14 de Setembro de 2015   Filosofia

O que é a filosofia?

Desidério Murcho

Como nunca estudaste filosofia na escola, talvez tenhas uma ideia vaga ou até errada sobre o assunto. Ou talvez não tenhas ideia nenhuma. Como é natural, ficarás a saber melhor o que é a filosofia depois de a teres estudado correctamente. Mas é conveniente dar-te já uma ideia do que é a filosofia. Deste modo, poderás orientar-te melhor na disciplina. É este o objectivo deste primeiro capítulo.

Provavelmente, estás habituado a definir as ciências como a história ou física em termos de objecto e método. Por exemplo:

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Também a filosofia tem um objecto e um método de estudo. A filosofia tem como objecto os conceitos mais básicos que usamos nas ciências, nas artes, nas religiões e no dia-a-dia. A filosofia estuda conceitos como os seguintes: o bem moral, a arte, o conhecimento, a verdade, a realidade, etc. O seu método é a troca de argumentos, a discussão de ideias.

1. A filosofia em acção: um exemplo

Imagina que no meio de uma conversa qualquer, eu digo: “No fundo, é tudo relativo”. Talvez já tenhas ouvido esta ideia muitas vezes. Talvez até tu próprio penses que é tudo relativo. A ideia de que tudo é relativo surge-nos naturalmente em certas circunstâncias, quando começamos a pensar em certos problemas. E é assim que surge a filosofia.

A filosofia (como as ciências, as artes e as religiões) surge da nossa capacidade natural para pensar. Não é algo que só surge quando vamos à escola ou quando lemos livros de filósofos muito antigos. Algumas pessoas começam a fazer perguntas de carácter filosófico por volta dos 13 ou 14 anos. Eis alguns exemplos:

Além disso, os problemas filosóficos surgem também da nossa reflexão sobre as ciências, as religiões e as artes. Eis alguns exemplos:

Apesar de a filosofia ser uma reflexão que surge naturalmente, nem toda a reflexão que surge naturalmente é filosófica. Muitas vezes temos respostas pessoais para perguntas filosóficas como “Qual é o sentido da vida?” ou “Será que é tudo relativo?”. Essas respostas pessoais, contudo, ainda não são filosóficas. Podem ser o ponto de partida da reflexão filosófica; mas não são o ponto de chegada. Isto quer dizer que podes e deves partir das tuas convicções pessoais. Mas só começas a fazer filosofia quando exiges a ti mesmo justificações públicas para essas convicções. E essas justificações têm de resistir à crítica. Vamos ver o que isto quer dizer.

1.1. A filosofia é uma actividade crítica

A primeira coisa a fazer perante uma afirmação filosófica, como “Tudo é relativo”, é tentar saber exactamente o que estamos a dizer. “Tudo” refere-se a quê? E o que quer dizer “relativo”? No estudo da filosofia, este trabalho de interpretação é crucial. Temos de saber com precisão o que realmente está a ser afirmado para podermos discutir essa afirmação. É por isso que no capítulo 2 iremos distinguir frases de proposições, e iremos ver o que é a ambiguidade e outras armadilhas que não nos permitem interpretar correctamente as ideias dos filósofos.

Se me perguntares o que quer dizer “tudo” e “relativo” no contexto da minha afirmação, posso responder assim:

“Tudo” refere-se a todas as verdades. O que eu defendo é que todas as verdades são relativas. E “relativo” quer dizer que as verdades mudam, ou variam; não são coisas fixas.

Agora já compreendemos melhor o que quer dizer “Tudo é relativo”. Mas será então que, nesse sentido, é verdade que “Tudo é relativo”? Que razões temos para aceitar esta ideia? Por que razão não será melhor aceitar a negação desta ideia? É porque por vezes queremos negar ideias que no capítulo 2 irás aprender a não errar ao negar certos tipos de afirmações.

Já estás a ver que não basta interpretar e compreender o que eu queria dizer com a afirmação “Tudo é relativo”. É preciso ter uma atitude crítica em relação ao que foi dito. Será que tenho razão? Porquê? Ou será que estou enganado? E porquê?

Quando fazemos estas perguntas, estamos a exigir argumentos. Será que os argumentos em que me baseio ao pensar que tudo é relativo são suficientemente fortes para apoiar esta ideia? Ou são apenas confusos e desinteressantes? A argumentação é o coração da filosofia e é por isso que a filosofia é uma atitude crítica. É por isso também que no capítulo 2 vamos aprender a distinguir os bons dos maus argumentos.

Porque a filosofia é uma actividade crítica, avalia cuidadosamente os nossos preconceitos mais básicos. Isto faz da filosofia uma actividade um pouco melindrosa. Em geral, temos tendência para nos agarrarmos acriticamente aos nossos preconceitos, porque eles condicionam a maneira como vemos o mundo e como vivemos a vida. A filosofia, pelo contrário, exige abertura de espírito e disponibilidade para pensar livremente.

O facto de a filosofia ser uma actividade crítica coloca-te numa posição muito diferente, como estudante, daquela que te é exigida nas outras disciplinas. Em filosofia, tens a liberdade de defender as tuas ideias. Tanto podes defender que Deus existe como que não existe; tanto podes defender que o aborto deve ser permitido como que não o deve ser. Até podes defender que a filosofia é uma ilusão e um absurdo.

Nesta disciplina, não te pedimos que te limites a repetir o que diz o teu professor. O que pedimos é que aprendas a pensar. E pensar implica apresentar argumentos. Tens a liberdade de defender o que quiseres, mas tens de adoptar uma atitude crítica. Isto significa o seguinte:

O objectivo é que sejas tu a pensar filosoficamente; mas para poderes pensar filosoficamente terás de saber usar um conjunto de instrumentos que te permitirão pensar de forma mais organizada e sistemática. E terás de compreender correctamente as ideias que iremos estudar — mesmo que aches que estão erradas. Se conseguires dizer de forma clara, articulada e fundamentada em bons argumentos por que razão estão erradas, já estarás a fazer filosofia.

Ser crítico não é “dizer mal”. Ser crítico é olhar com imparcialidade para todas as ideias — quer sejam nossas, dos nossos colegas ou de filósofos famosos. E olhamos para elas com imparcialidade para podermos avaliar se são verdadeiras ou não.

Ser crítico não é ser extravagante. Uma pessoa pode ser perfeitamente crítica e seguir as convicções da maioria. Ser crítico não é dizer “Não” só para marcar a diferença. Ser crítico é dizer “Sim”, “Não”, ou até “Talvez”, mas com base em bons argumentos.

Voltemos agora à minha ideia de que tudo é relativo. Que argumentos tenho a seu favor? Se me fizeres esta pergunta, posso responder assim:

Ao longo dos séculos, verificamos que o que pensamos ser verdade vai mudando. Primeiro, pensávamos que a Terra estava no centro do universo; depois, que não estava. Primeiro, pensávamos que o cristianismo era a única religião verdadeira, e que o Deus cristão tinha de ser imposto pela força. Depois, verificámos que há várias religiões e que todas têm o direito a existir. Em suma, o que hoje pensamos que é verdade, amanhã pensamos que é falso, e é por isso que eu digo eu é tudo relativo.

Esta resposta é uma tentativa de justificação da ideia de que tudo é relativo. Mas será uma boa justificação? O teu trabalho em filosofia é discutir os meus argumentos. Poderias começar por fazer notar que esta justificação parece misturar duas coisas diferentes: o progresso científico e a tolerância religiosa. E por isso talvez fosse vantajoso ver cada uma dessas coisas em separado.

Poderias começar pela primeira, perguntando se é mesmo verdade que o progresso científico mostra que as verdades são todas relativas. Pelo contrário, poderias dizer, se tudo fosse relativo, não haveria realmente progresso científico; haveria apenas uma mudança de teorias científicas. As teorias antigas seriam tão boas como as modernas. Mas se isto fosse verdade, que razões teríamos nós para mudar de teorias?

Eu poderia responder que somos forçados a mudar de teorias por vários motivos. Por exemplo, quando um certo grupo de cientistas se quer destacar, pode apresentar uma nova teoria revolucionária e fazer tudo para ver a sua teoria ser aceite. Mas isto nada nos diz sobre o valor intrínseco da nova teoria. A nova teoria é tão boa como a velha; são apenas diferentes.

Já vês que a filosofia é uma actividade dialogante: consiste em trocar e discutir ideias. A diferença entre uma discussão filosófica e uma gritaria, por exemplo, é esta: em filosofia discutimos para chegar à verdade das coisas, independentemente de saber quem “ganha” a discussão; numa gritaria discute-se para “ganhar” a discussão, independentemente de saber de que lado está a verdade.

1.2. O pensamento filosófico é consequente

Ao reflectires sobre a minha resposta às tuas objecções poderias tentar saber até que ponto o que a minha teoria implica é aceitável. E poderias perguntar-me: “Será que a ideia de que tudo é relativo é também relativa?” Como é óbvio, eu teria de dizer que sim, pois acabei de defender que todas as ideias são relativas. Mas então a minha ideia não é realmente verdadeira; só é relativamente verdadeira. É verdadeira para umas pessoas e falsa para outras. Mas nesse caso caio em contradição, pois tenho de admitir que a minha ideia é falsa, de certos pontos de vista. Nomeadamente, do teu. E tenho de admitir que tu tens tanta razão como eu.

Imagina agora que quando fazes notar que nesse caso a minha própria opinião não pode ser verdadeira, eu digo que não. Há algo de errado comigo.

O que está errado comigo é que não estou a ser consequente. Ser consequente é aceitar as consequências das nossas ideias. Não estou a ser consequente porque não quero aceitar uma consequência da minha ideia, só porque é desagradável para o que estou a defender. Isto é pensamento irresponsável.

O pensamento filosófico é consequente. Isto significa que apesar de seres livre para defenderes as posições que quiseres, terás de ser responsável pelas consequências do que defendes. Se defenderes que toda a vida é sagrada e que isso quer dizer que nunca devemos matar um ser vivo, não podes ao mesmo tempo defender que se pode comer salada de alface. Se defendes que tudo é relativo e que não há verdades, não podes defender que a tua convicção é verdadeira.

Se quiseres pensar filosoficamente terás de ser responsável pelas consequências das tuas ideias; e se as tuas ideias tiverem consequências falsas, improváveis, absurdas ou de outra forma difíceis de aceitar, terás muito provavelmente de mudar de ideias.

A nossa pequena discussão sobre o relativismo já permitiu ver que há três elementos na filosofia:

O problema, no nosso caso, era saber qual é a natureza da verdade. Eu estava a defender a teoria ou a posição de que a verdade é relativa. E apresentei alguns argumentos a seu favor. Depois tu respondeste a esses argumentos, o que me levou a apresentar outros argumentos, aos quais tu respondeste — e assim por diante. Os filósofos, ao longo dos séculos, têm proposto teorias que tentam resolver os problemas filosóficos. Essas teorias apoiam-se em argumentos.

O teu papel perante os problemas, as teorias e os argumentos da filosofia é duplo:

1.3. A filosofia é um estudo a priori

Quando começamos a discutir a ideia de que tudo é relativo, percebemos que ela tem uma característica especial: nada há na experiência empírica que nos permite resolver o problema. Só pelo pensamento podemos tentar resolver o problema. É porque isto acontece com os problemas filosóficos que dizemos que a filosofia não é um estudo empírico; é um estudo a priori. A melhor maneira de perceber o que isto quer dizer é com um exemplo.

Imagina que queres saber se há vida em Marte. Não é possível resolver este problema unicamente através do pensamento. É preciso dispor dos dados enviados pelas sondas que foram para Marte, fazer observações e medições, etc. Todas essas coisas fazem parte da experiência empírica: são maneiras de recolher informação acerca do mundo.

Mas os problemas da filosofia não se resolvem olhando para o mundo para recolher informação. Não podemos decidir se é tudo relativo ou se a vida faz sentido recolhendo informação do mundo. É por isso que dizemos que a filosofia é um estudo a priori. Queremos dizer que a filosofia se faz unicamente com o pensamento.

Todavia, isto não significa que não podemos usar informação sobre o mundo. Na verdade, sempre que isso é relevante, temos de usar informação sobre o mundo. O estudo filosófico é a priori, mas temos de ter informações sobre tudo o que for importante para a solução dos problemas que estamos a tratar. Muitas vezes essa informação é fornecida pelas ciências, pelas artes ou pelas religiões. Não podemos discutir filosofia da religião sem nada saber de religião. Nem podemos discutir filosofia da arte sem nada saber de arte.

Quando chegamos a este ponto podes pensar que o relativismo, como todas as outras ideias filosóficas, não passa de uma confusão e que nada há para discutir — precisamente porque é algo que não podemos decidir recorrendo à experiência. Todavia, é curioso que esta é também uma posição filosófica — e uma posição que não se apoia na experiência. Como poderemos decidir se é mesmo verdade que o relativismo e a filosofia são uma perda de tempo porque nunca se pode chegar a lado nenhum? Como podemos saber que não podemos chegar a lado nenhum?

Quando começamos a pensar nas razões que nos levam a pensar que em filosofia nunca se chega a lado nenhum começamos a fazer filosofia. É por isso que a filosofia é inevitável. É inevitável porque não é mais do que a procura sistemática de justificações sensatas para as nossas ideias mais básicas — mesmo as nossas ideias acerca da própria filosofia. É neste sentido que a filosofia se opõe ao dogmatismo: nenhuma ideia tem o direito de suplantar quaisquer outras ideias, enquanto não mostrar que é realmente melhor do que as outras.

1.4. A filosofia é diferente da história

Como é óbvio, muitos filósofos defenderam a ideia de que tudo é relativo. O primeiro a defendê-lo parece ter sido Protágoras de Abdera (cerca de 490–420 a.C.), na Grécia antiga. Muitos outros filósofos e pensadores defenderam diferentes versões desta ideia, incluindo no século XX e hoje em dia.

Quando discutimos uma ideia filosófica verificamos muitas vezes que essa ideia tem uma história; houve outras pessoas que a defenderam ou atacaram. É por isso importante saber o que os grandes filósofos pensaram. Nada há de extraordinário nisto. Se estás preocupado em saber se o relativismo é ou não aceitável, é uma boa ideia tentar saber o que as outras pessoas pensaram sobre isso. Afinal, pode ser que o que elas pensaram te ajude a pensar melhor — quer concordes, quer discordes delas.

Todavia, é preciso distinguir claramente o estudo da filosofia do estudo da história da filosofia. Em história da filosofia estudamos o que os filósofos dizem só para saber o que eles dizem. Na filosofia estudamos o que os filósofos dizem para discutir as suas ideias. Mas é claro que só podemos discutir as suas ideias se as soubermos formular bem. Estudar filosofia é como estudar música e estudar história da filosofia é como estudar história da música. Num caso, aprendemos a tocar um instrumento ou a compor peças musicais; no outro, aprendemos apenas a apreciar a música do passado. Num caso, aprendemos a discutir ideias e a propor ideias e a defendê-las; no outro, aprendemos apenas a formular as ideias dos outros.

2. Para que serve a filosofia?

A filosofia responde a problemas que surgem da nossa capacidade natural para pensar. O mesmo acontece com a ciência, a religião e a arte. Portanto, em grande medida, a filosofia serve para o mesmo que serve a ciência, a religião e a arte: serve para compreender melhor o mundo, os outros e nós mesmos.

Mas será que só serve para isso? Afinal, nas artes, nas religiões e nas ciências, fazem-se coisas úteis — não nos limitamos a compreender melhor o mundo. Por exemplo:

Também a filosofia não se limita a alargar a nossa compreensão. A compreensão que a filosofia nos oferece do mundo, de nós e dos outros ajuda-nos a mudar a nossa vida. Vejamos dois exemplos.

Em 1869 um importante filósofo inglês chamado John Stuart Mill publicou um livro intitulado A Submissão das Mulheres. Neste livro, Mill defendia, com argumentos filosóficos, a igualdade política e social das mulheres. Hoje, parece-nos óbvio que as mulheres não devem ser discriminadas em nenhum aspecto da vida social. A filosofia pode mudar as nossas vidas porque pode mudar as nossas convicções.

Em 1975, Peter Singer, um importante filósofo contemporâneo, publicou um livro com o título Libertação Animal. Nesse livro, Singer procura mostrar que o modo como tratamos os animais na indústria pecuária e na ciência é moralmente indefensável; os animais não podem ser tratados como se fossem meros objectos. Em resultado do seu estudo, os movimentos de libertação animal ganharam legitimidade. Hoje, muitas das maiores empresas deixaram de testar os seus produtos em animais. A filosofia pode mudar as nossas vidas porque pode mudar as nossas convicções.

Os seres humanos entregam-se a diferentes actividades. A religião, a ciência, a arte e a filosofia têm cada uma a sua utilidade.

Em suma: as razões pelas quais a filosofia serve para alguma coisa são a razões pelas quais as artes, as ciências e as religiões servem para alguma coisa.

Todavia, é verdade que muitos dos problemas, teorias e argumentos da filosofia não têm qualquer utilidade prática. Mas também a maior parte do que constitui as religiões, as artes e as ciências não tem qualquer utilidade prática. Mas, mesmo assim, essas coisas podem ter valor.

As coisas sem utilidade prática podem ter valor porque o conhecimento é algo suficientemente importante para ter um valor próprio. Nada ganhamos em conhecer a anatomia dos dinossáurios que se extinguiram há 65 milhões de anos, nada ganhamos em saber como aconteceu o Big Bang. Mas desconhecer todas essas coisas é viver uma vida mais pobre e mais provinciana. É por isso que há pessoas que gostam de alargar o conhecimento e a compreensão, independentemente de isso servir ou não para alguma coisa. E isto é algo que não acontece apenas aos filósofos; acontece aos físicos, aos biólogos, aos músicos, aos escritores, etc.

Em suma, a filosofia tem valor, mesmo que na sua maior parte não tenha qualquer utilidade prática, porque o conhecimento é um valor em si.

Por outro lado, nunca podemos saber quando uma ideia aparentemente inútil pode vir a ser útil. A lógica, por exemplo, parecia uma área do conhecimento completamente inútil. Mas hoje temos computadores graças aos estudos levados a cabo pelos especialistas em lógica. Logo, mesmo que só as coisas úteis tivessem valor, nunca poderíamos saber à partida quais das nossas ideias se viriam a revelar úteis.

Acresce que a filosofia consiste, em grande parte, em discutir ideias com argumentos rigorosos. Isto dá-lhe uma utilidade muito importante: quem for capaz de discutir filosofia claramente, será capaz de discutir claramente qualquer assunto (desde que disponha da informação relevante). A filosofia é útil para a vida pública de um país porque nos ensina a pensar melhor.

A filosofia exercita as nossas capacidades argumentativas. Ficamos com uma capacidade acrescida para avaliar e discutir ideias, argumentos e problemas. Do mesmo modo que quem estuda pintura fica com um olhar mais sensível às cores e formas, quem estuda filosofia fica mais sensível ao modo como fundamentamos as nossas convicções e decisões.

Quem sabe argumentar bem toma melhores decisões, porque as decisões que tomamos são baseadas em argumentos. E esses argumentos podem ser melhores ou piores. Todos queremos melhores decisões (e portanto melhores argumentos) quando essas decisões afectam a nossa vida. A filosofia pode ajudar-nos a tomar fazer isso.

Desidério Murcho

Questões de revisão

  1. O que é um preconceito? Dá alguns exemplos, explicando por que razão são preconceitos.
  2. Para que fins precisamos de argumentos na filosofia?
  3. O que precisas de aceitar para poderes ter uma atitude crítica?
  4. Qual é a diferença entre justificar as nossas respostas pessoais e ter uma atitude crítica?
  5. O que significa dizer que o pensamento filosófico é consequente? Dá um exemplo.
  6. Dá um exemplo de uma convicção inconsequente.
  7. O que significa dizer que a filosofia é um estudo a priori?
  8. “Uma vez que a filosofia é a priori, não precisamos de informação empírica para fazer filosofia”. Concordas? Porquê?
  9. Dá dois exemplos de problemas a priori e dois exemplos de problemas empíricos.
  10. Por que razão a filosofia se opõe ao dogmatismo?
  11. “A filosofia é inevitável”. Concordas? Porquê?
  12. Será que a filosofia se limita a alargar a nossa compreensão do mundo?
  13. Em que aspectos a filosofia pode ser útil?
  14. “Para uma actividade ter valor não precisa de ser útil”. Concordas? Porquê?

Problemas

  1. “Não há qualquer interesse em estudar filosofia, porque cada qual tem a sua filosofia pessoal”. Concordas? Porquê?
  2. “A atitude crítica é apenas dizer mal dos outros”. Concordas? Porquê?
  3. “Desde que uma pessoa seja extravagante, é crítica”. Concordas? Porquê?
  4. “O que uma pessoa diz com o cérebro, nega na sua vida concreta”. Concordas? Porquê?
  5. Qual é a relação entre os problemas, as teorias e os argumentos da filosofia?
  6. “Dado que tanto a filosofia como a matemática são a priori, não há diferença entre as duas”. Concordas? Porquê?
  7. “A filosofia é inútil porque é tudo subjectivo e nunca se chega a lado nenhum”. Concordas? Porquê?
  8. “A filosofia é inútil porque é tudo subjectivo e nunca se chega a lado nenhum”. Achas que esta afirmação é objectiva ou subjectiva? Porquê?
  9. “A filosofia não serve para nada”. Concordas? Porquê?
  10. “Nenhuma filosofia do mundo pode mudar a nossa vida”. Concordas? Porquê?
  11. “A filosofia responde à nossa curiosidade natural e não precisa de ser útil”. Concordas? Porquê?
  12. “Mesmo que só as coisas úteis tivessem valor, teríamos de fazer as coisas aparentemente inúteis, porque nunca podemos saber quando podem vir a ser úteis”. Concordas? Porquê?