Filosofia da mente

6 de Março de 2004   Filosofia da mente

A razão tem emoções que o coração desconhece

Desidério Murcho
Emotion: The Science of Sentiment
de Dylan Evans
Oxford: Oxford University Press, 224 pp.

Uma das partes menos saudáveis da infeliz herança romântica e irracionalista, tantas vezes acriticamente admitida sem discussão, é a da suposta oposição entre a razão e a emoção. Dylan Evans faz bem em recordar Mr. Spock, dos filmes Star Trek, como uma das incarnações deste mito romântico às avessas.

10 de Março de 2005   Filosofia da mente

Emoção e racionalidade

Tomás Magalhães Carneiro
Emotion, Evolution and Rationality
organizado por Dylan Evans e Pierre Cruse
Oxford: Oxford University Press, 2004, 267 pp.

Este livro reúne uma série de artigos de algumas das leading figures da investigação em ciência cognitiva acerca do papel das emoções no comportamento humano, em particular na racionalidade prática. Desde Platão até aos nossos dias a ideia dominante (sobretudo no ocidente) é de que as emoções são um entrave ao comportamento racional dos seres humanos...

1 de Janeiro de 1998   Filosofia da mente

O pensamento dos animais

Robert M. Martin
Traduzido e adaptado por Luís Filipe Bettencourt

Os cães são feitos de carne e osso como nós. Podem eles pensar? Podem atribuir significado às coisas através daquilo que “dizem”? Será que dizem alguma coisa? Poderão mentir? Serão demasiado honestos para isso? Tentar fornecer uma resposta séria a estas questões leva-nos a compreender algumas das complexidades do que significa para os seres humanos ter uma linguagem na qual mentir é possível.

11 de Janeiro de 2017   Filosofia da mente

Hebb e uma resposta negativa ao problema de Molyneux

Ronaldo Pimentel

Criador do termo “População neuronal” ou “Rede neural”, o psicólogo canadense Donald Hebb revolucionou o campo da psicofisiologia com tais noções. Perceber para Hebb é “treinar” reiteradamente uma rede neural no reconhecimento de um objeto, ou seja, pela experiência.

28 de Dezembro de 2004   Filosofia da mente

O paradigma reencontrado

Desidério Murcho
The Prehistory of the Mind: A Search for the Origins of Art, Religion and Science
de Steven Mithen
Phoenix, 1998, 480 pp.

Os leitores que se maravilharam com O Paradigma Perdido, de Edgar Morin (Europa-América), ou Os Dragões do Éden, de Carl Sagan (Gradiva), precisam de descobrir Steven Mithen. Jovem professor da Universidade de Reading, tem já no seu currículo vários artigos de investigação e dois livros muitíssimo influentes.

10 de Setembro de 2004   Filosofia da mente

Behaviorismo

Luiz Henrique de A. Dutra

Entre os filósofos e os psicólogos experimentais, o behaviorismo pode assumir duas posturas básicas, que vamos denominar behaviorismo crítico e behaviorismo programático. O behaviorismo crítico se opõe ao dualismo mentalista tradicional, a partir de Descartes, segundo o qual a mente humana é de outra natureza, diferente e independente do corpo.

11 de Novembro de 2004   Filosofia da mente

Intencionalidade, comunicação e cognição (e alguns pequenos problemas)

Luís Milman

Pretendo abordar o tema da intencionalidade e algumas de suas implicações, tarefa que, reconheço, não é das mais amenas em filosofia. Partirei assim da idéia-força de Franz Brentano sobre a natureza dos estados psicológicos, idéia em evidência junto à escola analítica desde a década de 60...

15 de Setembro de 2005   Filosofia da mente

Discussão vívida

Matheus Martins Silva
O Mistério da Consciência
de John R. Searle
Tradução de André Yuji Pinheiro Uema e Vladimir Safatle
São Paulo: Paz e Terra, 1998, 235 pp.

Na atualidade o estudo da consciência ocupa uma posição cada vez mais significativa em diversas áreas como a filosofia, psicologia, ciências cognitivas e neurociência. É nessa linha de estudo que nos deparamos com este excelente livro de filosofia da mente, baseado em uma série de artigos de John Searle, um dos mais influentes e prestigiados filósofos contemporâneos...

1 de Julho de 2016   Filosofia da mente

Conhecer a sua própria mente

Donald Davidson
Tradução de Luís M. S. Augusto

O tipo de indícios de que nos servimos para inferir aquilo que os outros pensam não é nenhum segredo: observamos as suas acções, lemos as suas cartas, estudamos-lhes as expressões, ouvimos aquilo que dizem, ficamos a saber as suas histórias e observamos as suas relações com a sociedade.

14 de Dezembro de 2009   Filosofia da mente

A teoria representacional da mente

Vítor Pereira

A teoria representacional da mente pressupõe erroneamente que todos os estados mentais são intencionais. Mas há estados mentais, como dores e emoções, que claramente não o são. Se considerarmos a parte cognitiva da mente (estados mentais como crenças, desejos, intenções — as chamadas atitudes proposicionais), a teoria representacional da mente parece estar bem: esses estados são intencionais.

Materialismo

3 de Julho de 2016   Filosofia da mente

O tempo e o observador

O onde e o quando da consciência no cérebro
Daniel C. Dennett & Marcel Kinsbourne
Tradução de Luís M. S. Augusto

Quando os avanços científicos vão contra as intuições do “senso comum”, as ideias a que nos habituámos subsistem frequentemente, não só para além da sua utilidade ultrapassada, mas até mesmo confundindo os cientistas cujas descobertas as deviam ter destronado.

9 de Abril de 2010   Filosofia da mente

A mente de Dennett

Eduardo Benkendorf
A Mente Segundo Dennett
de João de Fernandes Teixeira
São Paulo: Perspectiva, 2008, 151 pp.

Eis um ótimo livro para o leitor brasileiro que procura uma primeira aproximação à filosofia da mente de Daniel Dennett. Os temas abordados são a mente, a consciência e a psicologia, formando, juntamente com a conclusão, os quatro capítulos do livro.

10 de Fevereiro de 2001   Filosofia da mente

A postura intencional

Desidério Murcho
Kinds Of Minds: Toward An Understanding Of Consciousness
de Daniel C. Dennett
Nova Iorque: Basic Books, 1997, 184 pp.

Dennett começa por dizer que é “um filósofo e não um cientista, e os filósofos são melhores a fazer perguntas do que a dar respostas […] Encontrar melhores perguntas e quebrar velhos hábitos e tradições de formulação de perguntas é uma parte muito difícil do grandioso projecto humano de nos compreendermos melhor a nós e ao mundo”.

9 de Março de 2006   Filosofia da mente

Fisicismo

Jaegwon Kim
Tradução de Vítor Guerreiro

O fisicismo é a doutrina de que tudo o que existe no mundo espácio-temporal é uma coisa física, e que toda a propriedade de uma coisa física ou é uma propriedade física ou uma propriedade que está de algum modo intimamente relacionada com a sua natureza física. Formulada assim, a doutrina é uma afirmação ontológica, embora tenha importantes corolários epistemológicos e metodológicos.

4 de Agosto de 2008   Filosofia da mente

Sobreveniência

Terence Horgan
Tradução de Vítor Guerreiro

A sobreveniência é uma relação de determinação, que amiúde se supõe verificar entre características físicas e características mentais. Em filosofia da mente, usa-se por vezes o conceito de sobreveniência para articular a tese do fisicismo.

17 de Abril de 2008   Filosofia da mente

O argumento da realização múltipla contra a teoria da identidade

Miguel Amen

A teoria da identidade mente-corpo floresceu brevemente nos anos cinquenta e princípios dos anos sessenta do século XX, e sofreu, ainda incipiente, um ataque de Putnam com o argumento da realização múltipla — ataque de tal forma brutal que muitos pensam que está moribunda senão mesmo morta e enterrada. Neste breve artigo quero apresentar ao leitor uma forma deste argumento.

Contra o materialismo

4 de Julho de 2010   Filosofia da mente

Intuições cartesianas e circularidade

Um exame do argumento de Kripke contra o materialismo tipo-tipo
Matheus Martins Silva

Em “Identity and Necessity” e Naming and Necessity, Saul Kripke apresenta argumentos contra três formas de materialismo...

27 de Setembro de 2004   Filosofia da mente

O argumento de Kripke contra o materialismo identitativo e a ilusão de contingência

Vítor Pereira

O argumento de Kripke contra o materialismo tipo-tipo é um argumento contra a tese segundo a qual os tipos mentais são idênticos a tipos físicos (por exemplo, a dor é oscilação no tálamo cortical. O que exemplifica a propriedade de ser uma dor exemplifica necessariamente a propriedade de ser uma oscilação no tálamo cortical).

15 de Março de 2011   Filosofia da mente

O que Mary não sabia

Frank Jackson
Tradução de Ricardo Miguel

Mary está fechada num quarto preto e branco, é educada por meio de livros a preto-e-branco e de aulas transmitidas numa televisão a preto-e-branco. Deste modo, aprende tudo o que há para conhecer sobre a natureza física do mundo.

2 de Julho de 2016   Filosofia da mente

O enigma da experiência consciente

David J. Chalmers
Tradução de Luís M. S. Augusto

A experiência consciente é ao mesmo tempo a coisa que melhor conhecemos no mundo e a mais misteriosa. Não há nada que conheçamos de forma mais directa do que a consciência mas é incrivelmente difícil conciliá-la com o resto dos nossos conhecimentos. Porque é que existe? O que faz? Como é possível que nasça de processos neuronais no cérebro?

1 de Novembro de 2006   Filosofia da mente

Um dualista desafortunado

Raymond F. Smullyan
Tradução de Jônadas Techio

Era uma vez um dualista. Ele acreditava que a mente e a matéria são substâncias separadas. Como é que interagiam ele não alegava saber — este era um dos “mistérios” da vida. Mas estava seguro de que eram substâncias realmente separadas.

22 de Setembro de 2004   Filosofia da mente

Como é ser um morcego?

Thomas Nagel
Tradução de Luís M. S. Augusto

A consciência é o que faz do problema da relação mente-corpo um problema verdadeiramente intratável. É por essa razão, talvez, que as discussões mais recentes acerca do problema da relação mente-corpo lhe dão tão pouca importância ou o deturpam de uma forma evidente.

Neurobiologia

10 de Fevereiro de 1998   Filosofia da mente

O mistério da mente

Desidério Murcho

Os problemas da filosofia da mente e das ciências da cognição são hoje em dia extremamente estimulantes por procurarem estudar fenómenos que até há pouco tempo muitas pessoas consideravam que estavam para além do alcance da ciência.

22 de Dezembro de 2011   Filosofia da mente

Mente e materialismo

Bruno Angeli Faez
Psicologia e Neurociência: Uma Avaliação da Perspectiva Materialista no Estudo dos Fenômenos Mentais
de Saulo de Freitas Araújo
Juiz de Fora: UFJF, 2011, 94 pp., 2.a ed.

Os avanços em neurociência e ciência cognitiva das últimas décadas sugeriam inicialmente que em breve resolveríamos (ou dissolveríamos) completamente o antigo problema filosófico das relações entre corpo e mente. No entanto, a “década do cérebro” (1990–1999) encerrou-se sem satisfazer as promessas e as esperanças mais básicas que a animavam.

27 de Outubro de 2004   Filosofia da mente

Com o cérebro em mente

Pedro Galvão
The Human Brain: A Guided Tour
de Susan A. Greenfield
Basic Books, 1998, 176 pp.

Susan Greenfield é professora de Farmacologia, Medicina e Física em três universidades inglesas, tem-se afirmado como uma neurocientista de relevo e ainda consegue encontrar tempo para a divulgação científica. Além de ter realizado em 1994 as célebres Royal Institution Christmas Lectures, fundadas por Michael Faraday, nos anos seguintes deu regularmente conferências introdutórias sobre o cérebro.

10 de Fevereiro de 1998   Filosofia da mente

Sair do provincianismo

Desidério Murcho
O Sentimento de Si
de António Damásio
Tradução de M. F. M revista pelo autor
Europa-América, 2000, 424 pp.

O último livro de António Damásio é já um enorme sucesso entre nós: numa semana venderam-se 10 mil exemplares, ultrapassando todas as expectativas. Isto é curioso porque não se trata de um livro acessível ao grande público...

3 de Julho de 2016   Filosofia da mente

Poderá a neurobiologia ensinar-nos alguma coisa acerca da consciência?

Patricia Smith Churchland
Tradução de Luís M. S. Augusto

Os sistemas nervosos humanos apresentam um número impressionante de capacidades complexas nas quais se incluem percepcionar, aprender e recordar, planear, decidir, praticar acções, bem como as capacidades de estar desperto, adormecer, sonhar, prestar atenção e estar consciente.