Crítica
criticanarede.com · ISSN 1749‑8457
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29 de Junho de 2009

A Grande História da Evolução

A Grande História da Evolução, de Richard Dawkins

Desidério Murcho

Este livro é um tesouro não apenas para o público em geral, mas também para cientistas e estudantes de biologia. Profusamente ilustrado, conta a história de todos os nossos antepassados. Depois dos capítulos iniciais, onde se esclarecem vários aspectos relativos à natureza da biologia e da teoria da evolução, cada capítulo é dedicado a um "concestor" dos seres humanos. O "concestor" (de "common ancestor": antepassado comum) de duas ou mais espécies é a espécie que lhes deu origem. No nosso caso, o primeiro "concestor" viveu há cerca de 5-7 milhões de anos, dando origem a nós e aos chimpanzés. São precisos apenas 39 "concestors" para chegarmos à fonte de toda a vida na Terra — e à conclusão de que temos uma irmandade íntima com todos os seres vivos.

24 de Junho de 2009

Taberna Próximo do Mar, de Ivan Prole
Taberna Próximo do Mar, de Ivan Prole

Lógica e argumentação

Desidério Murcho

A argumentação é um instrumento sem o qual não podemos compreender melhor o mundo nem intervir nele de modo a alcançar os nossos objectivos; não podemos sequer determinar com rigor quais serão os melhores objectivos a ter em mente. Os seres humanos estão sós perante o universo; têm de resolver os seus problemas, enfrentar dificuldades, traçar planos de acção, fazer escolhas. Para fazer todas estas coisas precisamos de argumentos.

17 de Junho de 2009

Inovação, de Raja R.
Inovação, de Raja R.

O Pequeno Livro do Filósofo, de Desidério Murcho

Este pequeno livro reúne 137 máximas que visam ajudar quem quer aprender a filosofar. Escrevi-o como um exercício de descontracção, e por isso trata-se de máximas leves e despretensiosas. Mas não é apenas um exercício de descontracção, pois inclui sugestões que poderão ser úteis a jovens interessados em filosofia. O mote do livro é que qualquer pessoa pode tornar-se um filósofo.

14 de Junho de 2009

Zen Tea, de Marcelo Gerpe
Zen Tea, de Marcelo Gerpe

Zen e a arte de manutenção da filosofia

Desidério Murcho

Pode-se caracterizar a filosofia como uma forma de pensamento crítico aplicado a um dado conjunto de problemas filosóficos. Mas isto enfrenta a seguinte objecção: Esta caracterização está errada porque não contempla o zen e outras formas de abordagens não críticas da filosofia. A forma crítica e argumentativa de fazer filosofia aplica-se unicamente à filosofia mais comum, declara o argumento, e até outras tradições da filosofia ocidental serão excluídas com esta caracterização — a filosofia de Kierkegaard, por exemplo, ou de Heidegger (ou até de Wittgenstein).

11 de Junho de 2009

A Fragilidade da Bondade

A Fragilidade da Bondade, de Martha Nussbaum

Lucca Otoni

Este livro divide em dois tempos, antes e depois, as discussões em torno da vulnerabilidade humana. Os gregos buscavam uma vida boa que não dependesse tanto dos favores dos deuses e sim da auto-suficiência racional baseada na reflexão ética. O processo para alcançar esse objetivo correlaciona-se diretamente com a fortuna, týkhe, ou seja, aquelas circunstâncias nas quais o agente humano não está no comando da situação faltando-lhe, pois, o controle. Catástrofes, doenças, pequenas ou grandes desgraças, estão configuradas na falta de fortuna.

9 de Junho de 2009

Não Abras Essa Porta, de confusedvision
Não Abras Essa Porta, de confusedvision

Filosofia e história no currículo de filosofia

Dídimo Matos

A história da filosofia é, junto com as demais, uma importante disciplina filosófica, mas de acordo com alguns currículos dos cursos de graduação em filosofia no Brasil é a mais importante das disciplinas. Nas próximas linhas vamos discutir se o currículo reflete de alguma maneira a realidade ou se precisa ser modificado para dar uma visão mais fidedigna da filosofia.

8 de Junho de 2009

Escadas Rolantes, de Troy Sherk
Escadas Rolantes, de Troy Sherk

Ascensão semântica

W. v. O. Quine

Este capítulo ocupou-se principalmente da questão de saber que objetos reconhecer. Contudo, tratou tanto de palavras quanto os anteriores. Parte do nosso cuidado aqui foi com a questão de saber em que consiste os compromissos de uma teoria com objetos (§ 49), e é claro que esta questão de segunda ordem é sobre palavras. Mas o que é de notar é que falamos mais de palavras do que de objetos mesmo quando nos ocupávamos principalmente de decidir o que realmente há: que objetos admitir na nossa própria perspectiva.

6 de Junho de 2009

Sonhando na Realidade Cinzenta, de Vangel_PL
Sonhando na Realidade Cinzenta, de Vangel_PL

Felicidade, morte e absurdo

James Rachels

Os filósofos antigos tiveram muito a dizer sobre a felicidade. Supunham que "a melhor vida" e "a vida feliz" eram a mesma coisa, e geralmente aceitavam que a felicidade consistia numa vida de razão e virtude. Epicuro (341-270 a. C.) recomendou uma vida simples, de modo a evitar-se sofrimentos e ansiedades. Os estóicos acrescentaram que um homem sábio não permitiria que a sua felicidade dependesse de coisas que estivessem fora do seu controlo, como a riqueza, a saúde, a boa aparência ou as opiniões dos outros.

1 de Junho de 2009

A Volta do Idiota

A Volta do Idiota, de Plínio Apuleyo Mendonza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa

Aluízio Couto

No parágrafo de encerramento do Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, Plínio Apuleyo Mendonza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa sentenciam com certa tristeza a própria derrota perante a idiotice ideológica que se espalhara na América Latina. Disseram isso há treze anos. Infelizmente, não poderiam estar mais certos. A parte final dos anos noventa e os primeiros anos após a viragem do século presenciaram um retorno vigoroso dos populistas de esquerda nos países latinos. As velhas bravatas nacionalistas, antiamericanas e anticapitalistas estavam de volta. E não é que o povo acreditou na conversa?

30 de Maio de 2009

Bela Adormecida, de Sergey Marshennikov
Bela Adormecida, de Sergey Marshennikov

Compreender as críticas à filosofia analítica

Desidério Murcho

Alexandre Machado apresenta em "Preconceitos Sobre a Filosofia Analítica" um contra-exemplo paradigmático a uma das muitas ideias erradas que subsistem sobre a filosofia analítica: que esta, ao contrário da filosofia propriamente dita, se caracteriza por dar importância à linguagem. Esta ideia dá origem à impressão vaga de que as expressões "filosofia da linguagem" e "filosofia analítica" são quase sinónimas.

26 de Maio de 2009

When it all blows over, de davebluedevil
When it all blows over, de davebluedevil

O erro de Leibniz

Desidério Murcho

Num texto de 1697, Leibniz formula uma pergunta radical: "Por que há algo em vez de nada?" O seu objectivo é sustentar a existência de um deus que seria a origem da realidade. Esta ideia, contudo, precisa de ser cuidadosamente formulada, para não dar origem ao absurdo de sustentar que há algo porque Deus, que não é algo, o criou. Ao invés, a ideia é sustentar que Deus, que é algo, é eterno e não poderia não existir, pelo que assim está explicado por que há algo: porque sempre houve e não poderia não haver.

21 de Maio de 2009

Karl Popper
Karl Popper

Um diálogo sobre o falsificacionismo

Desidério Murcho

Asdrúbal — Gostei muito da aula de hoje. Achei a teoria de Popper fascinante! A ideia de dar importância ao que se pode provar que é falso em vez de dar importância ao que se pode provar que é verdadeiro é realmente brilhante.

Adamanância — Pois... eu não fiquei assim tão bem impressionada. Gostei da aula; a professora é o máximo. Mas a teoria de Popper parece-me subtilmente errada, ainda que aponte numa direcção correcta.

Asdrúbal — Que queres dizer com isso?

20 de Maio de 2009

Uma Mãe, de Gely Mikhailovich Korzhev-Chuvelev
Uma Mãe, de Gely Mikhailovich Korzhev-Chuvelev

Serão as pessoas responsáveis pelo que fazem?

James Rachels

Em 1924, dois adolescentes de Chicago, Richard Loeb e Nathan Leopold, raptaram e assassinaram um rapaz chamado Bobby Franks apenas para provar que conseguiam fazê-lo. O crime impressionou o público. Apesar da brutalidade do seu acto, Leopold e Loeb não pareciam especialmente perversos. Provinham de famílias ricas e eram ambos estudantes excelentes. Aos dezoito anos, Leopold era o licenciado mais jovem na história da Universidade de Chicago, e, aos dezanove anos, Loeb era a pessoa mais nova que se tinha licenciado na Universidade de Michigan.

20 de Maio de 2009

Folhas e Vida, de Luísa Migon
Folhas e Vida, de Luísa Migon

Ortografia, fonética e grafia

Vítor Guerreiro

Um dos objectivos da reforma ortográfica de 1911 era pôr fim à chamada "ditadura da etimologia", aproximando a escrita da fonética. Assim, em vez de escrever "physica" e "philosophia", que sob esta forma estão mais próximas da sua fonte latina e grega, passámos a escrever "física" e "filosofia". Daqui resultam alguns factos interessantes. Os ingleses escrevem "physics" e "philosophy" e no entanto a sua fonética é muito diferente da fonética do latim ou do grego antigos. Exactamente em que sentido é que "filosofia" e "philosophia" são foneticamente divergentes?

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