O Significado das Coisas: A Aplicação da Filosofia à Vida, de A. C. Grayling
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn
Gradiva, Abril de 2003, 244 pp., 14 €
Comprar ·
Apresentação ·
Nota editorial ·
Excerto
Críticas: Jornal Público · Revista Os Meus Livros
Uma vida reflectida
Aires AlmeidaEis um livro que fala de muitas das coisas realmente importantes da vida de todos nós com uma inteligência e uma erudição a que certamente já não estávamos habituados. O seu autor, o prestigiado filósofo inglês A. C. Grayling, apresenta aqui uma colecção de pequenos ensaios originalmente publicados na coluna semanal "Last Word" do Guardian, que dir-se-ia ter como modelo o Dicionário Filosófico de Voltaire ou as Máximas e Reflexões Diversas de La Rochefoucauld.
Amor, morte, felicidade, capitalismo, arte, razão, mentira, família, milagres, saúde e até virgindade são apenas alguns dos temas dos ensaios incluídos neste livro, que se lê e relê com imenso prazer. Cada ensaio é autónomo, podendo o leitor lê-los pela ordem que quiser. Contudo a ordem não é totalmente arbitrária, pelo que existe uma preocupação em agrupar os textos que mantêm entre si uma afinidade evidente e uma sequência favorável à melhor compreensão dos tópicos abordados. Também por isso o livro está dividido em três partes. Na primeira, Grayling discorre sobre alguns dos conceitos morais mais importantes e também sobre certas ideias que habitualmente enquadram o nosso raciocínio moral. Na segunda, fala-nos daquelas coisas que considera ser "inimigas da prosperidade humana", entre as quais se encontram o racismo, a pobreza e o nacionalismo, mas também o cristianismo, o pecado e a fé. No terceiro, trata de aspectos mais aprazíveis do quotidiano e ainda de tópicos relacionados com a formação e a instrução de qualquer cidadão livre, acentuando a importância da excelência no ensino.
Um livro como este corre facilmente o risco de cair na banalidade previsível do chamado "politicamente correcto", e de escorregar para o discurso vago e impressionista. Não é esse o caso. Bem pelo contrário, Grayling defende ideias que estão longe de ser pacíficas, mas fá-lo sempre com o recurso a argumentos, aliados a um conhecimento e a uma erudição invulgares. Tudo isso num tom marcadamente humanista e num estilo elegante e sofisticado. Grayling mostra assim que a nossa vida deve ser racionalmente examinada e que tal exame pode também resultar numa enorme fonte de prazer.
Bem escrito, bem pensado, sério e bem humorado. A espera pela tradução do segundo volume, The Reason of Things, fica agora mais penosa.
Reproduza livremente mas, por favor, cite a fonte.
Termos de utilização: http://criticanarede.com/termos.html.


