Ética

28 de Abril de 2019 ⋅ Ética

Na Torre de Marfim do ensino superior

Nem gremlins nem poltergeists
Jason Brennan e Philip Magness
Tradução de Desidério Murcho

Pensamos que o ensino superior tem vários defeitos morais sérios. Do ponto de vista da ética dos negócios, a universidade média faz a Enron parecer uma santa. Os problemas das universidades são profundos e fundamentais: a maior parte das técnicas de vendas das universidades é semifraudulento, as notas são em grande parte destituídas de sentido, os estudantes não estudam nem aprendem grande coisa...

6 de Março de 2019 ⋅ Ética

Natureza, contexto e cultura

José Costa Júnior
Comportamento: A Biologia Humana no Nosso Melhor e Pior
de Robert M. Sapolsky
Tradução de Giovane Salimena e Vanessa Bárbara.
Lisboa: Temas e Debates, 2018, 864 pp.

As investigações e os debates acerca da compreensão que temos de nós mesmos enquadra-se no âmbito da antropologia. Desenvolvidas tanto em termos filosóficos, com análises e definições conceituais e a priori, quanto em termos científicos, a partir de práticas empíricas e observacionais, as investigações antropológicas buscam compreender o que somos.

29 de Janeiro de 2019 ⋅ Ética

Mães-tigre, ou mães-elefante?

Daiane Martins Rocha
Ética no Mundo Real: 82 Breves Ensaios sobre Coisas Realmente Importantes
de Peter Singer
Tradução de Desidério Murcho
Lisboa e São Paulo: Edições 70, 2018, 390 pp.

Peter Singer reúne neste livro 82 ensaios previamente publicados em diversos jornais ao longo de alguns anos, abordando temas éticos cotidianos como a noção de progresso moral, a discussão acerca da existência de Deus e o sofrimento no mundo, a defesa do veganismo, a santidade da vida, a bioética e saúde pública, o sexo e o gênero, a felicidade, a política, a ciência e a tecnologia, entre outros.

31 de Dezembro de 2018 ⋅ Ética

Antropologia filosófica

Matheus Silva

A antropologia filosófica é a subárea da filosofia que trata da natureza mais fundamental dos seres humanos. A natureza humana é o conjunto de características que os seres humanos têm independentemente da influência cultural.

28 de Dezembro de 2018 ⋅ Ética

Natureza humana e ciência política

Christopher Berry
Tradução de Matheus Silva

A relação entre fatos e valores pode ser apresentada na forma de um dilema. Se, por um lado, a natureza humana é uma questão de descrição factual (o que é) então como tal não pode prescrever (o que deve ser). Anthony Quinton afirma essa posição claramente: “a natureza dos homens é o conjunto das características definidoras em virtude das quais as coisas que as têm são identificadas como homens”.

4 de Setembro de 2018 ⋅ Ética

Escapando das tragédias da moralidade comum

José Costa Júnior
Tribos Morais: A Tragédia da Moralidade do Senso Comum
de Joshua Greene
Tradução de Alessandra Bonrruquer
Rio de Janeiro: Record, 2018, 490 pp.

O debate sobre a moralidade do aborto voltou a ocupar a atenção pública com destaque no Brasil e na Argentina. Grandes manifestações ocuparam as ruas de Buenos Aires, com o objetivo de pressionar os representantes políticos a votarem favoravelmente pelo projeto de lei que torna legal o aborto até à 14.ª semana de gestação — a pena é de quatro anos de prisão para mulheres que abortam naquele país.

25 de Setembro de 2006 ⋅ Ética

Teremos mais deveres para com os nossos?

Ricardo Almeida

Sócrates — Bom dia, meu caro Kyrillos. Então, já pela praça do mercado, tão cedo?

Kyrillos — É verdade, Sócrates. Sabes como se costuma dizer, começar o dia com o nascer do Sol é meio caminho andado para um percurso saudável!

Sócrates — Tens toda a razão. Admiro-te por isso!

15 de Janeiro de 2016 ⋅ Ética

Toda a gente faz o mesmo

Álvaro Nunes

Há algum tempo assisti a uma conversa entre professoras, em que uma delas pedia às outras que requeressem às editoras os manuais adoptados na escola e que o filho iria usar este ano lectivo. O facto nada tem de invulgar. Ocorrem episódios semelhantes todos os anos por todas as escolas.

20 de Maio de 2007 ⋅ Ética

Sobre “Deus” e “bom”

Iris Murdoch
Tradução de Ronai Rocha

Fazer filosofia é explorar o próprio temperamento e ainda, ao mesmo tempo, tentar descobrir a verdade. Parece-me que há um vazio na filosofia moral dos dias de hoje. Áreas que são periféricas à filosofia se expandem (psicologia, teoria política e social) ou desmoronam-se (religião) sem que a filosofia seja capaz, em um caso, de enfrentar, e no outro, de resgatar os valores envolvidos.

16 de Março de 2005 ⋅ Ética

Ética e niilismo

Desidério Murcho
Being Good: A Short Introduction to Ethics
de Simon Blackburn
Oxford: Oxford University Press, 2002, 172 pp.

Lamenta-se por vezes que a filosofia do século XX seja muito “escolástica” e técnica, ao contrário do que acontecia no tempo de Descartes e Hume, que escreviam com uma felicidade de estilo e uma ausência de gíria académica atraentes para o grande público. Mas a verdade é que hoje há muitos filósofos que escrevem com a mesma felicidade de estilo e que por isso são igualmente adequados para o leitor comum.

31 de Dezembro de 2005 ⋅ Ética

A síndrome da proibição

Desidério Murcho
Legalize This! The Case for Decriminalizing Drugs
de Douglas Husak
Londres: Verso, 2002, 207 pp.

Douglas Husak é professor de filosofia e direito na universidade de Rutgers (EUA), e é o autor de Drugs and Rights (1992) e Philosophy of Criminal Law (1987). Neste pequeno livro, apresenta os principais argumentos e dados relativos ao problema da legalização das drogas.

18 de Julho de 2006 ⋅ Ética

Investigação em células estaminais, pessoa e senciência

Lisa Bortolotti e John Harris
Tradução de Claudino Caridade

Neste ensaio defende-se a permissibilidade da investigação em células estaminais nos embriões humanos na sua fase inicial. Sustenta-se que, para ter um estatuto moral, um indivíduo tem de ter interesse no seu próprio bem-estar. A senciência é um pré-requisito para ter interesse em evitar a dor e ser uma pessoa é um pré-requisito para ter um interesse na continuação da sua própria existência.

5 de Junho de 2006 ⋅ Ética

Dois mil anos de discussão filosófica

Matheus Martins Silva
Ética
de Maria de Lourdes Borges, Darlei Dall’Agnol e Delamar Volpato
Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2002, 144 pp.

As livrarias brasileiras estão repletas de péssimos livros introdutórios de filosofia, e a situação é ainda pior quando o tema é a ética. É por isso que as raras e honrosas exceções no nosso mercado editorial merecem toda a divulgação que podemos oferecer. É este o caso de Ética, uma pequena jóia introdutória que atinge de maneira simples e despretensiosa os melhores padrões de excelência acadêmica.

30 de Dezembro de 2005 ⋅ Ética

Às compras no supermercado genético

Peter Singer
Tradução de Claudino Caridade

O supermercado genético de Nozick chegou nas asas dos anjos, trazido até nós por Ron Harris, o fundador do rosangels.com. Como devemos corresponder a esta e outras opções com que em breve seremos confrontados? Para nos ajudar a responder a estas perguntas, começarei por examinar uma técnica que já existe há algum tempo, mas que tem o efeito de mudar a natureza das crianças.

24 de Março de 2005 ⋅ Ética

Activismo inteligente

Desidério Murcho
Ethics into Action: Henry Spira and the Animal Rights Movement
de Peter Singer
Rowman & Littlefield, 2000, 240 pp.

Esta obra é uma espécie de biografia de Henry Spira, o activista norte-americano que conseguiu pela primeira vez ganhar alguns pontos na luta pelos direitos dos animais não humanos — luta que tinha sido até então completamente infrutífera. Mas não se trata realmente de uma biografia...

23 de Agosto de 2017 ⋅ Ética

Wiggins sobre a solidariedade humana

Thomas Nagel
Tradução de Desidério Murcho
Ethics: Twelve Lectures on the Philosophy of Morality
de David Wiggins
Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2006

Neste livro, David Wiggins propõe-se descrever a moralidade como um fenómeno humano de uma maneira que evita a irrealidade que ele vê na maior parte da teoria ética contemporânea. “O que uma filosofia moral completamente amadurecida poderia procurar fazer”, escreve, “é oferecer uma explicação da moralidade que inclua o leque completo das dificuldades morais”.

28 de Janeiro de 2007 ⋅ Ética

Repensar problemas éticos

Desidério Murcho
Rethinking Life and Death: The Collapse of Our Traditional Ethics
de Peter Singer
Oxford: Oxford University Press, 1995, 264 pp.

Peter Singer é um dos mais reputados especialistas em ética aplicada. Dele estão publicados em Portugal vários títulos: Ética Prática (Gradiva), Libertação Animal (Via Óptima), Um só Mundo (Gradiva) e Como Havemos de Viver? (Dinalivro). A sua lucidez e clareza de exposição tornam-no recomendável não apenas para estudantes mas também para o grande público.

23 de Agosto de 2004 ⋅ Ética

A resposta de Confúcio ao problema dos direitos humanos

André Bueno

À primeira vista, pode parecer anacrônico tentar responder a um problema dos direitos humanos, que consideramos “moderno”, com a visão de um autor “clássico” como Confúcio. Como veremos, existe uma série de motivos para acreditarmos que o problema dos direitos humanos seja mais antigo do que pensamos...

24 de Julho de 2004 ⋅ Ética

Ética para o povo

Desidério Murcho
A Companion to Ethics
org. por Peter Singer
Oxford: Blackwell, 1993, 592 pp.

Este é o tipo de obra que valia mesmo a pena traduzir — sobretudo agora que se adivinha mais um debate nacional, desinformado e meramente ideológico, sobre o aborto. O volume, em sete partes, é constituído por quase cinquenta artigos de cerca de uma dezena de páginas, redigidos por vários especialistas.

12 de Fevereiro de 2005 ⋅ Ética

Filosofia e literatura

Desidério Murcho
The Moral Life: An Introductory Reader in Ethics and Literature
org. por Louis P. Pojman
Oxford: Oxford University Press, 2003, 1004 pp.

“A imaginação apaixonada da literatura é cega sem a cabeça fria da filosofia, mas a cabeça fria da filosofia é estéril e tão frígida quanto um “iceberg” sem as paixões da vida, transmitidas na literatura”, podemos ler no Prefácio do organizador a esta interessante colectânea.

7 de Novembro de 2005 ⋅ Ética

A ética da crença

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

William Clifford, matemático e filósofo britânico do século XIX, escreveu um ensaio sobre a ética da crença que começava com a história de um armador prestes a enviar um navio cheio de emigrantes para o mar. Ele sabia que o navio era velho e precisava de reparações, por isso tinha dúvidas quanto às suas condições de navegação e perguntava-se se deveria suportar a despesa de o consertar...

11 de Dezembro de 2004 ⋅ Ética

A ética de Bush

Desidério Murcho
The President of Good & Evil: Questioning The Ethics of George W. Bush
de Peter Singer
Plume Books, 2004, 280 pp.

George W. Bush gosta de usar termos éticos nos seus discursos; fala de bem e de mal, de certo e de errado, de ser bom ou mau. Evidentemente, muitas pessoas tomam isto como mera retórica política, usada para cativar os fundamentalistas cristãos americanos. Peter Singer, todavia, opta por levar a sério as afirmações do presidente...

10 de Fevereiro de 2009 ⋅ Ética

Riqueza e a vida boa

Lucas Miotto Lopes
Sobre Ética e Economia
de Amartya Sen
Tradução de Laura Teixeira Motta
São Paulo: Companhia das Letras, 1999, 144pp.

Nos tempos de crise econômica os meios de informação ficam abarrotados de estudos empíricos, suposições de causas incertas, conjecturas de especialistas e dos que arriscam palpites ao vento a fim de demonstrar sua pseudo-erudição. São, como muitos dizem, tempos de oportunidades, tempos de mudança. Mas oportunidades do quê? Mudanças do quê?

10 de Setembro de 2007 ⋅ Ética

Ética prática

Faustino Vaz

A ética prática é uma disciplina recente. É apenas no início dos anos setenta que é lançada a primeira revista e publicada a primeira antologia de ética prática. Na altura, estes sinais de vida não transformaram subitamente esta disciplina numa possibilidade académica séria. No entanto, é errado pensar que a ética prática não faz parte de uma longa tradição.

23 de Dezembro de 2003 ⋅ Ética

Ética sem moralismos

Pedro Galvão
Elementos de Filosofia Moral
de James Rachels
Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves
Lisboa: Gradiva, Janeiro de 2004, 316 pp.

Fazia muita falta uma introdução decente à ética ou filosofia moral nas livrarias portuguesas. E esta introdução de James Rachels não é meramente decente: entre os livros do género, nenhum obteve maior reconhecimento e poucos podem rivalizar com o seu sucesso editorial.

22 de Maio de 2005 ⋅ Ética

A ética e o presidente

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

George W. Bush não só é o presidente da América como também o seu mais importante moralista. Não há memória de outro presidente ter falado tão frequentemente sobre bem e mal, correcto e incorrecto. O seu discurso de tomada de posse constituiu um apelo à construção de “uma só nação de justiça e oportunidades”.

25 de Julho de 2010 ⋅ Ética

A quem fazer o bem?

Faustino Vaz

Beauchamp e Childress afirmam que o princípio da beneficência apoia um conjunto de obrigações morais. Uma delas, a segunda de uma lista, é a de “impedir que os outros sofram dano” (2009: 199). A justificação adequada para estas obrigações de beneficência baseia-se naquilo a que se poderia chamar “modelo da reciprocidade”.

8 de Maio de 2010 ⋅ Ética

Podem os socialistas ser felizes?

George Orwell
Tradução de Desidério Murcho

Pensar no Natal faz pensar quase automaticamente em Charles Dickens, e por duas boas razões. Para começar, Dickens é um dos poucos escritores ingleses que escreveu efectivamente sobre o Natal. O Natal é a mais popular das festividades inglesas, mas produziu apesar disso e surpreendentemente pouquíssima literatura.

19 de Março de 2002 ⋅ Ética

O que é um dilema moral?

Walter Sinnott-Armstrong
Tradução de Desidério Murcho

Num dado uso, um dilema moral é qualquer problema em que a moralidade seja relevante. Este uso lato inclui não apenas conflitos entre razões morais, mas também conflitos entre razões morais e razões legais, religiosas ou relacionadas com o interesse próprio.

8 de Agosto de 2004 ⋅ Ética

A ética empresarial

Robert C. Solomon
Tradução de Alexandra Abranches

A ética empresarial ocupa uma posição peculiar no campo da ética “aplicada”. Tal como os seus equivalentes em profissões como a medicina e o direito, consiste numa aplicação duvidosa de alguns princípios éticos muito gerais (“dever” ou “utilidade”, por exemplo) a situações e crises bastante específicas e muitas vezes únicas.

1 de Fevereiro de 2017 ⋅ Ética

Debilidade moral

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

Até aqui vínhamos examinando nossas reconstruções rivais da moralidade para ver até que ponto podem explicar a motivação moral. Uma teoria que não consegue oferecer uma reconstrução satisfatória de como nossas convicções morais encontram sua expressão na ação há que ser rejeitada.

19 de Março de 2002 ⋅ Ética

A pena de morte

Desidério Murcho

O mundo ocidental vive no sistema judicial mais tolerante de sempre. A pena de morte foi banida da maior parte das sociedades democráticas, ou existe apenas como figura jurídica que nunca se aplica. Os movimentos contra a pena de morte ganharam a causa, a discussão acabou e vingou um certo senso comum que encara a pena de morte como um arcaísmo ultrapassado.

3 de Fevereiro de 2018 ⋅ Ética

Levar (a ética de) o humor a sério, mas não demasiado

David Benatar
Tradução de Hélio S. C. Carneiro

O humor merece consideração moral séria. No entanto, é muito frequentemente levado demasiado a sério. Neste artigo defende-se que, embora seja por vezes anti-ético, o humor é muito menos frequentemente errado do que muitas pessoas pensam. As críticas não-contextuais, que afirmam que certos tipos de humor são sempre errados, serão rejeitadas.

29 de Novembro de 2009 ⋅ Ética

Será moralmente permissível tornar os bebés mais inteligentes?

Faustino Vaz

A ética do incremento, seja ele reprodutivo ou não, é o assunto deste artigo. O debate tem uma estrutura que se espera simples. Em primeiro lugar, serão apresentados e discutidos os argumentos a favor do incremento; em seguida, será a vez de submeter à avaliação crítica os argumentos contra o incremento.

31 de Julho de 2015 ⋅ Filosofia política

Guerra e paz

Jeff McMahan
Tradução de Álvaro Nunes

O pensamento dos ideólogos sobre questões de guerra e paz, tal como dos intelectuais cujo trabalho é mais influente no processo de decisão política, baseia-se normalmente num sistema de suposições que são em larga medida amorais. Considera-se que os problemas têm uma natureza “prática”: compara-se as opções políticas apenas em função das suas consequências previstas...

16 de Janeiro de 2016 ⋅ Ética

Dilemas morais e responsabilidade

Gerry Wallace
Tradução de Pedro Galvão

Os dilemas morais parecem oferecer uma maneira de testar duas das teorias morais mais importantes: o utilitarismo e o absolutismo moral. Quando falo de “absolutistas morais” refiro-me àqueles que defendem que há pelo menos uma regra moral simples e que não admite excepções, como “é sempre errado matar pessoas inocentes/quebrar promessas/dizer mentiras, etc”.

24 de Janeiro de 2004 ⋅ Ética

Um princípio moral acerca de matar

Richard Brandt
Tradução de Vítor João Oliveira

Um dos Dez Mandamentos afirma: “Não matarás”. O mandamento não especifica nenhum objecto para o verbo, mas a visão católica tradicional tem defendido que o objecto próprio seria “seres humanos inocentes” (em caso de extrema necessidade), sendo “inocente” tomado no sentido em que se excluem pessoas condenadas a penas capitais ou envolvidas numa acção injusta com a finalidade de matar...

21 de Setembro de 2003 ⋅ Ética

O quebra-cabeças da ética

Peter Singer
Tradução de Desidério Murcho

Seria fácil pensar que a ética é uma área na qual, desde a antiguidade, os proponentes de ideias opostas se têm ocupado de disputas sem fim sem perspectivas de solução. Afinal de contas, não é verdade que cada cultura tem a sua própria tradição ética, irremediavelmente oposta a todas as outras?

26 de Março de 2011 ⋅ Ética

A sabedoria da repugnância

Leon R. Kass
Tradução de Vítor João Oliveira

“Ofensivo”, “grotesco”, “revoltante”, “repugnante” e “repulsivo” — são estas as palavras que comummente se ouve relativamente à possibilidade de clonar seres humanos. Estas reacções vêm tanto do homem e da mulher comuns como dos intelectuais, de crentes e ateístas, de humanistas e de cientistas. Mesmo o criador da Dolly disse que “consideraria ofensivo” criar um clone de um ser humano.

5 de Março de 2004 ⋅ Ética

Teorias sobre a ética

Hugh LaFollette
Tradução de Desidério Murcho

Ao decidir como agir, somos muitas vezes confrontados com incertezas, confusões ou conflitos entre as nossas inclinações, desejos ou interesses. As incertezas, confusões e conflitos podem surgir mesmo que a nossa única preocupação seja promover o nosso interesse próprio.

27 de Novembro de 2009 ⋅ Ética

Ética e direitos humanos

Desidério Murcho

Um dos papéis públicos da filosofia é esclarecer confusões comuns. Uma dessas confusões formula-se rapidamente na forma de uma contradição: ao mesmo tempo que é comum considerar-se que “os valores são relativos” (às culturas, por exemplo, ou ao contexto histórico) é também comum defender a universalidade dos direitos humanos...

28 de Fevereiro de 2008 ⋅ Ética

O filósofo proibido

Desidério Murcho
Escritos Sobre Uma Vida Ética
de Peter Singer
Tradução de Pedro Galvão, Maria Teresa Castanheira e Diogo Fernandes
Lisboa: Dom Quixote, 2008, 360 pp.

O mais recente livro de Peter Singer publicado em Portugal é uma recolha de diversos trabalhos seus que procuram apresentar a totalidade do seu pensamento. O livro foi publicado em resposta aos protestos que se seguiram aquando da sua contratação pela Universidade de Princeton.

Aborto

26 de Janeiro de 2007 ⋅ Ética

Uma defesa do argumento de Marquis contra o aborto

Pedro Galvão

Será o aborto eticamente permissível? Na defesa mais comum de uma resposta negativa para esta questão, obtém-se a conclusão de que o aborto é impermissível ou errado a partir de duas premissas: (1) Se os fetos têm o direito moral à vida, então o aborto é errado; (2) Os fetos têm o direito moral à vida.

28 de Janeiro de 2005 ⋅ Ética

Aborto

Peter Singer
Tradução de Faustino Vaz

Os seres humanos desenvolvem-se gradualmente no interior do corpo das mulheres. A morte de um óvulo humano acabado de fertilizar não parece ser o mesmo que a morte de uma pessoa. Todavia, não existe uma fronteira óbvia entre o feto que se desenvolve gradualmente e o ser humano adulto. Logo, o aborto levanta uma questão ética difícil.

3 de Junho de 2007 ⋅ Ética

Quando começa a vida?

Alcino Eduardo Bonella

Este artigo é uma contribuição à discussão apresentada na Corte Suprema (o Supremo Tribunal Federal, STF) do Brasil, ocorrida em abril de 2007. Alguns argüidores perguntaram coisas do tipo: Se a vida começa depois da concepção, o que aconteceu antes não era vivo e nem humano? Senão na concepção, quando a vida de um novo indivíduo começaria, sem nos tornarmos arbitrários nesta estipulação?

2 de Março de 2004 ⋅ Ética

Argumentos sobre o aborto

Pedro Madeira

Em cada uma das quatro primeiras secções menciono um mau argumento usado pelos defensores da legalização do aborto e um mau argumento usado pelos opositores da legalização do aborto. Tento fornecer uma análise tanto quanto possível imparcial de todos os argumentos, de modo a que não seja possível perceber-se qual é a minha posição acerca do assunto.

8 de Março de 2004 ⋅ Ética

Aborto

Mary Anne Warren
Tradução de Tomás Magalhães Carneiro

Será que as mulheres têm o direito de interromper uma gravidez não desejada? Ou estará o estado habilitado (senão mesmo eticamente obrigado) a proibir o aborto intencional? Deverão alguns abortos ser permitidos enquanto outros não? O estatuto legal do aborto decorre directamente do seu estatuto moral?

1 de Fevereiro de 2007 ⋅ Ética

Aborto, uma polémica de sempre

Ana Cristina Leonardo

“Um bebé não é um problema metafísico” foi uma frase que encheu as ruas de Paris, há cerca de 20 anos, durante uma campanha em prol da maternidade. Em Portugal, hoje, a discussão diz respeito ao aborto. Paula Teixeira da Cruz, do Movimento Voto Sim, afirmou que “não estamos a discutir nem a vida nem a morte.

4 de Fevereiro de 2009 ⋅ Ética

A moralidade de abortar: um outro nível de discussão

José Manuel Fernandes
A Ética do Aborto: Perspectivas e Argumentos
org. de Pedro Galvão
Tradução e introdução de Pedro Galvão
Lisboa: Dinalivro, 2005, 199 pp.

A discussão tradicional sobre o aborto raramente sai de trincheiras muito rasteiras e, sobretudo, quase nunca aborda as questões éticas e morais que a decisão de interromper a gravidez coloca. Debate-se o “direito à vida” contra o “direito ao corpo”, discute-se — por regra de forma pouco informada — a biologia do desenvolvimento do feto, fala-se de saúde pública, ou de terminar com o flagelo...

Animais não-humanos

5 de Março de 2018 ⋅ Ética

Diálogos sobre o vegetarianismo ético

Michael Huemer
Tradução de Israel Vilas Bôas

Dois estudantes de filosofia, C e V, discutem a ética do consumo de carne. Argumentos comuns dos dois lados são avaliados, com ênfase no argumento de que o consumo de carne é errado porque apoia a crueldade extrema. C e V também lidam com questões como as seguintes: de que maneira as intuições em conflito devem ser pesadas; se o consumo de carne é equiparável à participação no Holocausto...

21 de Novembro de 2006 ⋅ Ética

Ética e touradas

António Maria Pereira

O movimento universal de protecção dos animais corresponde a uma exigência ética e cultural universal, consagrada na Declaração Universal dos Direitos do Animal (1978), em numerosas convenções internacionais e em centenas de leis, incluindo leis constitucionais, dos países mais adiantados.

3 de Abril de 2007 ⋅ Ética

Angústia para o jantar?

Desidério Murcho
Como Comemos: Por que as Nossas Escolhas Alimentares Fazem a Diferença
de Jim Mason e Peter Singer
Tradução de Isabel Veríssimo
Lisboa: D. Quixote, 2008, 400 pp.

Muitas tradições religiosas impõem restrições quer quanto ao tipo de produtos que se pode consumir, quer quanto ao modo de os preparar. Os muçulmanos não comem carne de porco, por exemplo, e alguns budistas são vegetarianos. Na filosofia da Grécia antiga, Pitágoras (580–500 a.C.) ficou famoso por insistir numa dieta vegetariana, tal como Empédocles (490–430 a.C.).

30 de Agosto de 2006 ⋅ Ética

Análise primorosa

Maria Cecília Maringoni de Carvalho
Por uma Questão de Princípios: Alcance e Limites da Ética de Peter Singer em Defesa dos Animais
de Sônia Felipe
Florianópolis: Fundação Boiteux, 2003, 211 pp.

Neste seu livro — o primeiro de uma trilogia, que tem por foco o estatuto moral dos animais não-humanos — Sônia Felipe vem resgatar uma dívida que nós humanos temos para com os outros animais, em razão de termos — ao longo dos séculos — nos comportado frente a eles como se existissem para nos servir e satisfazer nossos interesses e caprichos.

10 de Fevereiro de 2001 ⋅ Ética

Os animais e a filosofia

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

Quando Naomi desceu para tomar o pequeno-almoço, o pai já estava à mesa. Embora tenha uma tigela de muesli à frente, a sua atenção concentra-se numas folhas dactilografadas que estão sobre a mesa, ao seu lado. Para Naomi, o único aspecto bizarro desta cena é a intensidade com que o pai franze o sobrolho. Enche a sua própria tigela com muesli, cobre os cereais com leite de soja e quebra o silêncio.

19 de Março de 2002 ⋅ Ética

Vegetarianismo

Peter Singer
Tradução de Eliana Curado

A perspectiva de que devemos evitar comer carne ou peixe tem raízes filosóficas remotas. Nos Upanishades (c. 1000 a.C.), a doutrina da reencarnação levava à abstenção de carne; Buda ensinava a compaixão por todas as criaturas capazes de ter sensações; os monges budistas não podiam matar animais nem comer carne, a menos que soubessem que o animal não havia sido morto por sua causa.

29 de Julho de 2015 ⋅ Ética

Direitos dos animais e erros dos humanos

Hugh LaFollette
Tradução de Miguel Moutinho

Haverá limites para o modo como os seres humanos podem tratar legitimamente os animais não-humanos? Ou podemos tratá-los de qualquer maneira que nos agrade? Se há limites, quais são? São suficientemente fortes, como algumas pessoas supõem, para nos levarem a ser vegetarianos e a diminuir, se não mesmo eliminar, o nosso uso de animais não-humanos em experiências “científicas”?

23 de Fevereiro de 2016 ⋅ Ética

Não temos deveres directos em relação aos animais

Immanuel Kant
Tradução de Pedro Galvão

Baumgarten fala de deveres em relação aos seres que estão acima de nós e de deveres em relação aos seres que estão abaixo de nós. Mas não temos quaisquer deveres directos no que diz respeito aos animais. Os animais não têm consciência de si e existem apenas como meio para um fim. Esse fim é o homem. Podemos perguntar “Por que razão existem os animais?”.

31 de Outubro de 2004 ⋅ Ética

Somos todos animais

Desidério Murcho
Animal Rights: A Very Short Introduction
de David DeGrazia
Oxford: Oxford University Press, 2002, 131 pp.

Somos todos animais. Séculos de preconceito, contudo, iludem esta verdade simples e fazem de nós estranhos numa terra estranha, seres do além aprisionados no aquém. Wittgenstein afirmou que se um leão falasse, não o poderíamos compreender — e condensou numa breve frase o preconceito humano por excelência: somos não apenas diferentes, mas radicalmente diferentes.

25 de Fevereiro de 2005 ⋅ Ética

Abandonar o antropocentrismo

Sônia T. Felipe
Empty Cages: Facing the Challenge of Animal Rights
de Tom Regan
Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2005, 224 pp.

A experiência política de luta em defesa dos direitos animais e os argumentos éticos que a sustentam nas três décadas mais recentes da história euro-americana podem ser conhecidos em sua coerência e clareza de propósitos no livro Empty Cages, do filósofo moral norte-americano Tom Regan. Publicado em 2005 pela Rowman & Littlefield...

19 de Março de 2002 ⋅ Ética

Compreender a igualdade

Desidério Murcho
Libertação Animal
de Peter Singer
Trad. de Maria de Fátima St. Aubyn
Via Optima, 2000, 290 pp.

O livro tem 6 capítulos, dois prefácios (referentes às edições de 1975 e de 1990), três apêndices e várias fotografias ilustrativas do modo como os animais são tratados. Os apêndices apresentam uma útil bibliografia comentada, indicações que ajudam a viver sem pactuar com a crueldade para com os animais, e ainda uma listagem de organizações que lutam contra o modo como tratamos os animais.

10 de Setembro de 2015 ⋅ Ética

O vegetarianismo como obrigação ética

Miguel Moutinho

Fundamentalmente, há três possíveis vias de argumentação a favor do vegetarianismo: 1) O respeito pelos animais não-humanos; 2) A preservação do ambiente; e 3) O cuidado com a saúde. Só as duas primeiras vias de argumentação são de ordem ética e, por isso, são apenas essas que vou analisar.

15 de Julho de 2010 ⋅ Ética

Símios, humanos, alienígenas, vampiros e robôs

Colin McGinn
Tradução de Ricardo Miguel

Em criança, tendes a considerar garantida a tua posição na vida, escrita na ordem natural das coisas. Nasceste, digamos, numa família branca de classe média, levas uma vida desafogada, de boa saúde e sem qualquer preocupação específica. Tens direitos e privilégios, e estes são geralmente respeitados. Não estás a passar fome, aprisionado ou escravizado. Passas férias agradáveis.

10 de Fevereiro de 2001 ⋅ Ética

As fronteiras da ética

O debate Cohen/Regan sobre o estatuto moral dos animais
Pedro Galvão

A minha contribuição para este colóquio resulta sobretudo da leitura de um livro que foi publicado no ano passado. O livro chama-se The Animal Rights Debate e tem dois autores: um deles é Tom Regan, que dispensa apresentações; o outro é Carl Cohen, um crítico da perspectiva de Regan que se tem destacado como defensor da experimentação animal.

Clonagem

14 de Março de 2011 ⋅ Ética

O estatuto moral da clonagem humana

Michael Tooley
Tradução de Vítor João Oliveira

Enfrentemos a questão de saber se o uso da clonagem para produzir uma pessoa é, em princípio, moralmente aceitável ou não. Nesta secção, concentrar-me-ei na questão de saber se a clonagem, usada desse modo, é intrinsecamente errada. Depois, na secção seguinte, procurarei saber se a clonagem para produzir pessoas tem necessariamente consequências que a tornem moralmente errada.

11 de Março de 2011 ⋅ Ética

Por que me oponho à clonagem humana?

Jeremy Rifkin
Tradução de Vítor João Oliveira

Até agora, o debate sobre a clonagem e as células estaminais tem sido visto por Washington e pelos meios de comunicação como uma luta clássica entre facções conservadoras, activistas pró-vida e a Igreja Católica contra a comunidade científica e as forças progressistas, com os republicanos alinhados com um dos lados e os democratas com o outro.

29 de Março de 2011 ⋅ Ética

A pobreza das objecções à clonagem humana reprodutiva

John Harris
Tradução de Vítor João Oliveira

A Dolly, a ovelha favorita do planeta, nasceu a 5 de Julho de 1996 e morreu a 14 de Fevereiro de 2003 (descanse em paz). Desde então, inúmeras objecções têm sido apresentadas à ideia de usar o processo de clonagem que a criou para criar seres humanos.

12 de Março de 2005 ⋅ Ética

A ética da clonagem

Pedro Galvão
On Cloning
de John Harris
Londres: Routledge, 2004, 200 pp.

O filósofo John Harris, professor de bioética na Universidade de Manchester, escreve sobre os problemas colocados pela clonagem há mais de vinte anos. Harris é reconhecido como um especialista incontornável no assunto, mas tem sustentado consistentemente uma perspectiva muito impopular: pensa que a condenação ética da clonagem humana não passa de um preconceito indefensável.

12 de Março de 2011 ⋅ Ética

Clonagem: a objecção da manufactura

David Elliott
Tradução de Vítor João Oliveira

Se pensarmos bem, clonar um ser humano seria uma forma bastante simples, e todavia muitíssimo eficaz, de seleccionar um indivíduo com certas características genéticas. Outra forma de o fazer seria envolver-se em práticas de alquimia genética — terapia genética como diz agora (talvez eufemisticamente) — e tentar modificar o genoma de um indivíduo.

Egoísmo e altruísmo

4 de Abril de 2018 ⋅ Ética

Será o egoísmo empiricamente testável?

Elliott Sober
Tradução e adaptação de Vítor João Oliveira

Uma objecção filosófica tradicional apresentada ao egoísmo é que não é uma hipótese empiricamente testável. Como o exemplo do soldado na trincheira sugere, parece que o egoísmo pode incluir e explicar qualquer tipo de comportamento das pessoas, sejam elas boas ou más umas para as outras.

27 de Junho de 2015 ⋅ Ética

Por que ser uma boa pessoa?

Alan Dershowitz
Tradução de Eliana Curado

Para a maior parte das pessoas, a pergunta “por que ser bom?”, distinta do ato de simplesmente obedecer à lei, é simples: Deus ordena que sejamos bons, porque a Bíblia assim exige, porque as pessoas boas vão para o céu e as más vão para o inferno. A grande maioria deriva sua moralidade da religião, o que não significa dizer que todas as pessoas religiosas sejam morais, ou de bom caráter; longe disso.

27 de Março de 2016 ⋅ Ética

Altruísmo eficaz

Peter Singer
Tradução de José Oliveira

Está a surgir um movimento novo e emocionante: o altruísmo eficaz. Em seu torno estão a formar-se organizações estudantis e há discussões acaloradas nas páginas das redes sociais e dos sítios da Internet, bem como nas páginas do New York Times e do Washington Post.

23 de Julho de 2016 ⋅ Ética

Uma abordagem evolucionista do altruísmo

Elliott Sober
Tradução e adaptação de Vítor João Oliveira

A motivação psicológica é um mecanismo próximo no sentido em que o termo é usado na biologia evolucionista. Quando um girassol se volta para o Sol, tem de haver um mecanismo no seu interior que provoca esse movimento.

4 de Julho de 2016 ⋅ Ética

Egoísmo psicológico

Elliott Sober
Tradução e adaptação de Vítor João Oliveira

O egoísmo psicológico é uma teoria da motivação que afirma que todos os nossos desejos últimos se referem a nós mesmos. Sempre que queremos bem aos outros (ou mal), temos esses desejos que se referem aos outros apenas instrumentalmente; preocupamo-nos com os outros apenas porque pensamos que o seu bem-estar influenciará o nosso próprio bem-estar.

31 de Janeiro de 2017 ⋅ Ética

Motivação moral

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

Vimos que o não-cognitivista endossa a teoria da crença-desejo para a explicação da ação e que o realista (internista) a rejeita, ao menos quando é o caso de explicar a motivação moral. A questão entre os dois é: pode uma ação ser explicada recorrendo-se tão-somente a um estado cognitivo ou será que a explicação tem sempre que incluir um elemento não-cognitivo, um desejo?

23 de Novembro de 2016 ⋅ Ética

Viver para os outros?

José Oliveira
O Maior Bem que Podemos Fazer: Como o Altruísmo Eficaz está a Mudar as Ideias sobre Viver Eticamente
de Peter Singer
Tradução de Pedro Elói Duarte
Lisboa: Edições 70, 2016, 238 pp.

Quando nasci estavam a ser escritas as palavras que mais iriam influenciar a minha vida. Se alguma vez o poder da palavra se tornou claro para mim foi ao perceber um raciocínio que, de forma aparentemente tão simples, implicava uma mudança tão grande na maneira como nos relacionamos uns com os outros. Falo sobre o artigo “Fome, Riqueza e Moralidade”, de Peter Singer.

1 de Novembro de 2016 ⋅ Ética

Contra a desconfiança no altruísmo

Fernanda Belo Gontijo
Strangers Drowning: Grappling with Impossible Idealism, Drastic Choices, and the Overpowering Urge to Help
de Larissa MacFarquhar
Nova Iorque: Penguin, 2015, 336 pp.

Strangers Drowning, da jornalista Larissa MacFarquhar, não é um livro de filosofia, mas instiga intuições filosóficas importantes. O livro discute inúmeros exemplos concretos capazes de obrigar a rever os nossos preconceitos filosóficos acerca dos agentes morais altruístas, que usualmente são tão menosprezados por pessoas de temperamento mais individualista.

2 de Fevereiro de 2017 ⋅ Ética

Amoralismo e maldade

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

Vimos que as reconstruções de como as convicções morais nos motivam a agir, se apresentam em duas variantes: internista e externista. De acordo com a internista, as convicções morais de um agente, fornecem-lhe razões para agir e, assim, elas são capazes de motivá-lo a agir, sem a assistência de qualquer estado motivador adicional.

14 de Janeiro de 2016 ⋅ Ética

A possibilidade do altruísmo

Thomas Nagel
Tradução e adaptação de Vítor João Oliveira

Por altruísmo entendo não o auto-sacrifício abjecto, mas apenas a vontade para agir em consideração dos interesses das outras pessoas, sem necessidade de motivos ulteriores. Como é possível que tais considerações nos motivem efectivamente? Que tipo de sistema e que outros factores intervenientes serão necessários para justificar e explicar o comportamento que tem como objecto o benefício dos outros?

17 de Outubro de 2015 ⋅ Ética

Dois egoísmos

Pedro Galvão

Segundo a teoria do egoísmo psicológico, as pessoas agem sempre apenas em função do seu interesse pessoal. Segundo a teoria do egoísmo ético, as pessoas devem agir sempre apenas em função do seu interesse pessoal. Enquanto o egoísmo psicológico é uma teoria puramente descritiva sobre o comportamento humano, o egoísmo ético é uma teoria normativa.

20 de Junho de 2016 ⋅ Ética

Por que razão havemos de ser morais?

Faustino Vaz

O problema filosófico que vais estudar pode ser formulado através da seguinte questão: “Por que razão havemos de ser morais?” A resposta que intuitivamente darás é que desse modo viveremos melhor. Talvez a razão que apresentes seja que, se tivermos todos os homens em conta nas nossas escolhas, isso será bom para todos.

23 de Julho de 2016 ⋅ Ética

Da empatia

Adam Smith
Tradução e adaptação de Vítor João Oliveira

A piedade ou compaixão é a emoção que sentimos devido à miséria alheia, quando ou a vemos ou a concebemos de uma forma bastante vívida. Que amiúde sentimos piedade da dor alheia, é matéria de facto tão óbvia que não requer qualquer instância de prova; pois esse sentimento, como todas as outras paixões originais da natureza humana, não está de forma alguma confinada aos virtuosos...

Sentido da vida

28 de Janeiro de 2019 ⋅ Ética

Dando um sentido à vida de Sísifo

Anderson Silva Santos

Richard Taylor em seu ensaio “O Sentido da Vida”, afirma que saber se a vida tem sentido é uma questão de difícil interpretação que parece se tornar menos inteligível à medida que nos concentramos mais nela. É difícil imaginar um exemplo do que seria uma vida com sentido. Taylor acredita que para responder a essa questão é mais fácil se partirmos de sua antítese...

25 de Junho de 2015 ⋅ Ética

A religião e o sentido da existência

Álvaro Nunes

Quem é que, num momento ou noutro, ao olhar um céu nocturno, ao contemplar uma flor ou ao reflectir sobre si próprio e os outros seres humanos, não se interrogou já acerca da razão de ser disto tudo ou não se perguntou por que razão está aqui e como deve viver para que a sua vida tenha sentido? Estas são questões que têm intrigado os homens desde tempos imemoriais...

24 de Fevereiro de 2016 ⋅ Ética

Será a vida um jogo que estamos jogando?

Bernard Suits
Tradução de Vítor Guerreiro

Se a vida for um jogo que estamos jogando, tem de ser um jogo que a maioria de nós, seja como for, não sabe que está jogando. Poderíamos então perguntar se é realmente possível a vida ser um jogo, uma vez que poderá parecer estranho, se não mesmo absurdo, supor que alguém poderia jogar um jogo sem o saber.

30 de Setembro de 2005 ⋅ Ética

Desejo e sentido da vida

Simon Blackburn
Tradução de Faustino Vaz

Alguns moralistas recomendam que a vida “autêntica” não significa simplesmente lembrarmo-nos de que um dia morreremos, mas de alguma maneira viver permanentemente com a consciência desse facto, “viver-para-a-morte”. O poeta John Donne tinha mesmo o seu próprio retrato em que aparecia pintado de mortalha, antecipando cheio de esperança a maneira como iria encarar o Juízo Final.

18 de Fevereiro de 2006 ⋅ Ética

Deus e o sentido da vida

Desidério Murcho
On the Meaning of Life
de John Cottingham
Londres: Routledge, 2002, 144 pp.

“Pensamento em Acção” é o título da recente colecção da Routledge que pretende competir com a famosa “Introduções Concisas” da Oxford University Press. Em ambos os casos, trata-se de livros de pequeno formato e poucas páginas, dirigidos ao grande público, mas da autoria de especialistas das mais diversas áreas.

4 de Março de 2006 ⋅ Ética

E depois?

Desidério Murcho
Confession
de Leo Tolstoy
Tradução de David Patterson
Nova Iorque e Londres: W. W. Norton, 1983, 95 pp.

Leão Tolstoi (1828-1910) foi um dos mais importantes romancistas realistas. Os seus romances Guerra e Paz (1865-1869) e Anna Karenina (1875-1877) são considerados dos melhores romances de sempre. Mas Tolstoi foi também um pensador e um moralista; a sua Confissão (1882) foi extremamente influente, tornando-o um dos mais destacados líderes espirituais do seu tempo.

28 de Junho de 2007 ⋅ Ética

A ciência da felicidade

Desidério Murcho
A Conquista da Felicidade: Os Contributos da Sabedoria Antiga e da Ciência Moderna
de Jonathan Haidt
Sinais de Fogo Publicações, 2007, 436 pp.

O movimento da “psicologia positiva” pretende fazer algo mais da psicologia do que resolver ou minorar perturbações psicológicas — pretende fazer-nos felizes. Estes psicólogos estudam o que faz as pessoas genuinamente felizes, e não os distúrbios psicológicos que nos afectam. Para quem conhece a bibliografia filosófica sobre o mesmo tema — a eudemonia, como lhe chamava Aristóteles — é surpreendente...

26 de Novembro de 2004 ⋅ Ética

O sentido da vida

Susan Wolf
Tradução de Jorge Beleza

O sentido da vida é um tema obscuro, e no entanto central para a filosofia. Frequentemente associada à questão de os seres humanos fazerem parte de um desígnio mais vasto ou divino, a pergunta “qual é o sentido da vida?” parece pedir uma resposta religiosa. No entanto, grande parte das discussões filosóficas questiona a necessidade desta associação.

19 de Maio de 2010 ⋅ Ética

Nagel e o absurdo da vida

Matheus Martins Silva

O objetivo deste ensaio é modesto: limito-me a apresentar algumas objeções existentes na bibliografia contra a defesa de Thomas Nagel de que a vida humana é absurda, presente no ensaio “O Absurdo” (1971). Num primeiro momento faço uma apresentação dos argumentos de Nagel que pretendem demonstrar que a vida humana é absurda.

29 de Março de 2016 ⋅ Ética

O que faz a vida de uma pessoa correr pelo melhor

Derek Parfit
Tradução de Pedro Galvão

O que seria melhor para uma pessoa? O que mais seria do seu interesse? O que faria a vida dessa pessoa correr da melhor forma possível, para ela mesma? Às respostas a esta questão chamo teorias do interesse pessoal. Há três tipos de teorias. Segundo as Teorias Hedonistas, o que seria melhor para uma pessoa é aquilo que tornaria a sua vida mais feliz.

3 de Abril de 2011 ⋅ Ética

Como viver a vida?

Martha Nussbaum
Tradução de Luís Filipe Bettencourt e Desidério Murcho

O conflito da antiguidade entre a filosofia e a literatura tinha uma clareza exemplar, dado que os seus participantes partilhavam uma perspectiva quanto ao que estava em causa. Por mais que Platão e os poetas discordassem, concordavam que o objectivo das suas obras era iluminar a questão de como viver. Claro que discordavam quanto ao que era a verdade ética, e também quanto à natureza da compreensão.

13 de Dezembro de 2009 ⋅ Ética

Direcção e sentido, Deus e evolução

Desidério Murcho

Pensa-se por vezes que o que dá sentido à vida humana é a existência de uma direcção, um destino a cumprir. A herança judaico-cristã em nada ajuda nestas coisas, pois reforça a ideia de sentido como destino, afirmando que a vida faz sentido porque Deus tem um destino para nós e por isso a nossa vida tem uma direcção, que é cumprir esse destino.

29 de Fevereiro de 2016 ⋅ Ética

O sentido da vida

Desidério Murcho

O objectivo deste ensaio é defender que a vida humana pode ter sentido se a ética for objectiva. Para ser preciso, o título deveria por isso ser “O Sentido da Vida Humana”. Todavia, a expressão “Sentido da Vida” impôs-se — uma marca linguística de um lamentável antropocentrismo.

19 de Março de 2017 ⋅ Ética

Uma vida que importava

Peter Singer
Tradução de José Oliveira

No dia 1 de Janeiro, Derek Parfit, um dos maiores filósofos da minha geração, morreu. Apenas um ano antes, numa sondagem num importante site de filosofia, Parfit tinha sido eleito o mais importante filósofo anglófono vivo.

22 de Março de 2009 ⋅ Ética

Os sentidos das vidas

Susan Wolf
Tradução de Desidério Murcho

Esta pergunta, “Qual é o sentido da vida?”, foi já tida como um paradigma da investigação filosófica. Fora da academia talvez o seja ainda. Nas aulas de filosofia e nas revistas académicas, contudo, a pergunta quase desapareceu, e quando é feita por um estudante ingénuo, por exemplo, ou por um mecenas potencial da causa do ensino das artes liberais...

11 de Janeiro de 2017 ⋅ Ética

Três teorias sobre o bem-estar

Bruno Aislã Gonçalves dos Santos

Há dois problemas centrais quando discutimos bem-estar. O primeiro é o oferecer uma definição bem-sucedida do termo “bem-estar”. O segundo problema é o de saber se o bem-estar consiste em algo que é valioso em si mesmo. Geralmente, em filosofia moral, quando nos perguntamos o que é o bem estar estamos interessados em saber o que nos beneficia não-instrumentalmente...

2 de Abril de 2006 ⋅ Ética

O fim do capitalismo

Desidério Murcho
How Are We to Live? Ethics in an Age of Self-Interest
de Peter Singer
Amherst: Prometheus Books, 1995, 262 pp.

Peter Singer é um dos mais destacados especialistas em ética aplicada, autor de uma vasta e respeitável bibliografia. À semelhança de Rethinking Live and Death, esta obra destina-se não tanto a especialistas, mas ao grande público. Singer pretende mostrar que uma vida conduzida segundo padrões éticos é compensadora.

Eutanásia

13 de Janeiro de 2004 ⋅ Ética

O erro da eutanásia

J. Gay-Williams
Tradução de Vítor João Oliveira

Tenho impressão que a eutanásia — a ideia, senão a prática — está lentamente a ganhar aceitação na nossa sociedade. Os cínicos podem atribuir esse facto a uma tendência crescente de desvalorização da vida humana, mas não creio que esta seja a razão central. Bem publicitadas, histórias como a de Karen Quinlan, provocam em nós profundos sentimentos de compaixão.

4 de Julho de 2009 ⋅ Ética

O problema ético da eutanásia

Faustino Vaz

É útil saber que o termo “eutanásia” significa literalmente “morte boa” ou “morte feliz”. É verdadeiro que os casos reais envolvem dor e angústia. Mas o significado literal do termo capta um importante aspecto da eutanásia: a morte que dela resulta é para benefício do paciente. Podemos então dizer que a eutanásia consiste em produzir ou acelerar intencionalmente a morte de alguém para seu benefício.

14 de Maio de 2012 ⋅ Ética

Eutanásia voluntária e o argumento do declive escorregadio

Aluízio Couto

Este trabalho trata de um aspecto relativo ao debate sobre a legalização da eutanásia voluntária: o uso de argumentos do tipo declive escorregadio com o objetivo se de opor à legalização da prática. Minha intenção principal é a de defender que um argumento desse tipo usado contra a legalização, argumento este presente na obra do filósofo David S. Oderberg (2009), não é persuasivo.

12 de Janeiro de 2004 ⋅ Ética

Eutanásia

Philippa Foot
Tradução de Vítor João Oliveira

Neste ensaio, a Professora de Filosofia de Griffin, Philippa Foot, tem o cuidado de estabelecer a distinção entre eutanásia activa e passiva quando utiliza a noção de “direito à vida”. Discorda de Rachels, que defende que essa distinção é moralmente irrelevante e desumana na prática. Foot contrapõe este ponto de vista dando evidência à importância desta distinção.

27 de Julho de 2015 ⋅ Filosofia da religião

Eutanásia

Helga Kuhse
Tradução de Álvaro Nunes

A palavra “eutanásia” é composta de duas palavras gregas — eu e thanatos — e significa, literalmente, “uma boa morte”. Na actualidade, entende-se geralmente que “eutanásia” significa provocar uma boa morte — “morte misericordiosa”, em que uma pessoa, A, acaba com a vida de outra pessoa, B, para benefício de B. Este entendimento da palavra realça duas importantes características dos actos de eutanásia.

12 de Janeiro de 2016 ⋅ Ética

Eutanásia activa e passiva

James Rachels
Tradução de Artur Lopes Cardoso

A distinção entre eutanásia activa e passiva é considerada fulcral para a ética médica. A ideia é que é admissível, pelo menos em alguns casos, suspender o tratamento e deixar que o paciente morra, mas que nunca é admissível praticar um qualquer acto directo destinado a matar o doente.

Relativismo e objectivismo

6 de Janeiro de 2011 ⋅ Ética

Deliberação e decisão racional

Faustino Vaz

Podemos ter razões de tipos diferentes para agir desta ou daquela maneira. São essas razões que influenciam a escolha das acções. Mas nem sempre é fácil escolher a acção apropriada. De facto, por vezes as razões são complexas, de tipos diferentes e pesam a favor de acções contrárias. Não há um método para determinar qual delas tem mais peso nos diversos casos.

16 de Julho de 2006 ⋅ Ética

Moore e os intuicionistas contra o naturalismo

Matheus Martins Silva

Este artigo aborda uma importante discussão em metaética: o debate entre os partidários do intuicionismo moral e os naturalistas. Num primeiro momento, apresentamos brevemente o naturalismo e as objeções mais frequentes dirigidas a esta teoria, mais especificamente as críticas de Moore com o seu “Argumento da Questão em Aberto”.

4 de Fevereiro de 2017 ⋅ Ética

Não-cognitivismo e utilitarismo

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

É comum se pensar que o debate entre o não-cognitivismo moral e o realismo, ainda que possua considerável interesse teórico, não tenha conseqüências práticas; em termos de como um indivíduo vive sua vida, faria pouca diferença qual teoria ética ele subscreve. Este ponto de vista é equivocado. Questões de alta teoria podem ter relevância para a natureza do pensamento moral do dia-a-dia.

9 de Dezembro de 2006 ⋅ Ética

A distinção facto/valor

Roger Crisp
Tradução de Desidério Murcho

De acordo com os defensores da distinção facto/valor, nenhum estado de coisas do mundo pode ser um valor, e os juízos avaliativos não devem ser entendidos como juízos de facto puros. A distinção foi importante na ética do século XX e continua em aberto o debate sobre o estatuto metafísico do valor, a epistemologia do valor e sobre qual será a melhor caracterização dos juízos de valor.

30 de Setembro de 2007 ⋅ Ética

Poderia Quine ser um cognitivista moral?

Rafael Martins

Quine é freqüentemente citado pelo seu compromisso ontológico e pela defesa de uma epistemologia naturalizada. Apesar disso, sua visão sobre ética não satisfaz alguns de seus críticos tais como Flanagan (1982) e Morton White (1998). Essas críticas devem-se ao fato de que sua perspectiva naturalista de epistemologia comum não o levou a uma defesa cognitivista dos valores morais.

26 de Junho de 2004 ⋅ Ética

A objectividade da ética

Desidério Murcho
Ethical Theory 1: The Question of Objectivity
org. por James Rachels
Oxford: Oxford University Press, 1998, 256 pp.

Para grande parte do público, a ética é uma coisa pessoal e subjectiva — cada qual tem a sua. Claro que se isto fosse verdade, nada haveria de realmente condenável em violar crianças — tudo dependeria dos gostos. O que confunde o público são os casos difíceis da ética — o aborto, a eutanásia, a manipulação de embriões e outros problemas em aberto.

3 de Fevereiro de 2017 ⋅ Ética

Realismo moral e diversidade cultural

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

A reflexão sobre a variedade de formas de vida social que as sociedades, em uma época ou outra, consideraram aceitáveis, há muito que tem sido uma fonte de ceticismo moral. O pensamento de que existem muitos sistemas sociais radicalmente diferentes, cada um colorindo o modo como seus membros pensam sobre questões morais e políticas...

29 de Janeiro de 2017 ⋅ Ética

Realismo moral: um esboço

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

O realista moral nega que exista uma divisão nítida e importante entre fato e valor, que é a marca registrada da posição de seus oponentes. Na perspectiva realista as opiniões morais são crenças que, assim como outras crenças, são verdadeiras ou falsas em função do modo como as coisas são no mundo. Segue-se que questões morais são questões de fato como quaisquer outras.

28 de Janeiro de 2017 ⋅ Ética

O não-cognitivismo moral: um esboço

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

Alfred Jules Ayer disse uma vez que toda a ética poderia ser escrita no verso de um cartão postal. No caso da teoria não-cognitivista mais simples isto dificilmente seria um exagero. De acordo com essa visão, dizer que roubar é errado é simplesmente exprimir a desaprovação do roubo por parte do falante, de sorte que a observação poderia ser mais esclarecedora se re-escrita como : “Roubar — Fora! ”.

2 de Fevereiro de 2004 ⋅ Ética

Facto e valor

Robert Nozick
Traduzido e adaptado por Vítor João Oliveira

No campo da ética existem duas opiniões conhecidas que, apesar de tentativas específicas, ainda ninguém conseguiu ligar: uma diz respeito ao fosso que existe entre o que é de facto e o que deve ser (facto e valor), e a outra (no âmbito do valor) entre forma moral e conteúdo moral. Parecem ser infrutíferas as tentativas de derivar o dever do ser ou o conteúdo moral da forma moral.

19 de Março de 2002 ⋅ Ética

Contra a teoria ética dos mandamentos divinos

Simon Blackburn
Tradução de Pedro Galvão e Desidério Murcho

O desafio clássico à ideia de que a ética pode ter um fundamento religioso é fornecido por Platão (c. 429-347 a.C.), no diálogo conhecido como Êutífron. Neste diálogo, Sócrates, que está prestes a ser julgado por impiedade, encontra um tal Êutífron, que se apresenta como alguém que sabe exactamente o que é a piedade ou a justiça.

26 de Junho de 2004 ⋅ Ética

A questão da objectividade em ética

James Rachels
Tradução de Ismael Carvalho

A questão da objectividade da ética é tão velha quanto a própria filosofia. Na antiguidade, os cépticos sentiram-se atraídos pela ideia de que a moralidade não é mais do que um conjunto de convenções sociais. Heródoto, depois de passar em revista as crenças morais de várias culturas, declarou que “O costume predomina sobre todas as coisas”, e que alguém que pense o contrário é simplesmente ingénuo...

23 de Agosto de 2004 ⋅ Ética

Ética e relativismo cultural

Harry Gensler
Tradução de Paulo Ruas

O relativismo cultural (RC) defende que o bem e o mal são relativos a cada cultura. O “bem” coincide com o que é “socialmente aprovado” numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade.

19 de Março de 2002 ⋅ Ética

Ética e subjectivismo

Harry Gensler
Tradução de Paulo Ruas

O subjectivismo sustenta que os juízos morais descrevem a maneira como sentimos. Afirmar que algo é um “bem” consiste em dizer que temos um sentimento positivo a seu respeito. A perspectiva do observador ideal é um refinamento desta posição; diz-nos que os juízos morais descrevem o que sentiríamos se fossemos inteiramente racionais.

20 de Março de 2016 ⋅ Ética

A necessidade de fundamentação da moral

Pedro Galvão

No que se baseia a moral? Os bons juízos morais baseiam-se na razão ou, pelo contrário, em última análise resultam de um certo tipo de emoção? O problema de saber se a ética se baseia na razão ou na emoção foi intensamente debatido no século XVIII, permanecendo bem vivo ainda hoje. Este capítulo é uma introdução a este debate. Vamos aqui apresentar as perspectivas de David Hume e Immanuel Kant.

10 de Julho de 2015 ⋅ Ética

Emotivismo

Harry J. Gensler
Tradução de Álvaro Nunes

O emotivismo afirma que os juízos morais expressam sentimentos positivos ou negativos. “X é bom” é equivalente à exclamação “Viva X!” — e por isso não podem ser verdadeiros ou falsos. Assim, não pode haver verdades nem conhecimento morais. Começaremos por escutar uma figura de ficção, a que chamarei Ima Emotivista, explicar-nos a sua crença no emotivismo.

3 de Outubro de 2015 ⋅ Ética

A ética e a Bíblia

James Rachels
Tradução de Eliana Curado

Como deveríamos viver? Para responder a esta pergunta, muitas pessoas se voltam para a Bíblia. O que encontram é frequentemente inspirador, apesar de forjar padrões demasiadamente altos: ame a seu vizinho como a você mesmo; trate os outros como gostaria de ser tratado e caminhe com Deus em humildade.

11 de Julho de 2015 ⋅ Ética

Moore e a falácia naturalista

James Rachels
Tradução de Álvaro Nunes

Moore era um filósofo de Cambridge no começo do que viria a ser uma longa e distinta carreira. O seu primeiro livro tornar-se-ia um clássico, não tanto devido às suas afirmações positivas, mas ao estilo de argumentação, à redefinição das questões filosóficas e à sua crítica de pontos de vista que são comuns.

5 de Fevereiro de 2017 ⋅ Ética

Quase-realismo

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

Nossa discussão do não-cognitivismo chegou ao seguinte ponto: o não-cognitivista insistiu sempre que existem limites dentro dos quais alguns conjuntos de atitudes são aceitáveis. Uma sugestão inicial seria a de que um conjunto aceitável de atitudes teria que ser consistente; uma posterior seria a de que um conjunto de atitudes teria que ser tal que um espectador ideal poderia aceitá-lo.

6 de Outubro de 2003 ⋅ Ética

É tudo muito relativo

Desidério Murcho
Moral Disagreements: Classic and Contemporary Readings
org. Christopher W. Gowans
Londres: Routledge, 2000

Desde Heródoto que se tornou comum pensar que as diferenças morais entre povos e culturas são evidência segura do relativismo moral: o que numa cultura é moralmente aceitável é reprovável noutra. Mas serão tais diferenças suficientemente profundas para sustentar a Tese do Desacordo, a ideia de que “há desacordos morais alargados e profundos que parecem persistentemente resistir à resolução racional”?

15 de Setembro de 2015 ⋅ Ética

Valor intrínseco

Robert Nozick
Tradução e adaptação de Pedro Galvão

A noção de valor que desejo investigar não é a do valor de uma coisa para algum outro propósito ou para outros efeitos ou consequências (considerados valiosos); não é a noção de valor instrumental, mas antes o valor que uma coisa tem em si, independentemente de todas essas outras consequências e conexões. Os filósofos chamaram valor intrínseco a este tipo de valor.

1 de Junho de 2016 ⋅ Ética

A moral está doente?

Vanessa Carbonell
Tradução de Desidério Murcho
What’s Wrong with Morality? A Social-Psychological Perspective
De C. Daniel Batson
Oxford: Oxford University Press, 2016, 265pp.

O que há de errado com a moralidade? Faça-se esta pergunta a um filósofo e suspeito que a resposta será uma das seguintes: 1) Nada. 2) É alienante, sufocante, fria, sexista, burguesa ou um instrumento de opressão e controlo social. 3) Repousa em fundamentos questionáveis, não é apropriadamente objectiva, ou não tem a autoridade que declara ter. 4) Exige-nos demasiado, ou não nos exige o suficiente.

27 de Janeiro de 2017 ⋅ Ética

Moralidade: invenção ou descoberta?

David McNaughton
Tradução de Maria Cecília Maringoni de Carvalho

Ter a experiência de valores é um fato constante em nossa vida. Qualquer compreensão adequada de nós mesmos ou do mundo — o tipo de compreensão que a filosofia tradicionalmente pretende fornecer — há de levar em conta tal experiência. Encontramos coisas valiosas não só na natureza — como um belo pôr de sol ou uma vista majestosa de montanha — mas também nos produtos da arte humana...

11 de Julho de 2010 ⋅ Ética

Singer, “o cão racional” e a “cauda emocional”

Faustino Vaz

Não é bom que um filósofo seja conhecido sobretudo pelas suas ideias controversas. É isso, infelizmente, o que acontece com Singer. Fala-se em Singer e vêm imediatamente à cabeça a crítica ao especismo, a obrigação de ajudar os mais pobres do mundo e a crítica à doutrina da santidade da vida humana. Mas estas são apenas as ideias de Singer na disciplina de ética prática.

17 de Maio de 2012 ⋅ Ética

O quasi-realismo de Blackburn

Alexander Miller
Tradução de Rodrigo Cid

No capítulo anterior observei os problemas do emotivismo e o discuti em termos da metáfora da projeção. O emotivismo é uma versão do projetivismo. O quasi-realismo de Blackburn também é uma versão do projetivismo explicitamente produzida para fazer face aos problemas levantados contra o emotivismo. Mas qual a diferença entre um mero projetivista e um quasi-realista?

3 de Abril de 2004 ⋅ Ética

Relativismo

Algumas questões filosóficas
Anthony Weston
Tradução de Luís Filipe Bettencourt

O relativismo moral fundamenta-se na ideia de que os valores morais variam muito de povo para povo e de cultura para cultura. Este é chamado o relativismo descritivo. Mas podemos perguntar: Haverá realmente desacordo real entre os valores morais? Isto é, será que os nossos desacordos são tão profundos quando afirmam os relativistas?

14 de Janeiro de 2016 ⋅ Ética

Os valores são subjectivos

Bertrand Russell
Tradução de Pedro Galvão

As questões sobre “valores” — isto é, sobre o que é bom ou mau em si mesmo, independentemente dos seus efeitos — estão fora do domínio da ciência, como os defensores da religião afirmam veementemente. Eu penso que nisto têm razão, mas retiro outra conclusão que eles não retiram — a de que as questões sobre “valores” estão completamente fora do domínio do conhecimento.

22 de Setembro de 2008 ⋅ Ética

A subjetividade dos valores

J. L. Mackie
Tradução de Helke Cunha de Carvalho, Jônatas Rafael Álvares, Maíra Mendes Galvão e Nelson Gonçalves Gomes

Não há valores objetivos. Essa é a crua enunciação da tese deste capítulo. Não obstante, antes de argumentar em sua defesa, tentarei esclarecê-la e restringi-la de maneiras que possam enfrentar certas objeções e evitar alguns mal-entendidos.

2 de Outubro de 2016 ⋅ Ética

Valores, juízos de valor e teorias

António Padrão

Paulo Gonçalves, um dos portugueses que participou no rali Dakar 2016, esteve em grande destaque na sétima etapa, depois de ter parado mais de dez minutos para ajudar Matthias Walkner — um piloto rival — que sofrera um acidente e partiu o fémur. Esta ação poderia ter custado a Paulo Gonçalves a liderança da classificação geral, mas ele não hesitou em parar para ajudar.

14 de Janeiro de 2016 ⋅ Ética

Valores e valoração

A questão dos critérios valorativos
Pedro Galvão

Os valores orientam a nossa vida e influenciam as nossas decisões, determinando o que pensamos acerca do que é melhor ou pior. Muitas vezes ouvimos as pessoas fazer afirmações acerca dos valores que aceitam. Podem dizer, por exemplo, que a honestidade, o respeito e a amizade são os valores que prezam acima de tudo.

21 de Setembro de 2003 ⋅ Ética

Valores e factos

D. D. Raphael
Tradução e adaptação de Luís Filipe Bettencourt

A filosofia adopta uma atitude crítica em relação a determinadas crenças que foram previamente consideradas verdadeiras. A filosofia moral faz o mesmo em relação a crenças relacionadas com o certo e o errado, com o bom e o mau, com o que se deve e com o que não se deve fazer.

Kant

25 de Novembro de 2007 ⋅ Ética

Diálogo sobre a ética kantiana

Luís Veríssimo

João — Estou profundamente desiludido com a teoria de Kant.

Francisca — Pois eu nunca engoli muito bem a ética kantiana. Dá excessiva importância à intenção, mas esquece-se de que na prática só temos acesso às consequências.

14 de Janeiro de 2006 ⋅ Ética

A teoria moral de Kant

Elliott Sober
Tradução de Faustino Vaz

Para entender a abordagem que Immanuel Kant desenvolveu na sua teoria moral, é útil começar por uma ideia de senso comum que ele rejeita. Trata-se da ideia de que a razão tem apenas um papel “instrumental” como guia da acção. A razão não te diz quais devem ser os teus objectivos; em vez disso, diz-te o que deves fazer dados os objectivos que já tens.

26 de Janeiro de 2006 ⋅ Ética

A primeira formulação do imperativo categórico de Kant

John Rawls
Traduzido e adaptado por Vítor João Oliveira

É importante reconhecer que a lei moral, o imperativo categórico (IC) e o procedimento do imperativo categórico são três coisas diferentes. A lei moral é uma ideia da razão. Especifica um princípio que se aplica a todos os seres razoáveis e racionais (ou, para abreviar, seres razoáveis) quer sejam ou não, como nós, seres finitos com necessidades.

31 de Agosto de 2015 ⋅ Ética

Kant e o princípio da acção moral

Júlio Sameiro

A teoria ética de Kant oferece-nos um princípio da moral que deve poder ser aplicado a todas as questões morais. Kant enuncia-o de diferentes maneiras com o objectivo de esclarecer as suas implicações. Partiremos de um caso simples, de senso comum, para esclarecer essas diferentes formulações...

Mill

24 de Fevereiro de 2006 ⋅ Ética

A ética de John Stuart Mill

Faustino Vaz

O utilitarismo é um tipo de ética consequencialista. O seu princípio básico, conhecido como o Princípio da Utilidade ou da Maior Felicidade, é o seguinte: a acção moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número. E deve fazê-lo de uma forma imparcial: a tua felicidade não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa. Saber por quem se distribui a felicidade é indiferente.

27 de Julho de 2005 ⋅ Ética

A origem de conceitos nucleares

Humberto Silva
Ética a Nicómaco
de Aristóteles
Tradução de António Caeiro
Lisboa: Quetzal, 2004, 283 pp.

Chega finalmente aos escaparates uma tradução para português europeu, feita directamente do texto grego, da Ética a Nicómaco, de Aristóteles. Texto fundamental do pensamento ocidental, a Ética pode reclamar para si a origem de alguns conceitos nucleares, e essencialmente do modo de os pensar, entender e estruturar, do que hoje entendemos, ou julgamos entender por ética.

21 de Março de 2008 ⋅ Ética

Éticas teleológicas

Thomas Hurka
Tradução de Luís Gottschalk

As teorias sobre o que é correcto ou errado dividem-se habitualmente em duas categorias: as teleológicas e as não teleológicas. As teorias teleológicas são as que identificam primeiro o que é bom nos estados de coisas, caracterizando depois os actos correctos apenas em termos desse bem. O exemplo paradigmático de uma teoria teleológica é, assim, uma teoria consequencialista imparcial...

12 de Julho de 2010 ⋅ Ética

Para desfazer equívocos

Fernanda Belo Gontijo
Utilitarismo
de John Stuart Mill
Tradução de F. J. Azevedo Gonçalves
Revisão científica, prefácio, introdução, cronologia, notas e bibliografia de Pedro Madeira
Lisboa: Gradiva, 2005, 152 pp.

O utilitarismo é uma teoria teleológica e consequencialista. Defende que o fim de nossas ações é a felicidade e que o correto é definido em função das melhores consequências, que são definidas em função da maximização imparcial da felicidade dos afetados por nossas ações.

Aristóteles

9 de Janeiro de 2009 ⋅ Ética

Eudemonia

Scott Carson
Tradução de Desidério Murcho

Estritamente falando, o termo “eudemonia” é uma transliteração da palavra grega para prosperidade, boa fortuna, riqueza ou felicidade. Em contextos filosóficos a palavra grega “eudaimonia” tem sido tradicionalmente traduzida simplesmente por “felicidade”, mas muitos estudiosos e tradutores contemporâneos tentaram evitar esta interpretação por poder sugerir conotações que nada ajudam...

25 de Janeiro de 2010 ⋅ Ética

Viver bem

A ética de Aristóteles
Christopher Shields
Tradução de Desidério Murcho

Os seres humanos entregam-se a comportamentos com propósitos. Fazemos coisas com razões e agimos tendo fins em vista. Assim, caminhamos para a loja com a intenção de comprar leite. Se um amigo que encontramos na rua nos perguntar no caminho por que estamos a caminhar na direcção da loja, a resposta sensata e correcta é a verdadeira: “Para comprar leite”.