Patricia Smith Churchland
4 de Abril de 2005 ⋅ Filosofia da mente

Poderá a neurobiologia ensinar-nos alguma coisa acerca da consciência?

Patricia Smith Churchland
Universidade da Califórnia, San Diego

Este artigo, publicado em 1993 (APA Proceedings), apresenta uma versão menos radical do que o materialismo eliminativista pelo qual o casal Paul e Patricia Churchland é conhecido. Neste texto, Patricia Churchland (n. 1943) apresenta, antes, uma versão reducionista da sua abordagem da consciência; a sua proposta é reformular o problema da consciência nos termos das neurociências, ou seja, descrever os fenómenos macroscópicos (psicológicos) nos termos dos fenómenos microscópicos (neuronais). Caso a consciência não possa ser reformulada nestes termos e, logo, reduzida (a consciência é actividade neuronal do mesmo modo que o calor é agitação molecular), então ela é uma não-entidade ou uma pseudoentidade da psicologia do senso comum que deve ser eliminada do discurso científico e, logo, do discurso filosófico. Esta reformulação e redução têm de ser completas; no caso de serem incompletas, o conceito tem de ser repensado para posterior integração ou eliminação nesse discurso. Embora à primeira vista possa parecer que Patricia Churchland relega a consciência para o campo das ciências naturais, o facto é que a sua proposta é — acaba por ser? — mais abrangente, na medida em que propõe uma co-geração e um co-desenvolvimento de vários níveis de análise fenomenológica que vão desde o psicológico ao neurobiológico. Esta proposta traz vantagens à filosofia na medida em que permite a integração da sua abordagem da consciência em contextos científicos, do que é prova o trabalho de, por exemplo, António Damásio: sobretudo no seu último livro, A Consciência de Si Mesmo (1999), ele articula constantemente os aspectos biológicos com os aspectos fenomenológicos da experiência da consciência, e o apelo ou envio a filósofos é uma constante ao longo de toda a obra. Se a proposta de Patricia Churchland não fosse redutora à partida, poder-se-ia falar mais lucidamente em termos de integração.

A tradução portuguesa, de Luís M. S. Augusto, é disponibilizada na Crítica, com a autorização do autor, em PDF.

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