Versões e falsificações: uma resposta a Kivy
Kirk PillowO Journal of Aesthetics and Art Criticism publicou recentemente um simpósio sobre o legado de Nelson Goodman. Entre os contributos encontra-se “Como Falsificar uma Obra Musical”, de Peter Kivy.1 Goodman argumentou em Linguagens da Arte que um certo género de falsificação não é possível na música ou outras artes “alográficas”, incluindo a literatura. No seu ensaio, Kivy apresenta um exemplo elaborado e plausível de falsificação musical. Embora modesto quanto aos seus objectivos, negando que tenha respondido ao desafio de Goodman “senão de uma forma superficial”...
Como falsificar uma obra musical
Peter KivyÉ difícil aos filósofos da arte mais jovens aperceberem-se do estado em que a disciplina se encontrava quando os estudantes da minha geração iniciaram as suas pós-graduações no final da década de 1950 e início da década de 1960. Tratava-se, falando com franqueza, de um deserto com um grande oásis: a obra de Monroe Beardsley, Aesthetics: Problems in the Philosophy of Criticism (1958). Além disso, os filósofos analíticos britânicos desses anos, a quem desejávamos igualar, tinham declarado que enquanto objecto de estudo a estética não existia.
A definição da arte
Kathleen StockUma definição da arte visa comummente aplicar-se às obras que pertencem claramente às tradições das belas-artes ocidentais e aos seus desenvolvimentos, incluindo os do avant-garde; e talvez também a certos objectos de proveniência cultural alternativa (e.g., pinturas rupestres, têxteis dos shakers). A forma clássica é a de um pequeno número de condições individualmente necessárias e conjuntamente suficientes, cuja satisfação determine a referência do conceito. Há quem pense que uma definição nos permite identificar a arte, especialmente obras de avant-garde, muitas das quais não se distinguem facilmente de outras coisas.
Definição
Desidério MurchoA especificação da natureza de algo. Chama-se definiendum ao que se quer definir e definiens ao que a define. Por exemplo, pode-se definir o ouro (definiendum) como o elemento cujo peso atómico é 79 (definiens). E pode-se definir a palavra "solteiro" como "não casado". Chama-se "real" ao primeiro tipo de definição e "nominal" ao segundo. Há três tipos principais de definições nominais: as lexicais, as estipulativas e as de precisão. Nas definições lexicais ou de dicionário dá-se apenas conta do significado preciso que uma dada palavra realmente tem.
Imposturas Intelectuais, de Sokal e Bricmont
Roberto Fernández“Impostura”, de acordo com o dicionário, significa “embuste, engano artificioso; afetação de grandeza; superioridade, orgulho, confinante com a empáfia e a bazófia”. Os cientistas Alan D. Sokal (Universidade de Nova Iorque) e Jean Bricmont (Universidade Católica de Lovaina, Bélgica) sustentam que intelectuais de renome, associados à corrente convencionalmente conhecida como “pós-modernismo”, têm incorrido sistematicamente em “abusos reiterados de conceitos e termos provenientes das ciências físico-matemáticas”, a ponto de constituírem verdadeiras imposturas intelectuais. Podem ser identificados quatro tipos de abusos...
A possibilidade da filosofia
Desidério MurchoA filosofia ocupa-se de problemas fundacionais insusceptíveis de resolução científica, recorrendo à análise minuciosa, teorização intensa, formulação rigorosa e argumentação imaginativa. Um matemático só se ocupa de problemas que possam ser resolvidos recorrendo a técnicas matemáticas; o filósofo procura saber o que é um número. Um físico procura determinar vários aspectos da constituição íntima da matéria que podem ser determinados matemática e experimentalmente; um filósofo procura saber o que é exactamente um particular, por oposição a um universal. Um artista pinta quadros, pressupondo o valor da arte e a sua natureza...
Besta e homem: as raízes da natureza humana
Mary MidgleyNão somos apenas parecidos com os animais; somos animais. A nossa diferença em relação a outras espécies pode ser impressionante, mas compararmo-nos a elas tem sido crucial, e tem de o ser para o modo como nos vemos a nós mesmos. Este livro é uma discussão geral sobre como tais comparações operam e por que são importantes. O fosso entre o homem e os outros animais está, penso, num lugar ligeiramente diferente daquele em que a tradição o coloca, além de mais estreito. A perspectiva tradicional certamente distorceu o argumento ético e pode ter causado equívocos às possibilidades abertas à humanidade.
If P, then Q,de David H. Sanford
Matheus SilvaEste livro faz parte da série “Os Problemas da Filosofia: o seu Passado e Presente”, dirigida por Ted Honderich. Como os outros livros da série, tem duas partes: a primeira é uma apresentação da história do problema e a segunda é uma exposição das contribuições do próprio autor sobre o tema. Na introdução, Sanford defende a importância das teorias das condicionais, baseando-se em razões práticas do dia-a-dia e em razões filosóficas. As teorias das condicionais são relevantes por razões práticas, porque as condicionais são utilizadas não apenas para decidirmos o que fazer (por exemplo, “Se quero ser bem sucedido na filosofia, terei de estudar muito”) como também para decidirmos em que acreditar (por exemplo, “Se ele usar drogas, não será um bom filósofo”).
A quem fazer o bem?
Faustino VazBeauchamp e Childress afirmam que o princípio da beneficência apoia um conjunto de obrigações morais. Uma delas, a segunda de uma lista, é a de “impedir que os outros sofram dano” (2009: 199). A justificação adequada para estas obrigações de beneficência baseia-se naquilo a que se poderia chamar “modelo da reciprocidade”. A esse respeito, escrevem: "Várias justificações podem ser propostas para as obrigações gerais e específicas de beneficência. Uma delas, particularmente adequada à ética biomédica, é a que se baseia em considerações de reciprocidade." (Beauchamp e Childress, 2009: 205) Pouco depois, a ideia é desenvolvida desta forma...
Redescobrir a filosofia medieval
Sir Anthony KennyNesta era de especialização, as histórias da filosofia são feitas, na sua maioria, por muitas pessoas, pois resultam do trabalho de especialistas de áreas e períodos diferentes. Ao convidar-me para escrever sozinho uma história da filosofia, desde os primórdios até aos nossos dias, a Oxford University Press manifestou a convicção de que ainda há alguma vantagem na apresentação do desenvolvimento da filosofia a partir de uma única perspectiva, fazendo a ligação da filosofia antiga, medieval, moderna e contemporânea, numa única narrativa que trate temas conexos. Este é o segundo de quatro volumes.
Popper e a lógica da mecânica quântica
Maria Luisa Dalla Chiara e Roberto GiuntiniTerminou recentemente o centenário do nascimento de Karl Popper, em 2002, e com isso as celebrações, os congressos e as comemorações, das quais participou também a comunicação social. Popper é de fato um dos poucos pensadores interessados nos problemas científicos cujo nome se tornou conhecido do público mais amplo. Todavia, um assunto ao qual foi dedicada pouca atenção diz respeito aos erros científicos de Popper, que também teve a sorte de interagir com alguns dos cientistas mais importantes do século XX, de Einstein a Heisenberg.
Símios, humanos, alienígenas, vampiros e robotas
Colin McGinnEm criança, tendes a considerar garantida a tua posição na vida, escrita na ordem natural das coisas. Nasceste, digamos, numa família branca de classe média, levas uma vida desafogada, de boa saúde e sem qualquer preocupação específica. Tens direitos e privilégios, e estes são geralmente respeitados. Não estás a passar fome, aprisionado ou escravizado. Passas férias agradáveis. Em tenra idade provavelmente pressupões que todos vivem assim. Parece natural que gostes do tipo de vida que a providência te concedeu. Não pensas sobre ela.
Propriedades: uma defesa e alguns enigmas
Rodrigo Alexandre de FigueiredoDefendo neste artigo que são implausíveis as teorias que não admitem a existência de propriedades independentes da nossa categorização do mundo. Não tenho aqui um objetivo positivo, no sentido de dar uma solução para o problema de saber o que são propriedades, mas antes argumentar que uma teoria que não admite propriedades enfrenta problemas intransponíveis.
A Philosophical Guide to Conditionals, de Bennett
Matheus SilvaAs frases condicionais são objeto de pesquisa não só em filosofia, mas também em psicologia e linguística. A bibliografia sobre o tema é densa, por vezes muito técnica e contém hipóteses contra-intuitivas, como a negação de que o modus ponens seja uma forma argumentativa válida. Atualmente, este é o único livro que abrange e analisa toda a discussão filosófica recente sobre as condicionais e pode ser considerado um guia de referência para o especialista e um manual para os que pretendem começar a participar da discussão atual. É um livro exigente e trará algumas dificuldades para alunos de graduação, mas não conheço outro ponto de partida melhor...



