20 de Maio de 2005 ·
Filosofia Aberta
Utilitarismo, de John Stuart Mill
Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves
Introdução, notas e revisão científica de Pedro Madeira, King's College London
Lisboa: Gradiva, 2005, 152 pp., 13 €
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Excerto
O utilitarismo é uma teoria naturalista sobre os fundamentos da moralidade. Defende que o prazer ou a felicidade é o único fim último da acção, e que a acção moral tem de procurar maximizar, imparcialmente, a felicidade de todos. O utilitarismo é a teoria rival das éticas deontológicas, como a de Kant, e das teorias contratualistas, como as de Locke, Hobbes e Rousseau. Mill procura mostrar que na realidade estas teorias acabam por ter de aceitar o utilitarismo quando se trata de responder a questões últimas.
O utilitarismo tornou-se a mais importante ideia moral e política do séc. XIX, tendo ajudado a dar rosto à estrutura das sociedades democráticas desenvolvidas do séc. XX. Procurando desfazer os inúmeros equívocos que dificultam a compreensão do utilitarismo, esta é a apresentação clássica daquela doutrina.
A par de obras como Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Kant, Ética a Nicómaco, de Aristóteles, e Leviatã, de Hobbes, esta é uma das mais importantes obras de sempre do pensamento moral.
Publicada pela primeira vez em 1861, na Frazer's Magazine, esta obra foi editada em livro em 1863. Em 1871, a Longmans, Green, Reader, and Dyer publicou em Londres a quarta edição da obra — a última revista pelo autor. É com base nela que se apresenta esta tradução directa e cuidada.
Com Revisão Científica, Introdução, Cronologia e Notas de Pedro Madeira (King's College London), esta edição faz jus à importância da obra original de Mill.
Leitura fundamental para estudantes de Filosofia, Direito, Sociologia, História das Ideias e Ciência Política, esta obra é do interesse de todo o cidadão que queira compreender melhor os fundamentos da ética e da vida pública.
John Stuart Mill (1806-73) foi um dos mais importantes filósofos e reformistas sociais do séc. XIX. Firmemente empirista e naturalista, desenvolveu o utilitarismo de Jeremy Bentham (1748-1832) e deu-lhe um rosto sofisticado. Autor de Sistema de Lógica (1843), Princípios de Economia Política (1848), Sobre a Liberdade (1859), Considerações acerca do Governo Representativo (1861) e A Subordinação das Mulheres (1869), defendeu o uso livre de métodos contraceptivos (razão pela qual esteve preso), foi deputado e promoveu a igualdade das mulheres. Só a partir dos anos 70 do séc. XX viria a ser reconhecida a sua teoria da referência directa dos nomes. Defensor incansável da liberdade e da racionalidade, foi um pensador sistematicamente ignorado durante o regime salazarista e as suas ideias são ainda hoje incómodas em muitos círculos.
Utilitarismo
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