "como parte do seu plano global".
- Pág. 95, na segunda linha do segundo parágrafo, lê-se: "a Igreja não encarava o aborto uma questão moral séria"; deveria ler-se "a Igreja não encarava o aborto como uma questão moral séria".
- Pág. 140, na terceira linha da citação está um "que" onde deveria estar um "como".
- Pág. 184, no primeiro parágrafo, lê-se: "Suponhamos, agora, se assume as regras, «é errado matar»"; deveria ler-se: "Suponhamos, agora, que se assume as regras «é errado matar»".
- Pág. 186, no segundo parágrafo, quarta linha, lê-se: "mas esse passo não era mais necessário"; deveria ler-se: "mas esse passo mais não era necessário".
- Pág. 123, na quarta linha, lê-se: "isso revela um espírito do qual foi varrido a realidade de um ser humano"; deveria ler-se: "isso revela um espírito do qual foi varrida a realidade de um ser humano".
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