Filosofia política

26 de Março de 2019   Filosofia política

Tragam-me o caga-tacos

Steven Pinker sobre o iluminismo
Geoffrey Galt Harpham
Tradução de Desidério Murcho
O Iluminismo Agora: Em Defesa da Razão, Ciência, Humanismo e Progresso
de Steven Pinker
Tradução de Sara Totta
Lisboa: Editorial Presença, 2018, 600 pp.

O Iluminismo Agora, de Steven Pinker, apresenta uma defesa poderosa da ideia de que em todas as métricas as condições de vida dos seres humanos melhoraram persistentemente nos últimos duzentos anos. Esta melhoria pode ser atribuída não apenas à difusão dos princípios do iluminismo anunciados no século XVIII, mas também às propriedades evolutivas da mente humana, que a modernidade libertou.

21 de Julho de 2018   Filosofia política

Liberalismo clássico

Jason Brennan e John Tomasi
Tradução de Lucas Filardi Grecco e Aluízio Couto

A pergunta central que anima o pensamento liberal é: como as pessoas podem viver conjuntamente como livres e iguais? Essa pergunta vem sendo revigorada pelo surgimento do que podemos chamar de liberalismo neoclássico.

18 de Janeiro de 2012   Filosofia política

2081 e a falácia da desigualdade social

Luís Estevinha Rodrigues

Só recentemente tivemos oportunidade de ver 2081, uma curta-metragem realizada por Chandler Tuttle (2009), baseada no também curto conto Harrison Bergeron, de Kurt Vonnegut (1961). Tirando algumas diferenças de menor importância, o filme de Tuttle é fiel ao conto de Vonnegut, o que nos permite dizer que ambos expõem a mesma história.

4 de Dezembro de 2010   Filosofia política

Castigo

Wesley Cragg
Tradução de Lucas Miotto

História, literatura, religião e a observação prática, todas sugerem que o castigo sempre desempenhou um papel central na organização das relações humanas. Por diversas razões, isso não é surpreendente nem perturbador. Por outras razões, é as duas coisas. Para entender o fenômeno e os desafios morais que apresenta, as duas perspectivas precisam de uma exploração cuidadosa.

3 de Agosto de 2008   Filosofia política

Uma esquerda darwinista

Peter Singer
Tradução de Vítor Guerreiro

Em 1874 Karl Marx leu a obra Estatismo e Anarquia de Mikhail Bakunine, um dos fundadores do anarquismo como movimento revolucionário internacional e principal adversário de Marx na luta pelo controlo da primeira internacional. Marx não era passivo relativamente a qualquer coisa que fizesse e, ao ler Bakunine, copiou diversas passagens cruciais do livro acrescentando os seus próprios comentários.

1 de Fevereiro de 2018   Filosofia política

O problema dos estudos “críticos”

Joseph Heath
Tradução de Hélio S. C. Carneiro

Quando era graduando, acreditava que a prevalência do positivismo nas ciências sociais — a ideia de estudar os fenômenos sociais de modo “objetivo” e “sem valores” — era um dos grandes males do mundo. Não se tratava apenas de uma ilusão, mas sim de uma ilusão perigosa, porque sob o disfarce da objetividade se escondiam planos secretos, nomeadamente um interesse na dominação.

4 de Feveiro de 2004   Filosofia política

Enfrentar a globalização

Pedro Galvão
Um só Mundo: A Ética da Globalização
de Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn
Lisboa: Gradiva, Fevereiro de 2004, 284 pp.

“No termo “globalização”, mais do que na designação anterior de “internacionalização”, está implícita a ideia de que estamos a ultrapassar a era do estabelecimento de laços entre os países e começamos a contemplar algo para lá do conceito existente de Estado-nação. Mas esta alteração precisa de encontrar eco em todos os níveis do pensamento, em especial na reflexão sobre a ética”.

20 de Janeiro de 2016   Filosofia política

Cidadania

Will Kymlicka
Tradução de Desidério Murcho

“Cidadania” é um termo cujo significado filosófico difere do seu uso quotidiano. No discurso quotidiano, a cidadania é entendida como sinónimo de “nacionalidade”, referindo-se ao estatuto legal das pessoas enquanto membro de um país em particular. Ser um cidadão implica ter certos direitos e responsabilidades, mas estes variam imenso de país para país.

1 de Julho de 2016   Filosofia política

Cidadania e comunidade

Adrian Oldfield
Traduzido e adaptado por Vítor João Oliveira

[No pensamento liberal], a cidadania é um “estatuto”, um estatuto que se procura e que, uma vez atingido, deve ser mantido. Uma diferença fundamental entre o mundo ocidental moderno e as épocas anteriores, radica na dificuldade de saber quem pode legitimamente considerar-se cidadão.

3 de Julho de 2016   Filosofia política

Direitos humanos e diversidade cultural

Amartya Sen

O conceito de direitos humanos é uma pedra angular da nossa humanidade. Tais direitos não são concedidos porque se é cidadão de um país ou se pertence a uma nação, mas pertencem por direito a toda a humanidade. Isso diferencia-os, em consequência, dos direitos criados constitucionalmente, garantidos a pessoas determinadas (por exemplo, os cidadãos americanos ou franceses).

26 de Junho de 2011   Filosofia política

Direito, objetividade e ética

Lucas Miotto Lopes
Objectivity in Law and Morals
org. por Brian Leiter
Cambridge: Cambridge University Press: 2001, 368 pp.

A objetividade é um conceito bastante discutido em filosofia. Discute-se se a ciência pode ser objetiva, se a justificação de nossos juízos morais é objetiva, se é possível conhecer a realidade objetivamente e outras questões correlatas. Porém, não é só na filosofia que o termo objetividade é relevante.

5 de Janeiro de 2010   Filosofia política

O jurista e o sofista

Lucas Miotto Lopes
Philosophy of Law: The Fundamentals
de Mark C. Murphy
Oxford: Wiley Blackwell, 2007, 232 pp.

O direito é freqüentemente visto como um emaranhado de problemas descritos em pilhas de papéis que são conduzidos de uma maneira obscura por burocratas especializados. É associado também a essa disciplina a figura do sofista, aquele que utiliza a persuasão a fim de, a qualquer custo, “vencer” um debate — este seria o advogado.

29 de Maio de 2006   Filosofia política

Filosofia do direito

Beverley Brown e Neil MacCormick
Tradução de Rui Vieira da Cunha

O direito tem sido um importante tema de discussão filosófica desde o início da disciplina. Tentativas de descoberta dos princípios da ordem cósmica e de descoberta ou estabelecimento dos princípios da ordem nas comunidades humanas foram os primórdios da investigação sobre o direito.

19 de Setembro de 2004   Filosofia política

De Platão a John Rawls

Artur Polónio
Introdução à Filosofia Política
de Jonathan Wolff
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn
Lisboa: Gradiva, 2004, 312 pp.

Esta é a melhor obra introdutória à filosofia política que alguma vez li. Sem impor qualquer ideologia, oferece precisamente aquilo que pode interessar a qualquer leitor que se inicie no assunto: um exame crítico dos temas fundamentais da filosofia política.

18 de Abril de 2007   Filosofia política

O orientalismo romântico de Foucault

José Pedro Teixeira Fernandes
Foucault and the Iranian Revolution
de Janet Afary e Kevin B. Anderson
University of Chicago Press, 2005, 312 pp.

“O orientalismo romântico de Foucault” podia muito bem ser o título deste livro, que coloca, a partir de uma perspectiva feminista e de esquerda, questões sérias, profundas e particularmente incómodas sobre o pensamento de Foucault e a sua crítica enviesada da modernidade.

10 de Abril de 2007   Filosofia política

Oposição à razão

José Pedro Teixeira Fernandes
The Seduction of Unreason: The Intellectual Romance with Fascism from Nietzsche to Postmodernism
de Richard Wolin
Princeton University Press, 2006, 400 pp.

Um encontro com uma das mais surpreendentes reviravoltas da vida intelectual europeia do século XX, é o que nos propõe Richard Wolin, um historiador das ideias da City University de Nova Iorque, neste, agora editado em paperback (a edição original é de 2004).

21 de Agosto de 2005   Filosofia política

Bobbio e o labirinto da história

Orlando Tambosi

O filósofo italiano Norberto Bobbio (1909–2004) nunca gostou de falar de si próprio, mas o cerco feito pelo jornalista Alberto Papuzzi, do La Stampa (quotidiano de Turim onde exerceu atividade de colaborador regular de 1976 aos anos 90), acabou por demovê-lo. A ele abriu seus arquivos, escritos e cartas pessoais, alinhavados numa série de entrevistas ao longo de um ano.

31 de Março de 2009   Filosofia política

História da liberdade de pensar

Weber Lima
Iluminismo Radical: A Filosofia e a Construção da Modernidade 1650–1750
de Jonathan I. Israel
Tradução de Claudio Blanc
São Paulo: Madras, 2009, 878 pp.

Este livro narra a história da construção da liberdade de pensar ao longo dos séculos XVII e XVIII. Este período histórico pode ser dividido, pelo menos, em duas fases distintas as quais o autor norte-americano procura aclarar: um Iluminismo “Radical”, a partir das ideias de Espinosa, Descartes, Malebranche, Diderot, D’Argens, Rousseau, D’Holbach, Voltaire, Hobbes, Hume...

15 de Março de 2016   Filosofia política

Por que as pessoas são irracionais sobre a política

Michael Huemer
Tradução de Hélio S. C. Carneiro

Talvez a característica mais marcante no que se refere à política é o quão ela é suscetível de discordância – apenas a religião e a ética competem com a política enquanto fonte de desacordo. Há três características principais das discordâncias políticas que quero apontar: (i) são muito difundidas.

16 de Dezembro de 2005   Filosofia política

Elementos (e confusões) do jornalismo

Orlando Tambosi
Os Elementos do Jornalismo: O que os profissionais de jornalismo devem saber e o público deve exigir
de Bill Kovach e Tom Rosenstiel
Porto: Porto Editora, 2005, 224 pp.

Os Elementos do Jornalismo, livro de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, oferece bons temas para reflexão. Bem escrito, claro e objetivo, mostra o que passa pelas cabeças dos jornalistas dos EUA, mas vale também para os brasileiros, inclusive no que diz respeito a algumas confusões teóricas da profissão, sempre apontadas mas não resolvidas. Aproveito a ocasião para comentar duas delas.

18 de Fevereiro de 2017   Filosofia política

Harrison Bergeron

Kurt Vonnegut
Tradução de Desidério Murcho

Era o ano 2081, e toda a gente era finalmente igual. Não apenas perante Deus e a lei. Igual em todos os aspectos. Ninguém era mais inteligente. Ninguém era mais bem parecido. Ninguém era mais forte ou rápido. Toda esta igualdade era devida às 211.ª, 212.ª e 213.ª emendas constitucionais, e à vigilância incessante dos agentes da Direcção-Geral Incapacitante dos Estados Unidos.

10 de Fevereiro de 1998   Filosofia política

Contra a corrupção

Antônio Ribeiro de Almeida
A Imprensa e o Dever da Verdade
de Rui Barbosa
Prefácio de Freitas Nobre, 3.a edição revista e atualizada
Editora da Universidade de São Paulo, 1990, 80 pp.

“A verdade antes de tudo, senhores” — isto é o que pedia Rui Barbosa na conferência “A Imprensa e o Dever da Verdade” publicada pela Universidade de São Paulo. Esse texto se deve a uma feliz iniciativa de Freitas Nobre, professor do Departamento de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes — ECA — onde funciona o Curso de Jornalismo.

9 de Setembro de 2004   Filosofia política

A revolução americana

José Barros
A Revolução Federal: Filosofia Política e Debate Constitucional na Fundação dos E.U.A.
de Viriato Soromenho-Marques
Lisboa: Edições Colibri, 2002, 196 pp.

A Revolução Americana de 1787, em particular, e a história americana, em geral, têm merecido pouca ou nenhuma atenção por parte das editoras nacionais e dos investigadores portugueses nas áreas das ciências humanas e das humanidades.

15 de Janeiro de 2007   Filosofia política

O que vem depois do fim de uma civilização

José Manuel Fernandes
The Fall of Rome And the End of Civilization
de Bryan Ward-Perkins
Oxford: Oxford University Press, 2006, 256 pp.

Desde o clássico de Edward Gibbon, The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, publicado no final do século XVIII, que as razões e as consequências da queda do Império Romano do Ocidente têm fascinado e dividido os historiadores.

10 de Fevereiro de 2001   Filosofia política

Contra o fanatismo

André Barata
Tratado sobre a Tolerância
de Voltaire
Tradução de José M. Justo
Antígona, 1999, 222 pp.

A 10 de Março de 1762, na cidade de Toulose, um homem é torturado, supliciado na roda até à morte para, finalmente, o seu cadáver ser lançado ao fogo. Assim se cumpria a condenação sentenciada, no dia anterior, pelo Parlamenlo local.

18 de Fevereiro de 2009   Filosofia política

O paradoxo do pão indiano

Julian Baggini
Tradução de Vítor Guerreiro

No que diz respeito a acontecimentos reveladores, a chegada de pães indianos à mesa dificilmente será o mais dramático. Mas deu a Saskia o tipo de choque mental que modificaria profundamente a sua maneira de pensar.

16 de Novembro de 2004   Filosofia política

Lucio Colletti, mestre do desencantamento

Orlando Tambosi
Lucio Colletti: Scienza e Libertà
de Pino Bongiorno e Aldo G. Ricci
Roma: Ideazione, 2004, 299 pp.

Lucio Colletti (1924-2001), um dos filósofos mais importantes da Itália e um dos poucos a serem reconhecidos internacionalmente (à parte um certo provincianismo inglês, apenas ele e Benedetto Croce figuram, por exemplo, no Oxford Companion to Philosophy, de Ted Honderich, de 1995), acaba de receber uma homenagem, três anos após sua morte...

2 de Abril de 2006   Filosofia política

O direito internacional na era da globalização e do risco

Nuno Vieira de Carvalho

A evolução do direito internacional tem sido acelerada, nos últimos tempos, pela globalização, pelas relações intensas entre países e pelas políticas externas dos governos. Neste ensaio, abordam-se os novos desafios que se oferecem hoje ao direito internacional, nomeadamente os problemas relacionados com o estado-nação.

25 de Março de 2006   Filosofia política

O problema da justificação do estado

Jean Hampton
Tradução e adaptação de Vítor João Oliveira

Pensa por momentos na tua própria sujeição política. Estás continuamente a ser sujeito a regras de que não és o autor — designadas por “leis” — que te governam não apenas a ti mas aos outros, que impõe, por exemplo, a velocidade a que deves andar na auto-estrada, o comportamento que deves ter em público, que tipo de acções para com os outros são permissíveis...

24 de Junho de 2006   Filosofia política

Desvios da liberdade

Pedro Galvão
Rousseau e Outros Cinco Inimigos da Liberdade
de Isaiah Berlin
Organização de Henry Hardy
Tradução de Tiago Araújo
Lisboa: Gradiva, 2005, 232 pp.

Em 1952, a BBC transmitiu seis conferências radiofónicas de Isaiah Berlin que deixaram o público rendido ao seu talento para discutir, de uma forma acessível e despretensiosa, teorias políticas e filosóficas com grande importância prática.

28 de Novembro de 2016   Filosofia política

O que temos a perder

A nossa civilização é mais preciosa e mais frágil do que a maioria das pessoas supõe
Theodore Dalrymple
Tradução de Aluízio Couto

Sempre que nos informamos de acontecimentos que abalam o mundo, de catástrofes ou massacres, tendemos não apenas a sentir vergonha (bem rapidamente) das preocupações rabugentas que temos com nossos problemas secundários, mas também a questionar o valor mais geral de todas as nossas atividades.

2 de Maio de 2016   Filosofia política

Elogio da passividade

Michael Huemer
Tradução de Hélio S. C. Carneiro e Lucas Grecco

Em 1799, o primeiro presidente dos EUA, George Washington, adoeceu do que hoje se pensa ter sido uma infecção na epiglote de sua garganta, que se trata de uma infecção rara, porém séria, que pode levar ao bloqueio da passagem de ar e eventualmente à asfixia. Seu amigo e médico pessoal o atendeu, juntamente com dois médicos de consulta.

11 de Novembro de 2015   Filosofia política

Contra a autoridade do estado

Aluízio Couto
The Problem of Political Authority: An Examination of The Right to Coerce and the Duty to Obey
de Michael Huemer
Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2013, 356 pp.

Há uma entidade chamada “estado” que pode tomar o seu dinheiro, decidir quais tipos de medicamentos poderá usar e, eventualmente, desalojá-lo para que se construa uma avenida exatamente no local onde fica a sua casa. Alguns funcionários dessa entidade, tipicamente eleitos pelos votos de uma parte das pessoas, vivem de criar regras acerca do que todas as pessoas podem e não podem fazer.

13 de Julho de 2016   Filosofia política

Realismo político

Alexander Moseley
Tradução de Álvaro Nunes

O realismo político é uma teoria de filosofia política que tenta explicar, modelar e prescrever as relações políticas. Parte do pressuposto que o poder é (ou deve ser) o fim primeiro da acção política, seja na arena doméstica seja na arena internacional.

17 de Janeiro de 2010   Filosofia política

Soberba epistémica, estatismo e legislação

Desidério Murcho

Num ensaio acertadamente publicado em 24 de Dezembro de 1943, Orwell sublinha que todas as utopias e concepções de uma existência humana perfeita, terrenas ou não, falham miseravelmente. Contrastam com a vivacidade das distopias e narrativas que descrevem em pormenor uma existência infernal ou o próprio inferno.

4 de Junho de 2016   Filosofia política

Sobre o problema da sociologia normativa

Joseph Heath
Tradução de Aluízio Couto e Hélio Carneiro

Na última semana escrevi reclamando de como os jornalistas tendem a usar o termo indiferenciado “politicamente correto” para descrever um grupo complexo de comportamentos que podemos encontrar na academia contemporânea.

22 de Março de 2016   Filosofia política

As visões violentas de Slavoj Žižek

John Gray
Tradução de Desidério Murcho
Less Than Nothing: Hegel and the Shadow of Dialectical Materialism
de Slavoj Žižek
Verso, 1,038 pp.

Living in the End Times
de Slavoj Žižek
Verso, 504 pp.

Poucos pensadores ilustram melhor as contradições do capitalismo contemporâneo do que Slavoj Žižek, o filósofo esloveno e teorizador da cultura. A crise financeira e económica demonstrou a fragilidade do sistema de mercado livre que os seus defensores consideravam ter triunfado na guerra fria...

Guerra

2 de Julho de 2015   Filosofia política

Teorias filosóficas sobre a guerra

Álvaro Nunes

Desde a viragem do século — e para referir apenas as guerras mais importantes —, o mundo já viu surgir a guerra do Afeganistão (entre os Estados Unidos e o governo afegão, por um lado, e os Talibã e a al-Qaeda, por outro), a guerra civil do Chade (na qual rebeldes chadianos e mercenários sudaneses tentam depor o presidente), a guerra do Darfur (entre a região sudanesa do Darfur e o governo sudanês)...

13 de Julho de 2016   Filosofia política

Teoria da guerra justa

Alexander Moseley
Tradução de Álvaro Nunes

As regras da conduta justa enquadram-se nos dois amplos princípios da discriminação e da proporcionalidade. O princípio da discriminação diz respeito a quem constitui um alvo de guerra legítimo, ao passo que o princípio da proporcionalidade respeita à quantidade de força que é moralmente apropriada.

3 de Abril de 2004   Filosofia política

Guerras justas

Martin Cohen
Tradução de Luís Filipe Bettencourt

Erasmo, o grande defensor alemão do humanismo, foi um dos primeiros a condenar a guerra. Referindo-se à guerra escreveu: “Quem já viu 100 000 animais a correr para se degolarem uns aos outros, como os homens fazem por toda a parte, sabe que nada há mais perverso, mais desastroso, mais destruidor, mais repugnante, numa palavra, mais indigno do homem”.

13 de Julho de 2016   Filosofia política

Pacifismo

Alexander Moseley
Tradução de Álvaro Nunes

O pacifismo é a teoria segundo a qual o intercâmbio humano deve ser governado por relações pacíficas e não por relações violentas ou beligerantes e que a arbitragem, a rendição ou a migração devem ser usadas para resolver disputas.

Política sexual

12 de Julho de 2016   Filosofia política

Uma pequena defesa da pornografia

Aluízio Couto

Se você é homem e tem acesso à internet, é certo que já consumiu conteúdo pornográfico ao menos uma vez na vida. É o que afirma um estudo da Universidade de Montreal, no Canadá. Além disso, pensa provavelmente que a pornografia é um assunto privado. Portanto, ninguém tem nada a ver com o que você assiste, vê ou escuta e nem com quem produz esse material.

31 de Maio de 2016   Filosofia política

Pornografia e censura

Caroline West
Tradução de Desidério Murcho

Pode um governo proibir legitimamente os cidadãos de publicar ou ver pornografia, ou seria isto uma violação injustificada das liberdades básicas?

9 de Março de 2010   Filosofia política

Feminismo genuíno

Fernanda Belo Gontijo
A sujeição das mulheres
de John Stuart Mill
Tradução de Benedita Bettencourt
Coimbra: Almedina, 2006, 226 pp.

John Stuart Mill (1806-1873) foi um defensor dos direitos liberais e um homem preocupado com o bem-estar individual e social da humanidade. Suas idéias utilitaristas a favor da maximização do bem-estar deram-lhe destaque no meio filosófico e político.

16 de Abril de 2008   Filosofia política

Desejemos Voltaire

José Pedro Teixeira Fernandes
Uma Mulher Rebelde
de Ayaan Hirsi Ali
Tradução de Filipe Guerra
Lisboa: Presença, 2007, 355 pp.

Ayaan Hirsi (o nome original é Ayaan Hirsi Magan), nasceu em 1969, em Mogadíscio, no seio de uma família muçulmana importante da Somália, pertencente ao clã Osman Mahamud, um subclã dos Darod. Este livro é um obra autobiográfica e tremendamente humana.

1 de Março de 2012   Filosofia política

Homossexualidade e lei

Alguns argumentos comuns
Luís Veríssimo

O texto que se segue mostra o contributo da filosofia para o esclarecimento e solução de problemas reais — como, neste caso, os problemas associados à legislação sobre o casamento e a adopção por parte de casais de pessoas do mesmo sexo. Estes dois problemas podem ser formulados do seguinte modo...

28 de Junho de 2017   Filosofia política

MacKinnon acerca da dominação sexual

Thomas Nagel
Tradução de Desidério Murcho
Women’s Lives, Men’s Laws
de Catharine MacKinnon
Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2005, 576 pp.

Catharine MacKinnon é uma figura emblemática na vida e no direito americanos. Durante vários anos ela e a sua colaboradora mais recente, Andrea Dworkin, foram as porta-estandartes do feminismo antiliberal, e como advogada, autora e professora tem tido um impacto explosivo.

8 de Setembro de 2006   Filosofia política

Homossexuais: casamento e adopção

Pedro Madeira

John Stuart Mill explica assim, em Sobre a Liberdade (Edições 70, no prelo), o princípio do dano: “É o princípio de que o único fim para o qual as pessoas têm justificação, individual ou colectivamente, em interferir na liberdade de acção de outro, é a autoprotecção”.

Democracia

16 de Abril de 2020   Filosofia política

Boas intenções, tristes realidades

Artur Polónio
Contra a Democracia
de Jason Brennan
Tradução de Elisabete Lucas
Lisboa, Gradiva, 2017, 382 pp.

O governo representativo é um fenómeno relativamente recente: não tem mais de um século e meio. Isto significa que, durante muito tempo, a teoria democrática foi essencialmente especulativa, alimentada por muito romantismo e boas intenções. Hoje, porém, dispomos de resultados que vêm da experiência; e isso justifica, no mínimo, que a teoria democrática deve ser confrontada com os factos.

30 de Junho de 2016   Filosofia política

O que é a democracia deliberativa?

Amy Gutmann e Dennis Thompson
Tradução e adaptação de Vítor João Oliveira

A democracia deliberativa afirma a necessidade de justificar as decisões tomadas pelos cidadãos e pelos seus representantes. Espera-se que ambos justifiquem as leis que querem impor uns aos outros. Numa democracia, os líderes devem dar razões que justifiquem as suas decisões e responder às razões que, por sua vez, são apresentadas pelos cidadãos.

15 de Maio de 2010   Filosofia política

Democracia de fachada

Desidério Murcho

A democracia é hoje infelizmente vista como inevitável. É o sistema político que quase ninguém se atreve a pôr em causa, e que ninguém põe em causa publicamente. Isto é infeliz por duas razões. Em primeiro lugar, porque limita a nossa imaginação.

31 de Outubro de 2009   Filosofia política

Discussão, democracia e perversão

Desidério Murcho

A discussão pública é importante porque é a única maneira que temos de descobrir a verdade. Somos todos seres falíveis e por isso erramos muitas vezes. Muitas das nossas crenças mais queridas revelam-se falsas. A única maneira que temos de aumentar a proporção de crenças verdadeiras é submetê-las à discussão pública.

1 de Janeiro de 1998   Filosofia política

Democracia e anarquismo

Robert A. Dahl
Traduzido e adaptado por Luís Filipe Bettencourt

Democrata — Ouvi dizer que te dizes um verdadeiro defensor das ideias democráticas. Todavia, criticas democratas que, como eu, afirmam que a democracia deve ser a forma de governar o estado.

Anarquista — Pois claro. Não podes transformar um mau estado num bom estado só por torná-lo democrático...

1 de Outubro de 2016   Filosofia política

A ética e a racionalidade do ato de votar

Jason Brennan
Tradução de Aluízio Couto

Este verbete tem como foco seis perguntas de grande importância a respeito da ética e da racionalidade do ato de votar: 1) Do ponto de vista de um cidadão individual, é racional votar? 2) Há um dever moral de votar? 3) Há obrigações morais a respeito de como os cidadãos votam?4) É justificado os governos obrigarem os cidadãos a votar?

4 de Janeiro de 2010   Filosofia política

O fim da política

Desidério Murcho

Quando a época glaciar estava a chegar ao fim, os Neandertais pensavam provavelmente que aqueles verões quentes europeus eram apenas uma excepção. Afinal, sempre os glaciares tinham sido presença constante na Europa.

21 de Abril de 2007   Filosofia política

Nietzsche apolítico?

José Pedro Teixeira Fernandes
Nietzsche Contra Democracy
de Fredrick Appel
Cornell University Press, 1999, 174 pp.

Já tem alguns anos a sua edição nos Estados Unidos, mas vale a pena ler ou reler este livro. Fredrick Appel assumiu a difícil tarefa de mostrar como a imagem que hoje tende a prevalecer sobre o pensamento de Friedrich Nietzsche, particularmente nas Humanidades e Ciências Sociais — onde este aparece, quase angelicamente, como um pensador amoral...

Liberdade de expressão

17 de Fevereiro de 2006   Filosofia política

Liberdade de expressão

Pedro Madeira

A recente publicação de várias caricaturas sobre o profeta Maomé numa revista dinamarquesa tem suscitado várias reacções diferentes, sendo frequentemente posta a questão de quais devem ser os limites da liberdade de expressão.

19 de Agosto de 2006   Filosofia política

O argumento epistémico de John Stuart Mill a favor da liberdade de expressão

Desidério Murcho

Na obra On Liberty (1859), John Stuart Mill (1806-73) apresenta vários argumentos famosos e influentes a favor da liberdade de expressão, um dos direitos humanos fundamentais, consagrado no artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Um dos argumentos de Mill será analisado nesta comunicação.

11 de Janeiro de 2017   Filosofia política

As ceroulas do Mangas

Artur Polónio
Liberdade de Expressão: Uma Breve Introdução
De Nigel Warburton
Tradução de Vítor Guerreiro
Lisboa, Gradiva, 2015, 129 pp.

O Mangas considerava-se um homem de bem. Naquela manhã, porém, ao sair de casa, sentiu o chão fugir-lhe por baixo dos pés: ao correr da parede, até aí imaculada, um graffiti anunciava: “O Mangas usa ceroulas”. Por baixo: “Almeida Trigueiros”.

12 de Fevereiro de 2008   Filosofia política

Tolerância e ofensa

Desidério Murcho

A tolerância é uma das noções mais difíceis de compreender. Confunde-se geralmente com o relativismo epistémico e esta confusão denuncia incapacidade ou até falta de vontade para aceitar a tolerância. Os pensadores pós-modernistas são responsáveis por contaminar a cultura contemporânea com esta confusão grave, que acaba por tornar impossível a genuína tolerância.

Justiça económica

5 de Março de 2020   Filosofia política

O socialismo tem futuro?

António R. Gomes
Um Futuro para o Socialismo Marxista
de John E. Roemer
Tradução de José Santana Pereira
Lisboa: Gradiva, 2017, 195 pp.

Socialismo, Porque Não? Em Defesa do Socialismo
de G. A. Cohen
Tradução de Maria de Fátima Carmo
Lisboa: Gradiva, 2016, 83 pp.

Capitalismo, Porque Não? Em Defesa do Capitalismo
de Jason Brennan
Tradução de Elisabete Lucas
Lisboa: Gradiva, 2016, 179 pp.

Sobre a Desigualdade
de Harry G. Frankfurt
Tradução de Sara Lutas
Lisboa: Gradiva, 2016, 77 pp.

A publicação do Manifesto do Partido Comunista (1848), escrito por Marx e Engels, pode considerar-se o ato que, simbolicamente, inaugura um dos mais importantes movimentos sociais, políticos, ideológicos… e filosóficos dos últimos séculos: o movimento comunista.

20 de Agosto de 2018   Filosofia política

Sobre o socialismo “de verdade”

Christopher Freiman
Tradução de Aluízio Couto

Enquanto as crianças morrem de fome na Venezuela, reaparece uma saída antiga: isso não é socialismo de verdade! Uma versão desta resposta alega que o socialismo exige que os trabalhadores controlem diretamente os meios de produção. Assim, por mais que o governo venezuelano tenha colocado mais de 500 companhias sob o controle estatal, tal sistema é considerado “capitalismo de estado” e não socialismo.

18 de Setembro de 2006   Filosofia política

A injustiça do “comércio justo”

Pedro Madeira

Os raciocínios morais têm geralmente dois tipos de premissas: premissas morais e premissas empíricas. Para aceitar a conclusão de um raciocínio moral, temos, portanto, de aceitar ambos os tipos de premissa.

18 de Abril de 2006   Filosofia política

Pedintes, criminosos, traficantes e pais

Fernando M. Caria
Freaknomics, o Estranho mundo da Economia: O Lado Escondido de Todas as Coisas
de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner
Tradução de Carlos Braga
Lisboa: Editorial Presença, 2006, 262 pp.

Este é um livro estranho de um economista, no mínimo, controverso. Na verdade, Steven D. Levitt nunca escreveu qualquer livro, incluindo este, que foi escrito (ou compilado) pelo jornalista Stephen J. Dubner do New York Times e da New Yorker, com base em artigos científicos publicados por Levitt. Apesar do sub-subtítulo ser um pouco exagerado, o subtítulo já assim não o é.

6 de Maio de 2006   Filosofia política

Justiça distributiva

Harry Gensler
Tradução de Faustino Vaz

Como devem ser distribuídos os bens numa sociedade? […] Serão consideradas aqui três perspectivas — primeiro o utilitarismo, e depois as perspectivas não-consequencialistas de John Rawls e Robert Nozick.

29 de Junho de 2017   Filosofia política

Riqueza, pobreza e política

Thomas Sowell
Tradução de Desidério Murcho

Pode ser compreensível e de aplaudir que as pessoas que vivem hoje nas nações mais prósperas fiquem muitas vezes chocadas com os padrões de vida muitíssimo inferiores nos países do terceiro mundo, ou com a maneira como vivem as pessoas menos afortunadas da sua própria sociedade.

1 de Março de 2003   Filosofia política

A lógica de Marx

Desidério Murcho
Karl Marx
de Francis Wheen
W.W Norton, 2009, 424 pp.

Karl Heinrich Marx nasceu a 5 de Maio de 1818, na cidade alemã de Trier e morreu em Londres em 1883. No cemitério de Highgate, em Londres, a 17 de Março de 1883, só 11 pessoas se apresentaram no funeral de Marx. Entre elas, o seu amigo de longa data, Friedrich Engels, que não hesitou em declarar que “o nome e a obra de Marx persistirão ao longo dos tempos”.

26 de Setembro de 2015   Filosofia política

O direito à propriedade privada

Tibor R. Machan
Tradução de Vítor João Oliveira

Para que as pessoas sejam agentes morais, para que sejam capazes de realizar escolhas sobre o que fazer com as suas vidas, precisam de ser soberanas, precisam de autoridade pessoal, de liberdade. Essa liberdade, tal como é entendida na tradição política liberal (clássica) ocidental e, em particular na americana, é inseparável da liberdade económica e do princípio do direito à propriedade privada. Porquê?

1 de Junho de 2009   Filosofia política

Contra o autoritarismo

Aluízio Couto
A Volta do Idiota
de Plínio Apuleyo Mendonza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa
Odisséia Editorial, 2007, 238 pp.

No parágrafo de encerramento do Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, Plínio Apuleyo Mendonza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa sentenciam com certa tristeza a própria derrota perante a idiotice ideológica que se espalhara na América Latina. Disseram isso há treze anos. Infelizmente, não poderiam estar mais certos.

23 de Outubro de 2006   Filosofia política

A idiotia latino-americana

Orlando Tambosi
Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano
de Plínio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa
Diversos, 2005, 364 pp.

“Acredita que somos pobres porque eles são ricos e vice-versa, que a história é uma bem-sucedida conspiração dos maus contra os bons, onde aqueles sempre ganham e nós sempre perdemos (em todos os casos, está entre as pobres vítimas e os bons perdedores), não se constrange em navegar no espaço cibernético, sentir-se online e (sem perceber a contradição) abominar o consumismo.”

20 de Março de 2016   Filosofia política

Filosofia politizada

Olivier Massin
Tradução de Aluízio Couto
How Propaganda Works
de Jason Stanley
Princeton University Press, 2015, 376pp.

Embora Jason Stanley a descreva como “um livro sobre a natureza da propaganda”, o principal objetivo da obra é político: desenvolver um argumento contra a desigualdade material. Ele argumenta que, embora oculta, há em todo lugar um tipo de propaganda a ameaçar as democracias liberais, sustentada, acima de tudo, pelas desigualdades materiais.

2 de Março de 2009   Filosofia política

Comprar e vender ideias

Desidério Murcho

Em plena segunda guerra mundial, quando o governo britânico pedia aos seus cidadãos imensos sacrifícios económicos, Orwell ficou chocado com a incongruência de jornais em que os editorialistas davam voz aos pedidos do governo, ao mesmo tempo que publicavam anúncios de casacos de peles, na mesma página.

Rawls, Locke e contratualismo

18 de Julho de 2015   Filosofia política

A filosofia política de Locke

Bertrand Russell
Tradução de Vieira de Almeida

Em 1689 e 1690, logo após a revolução de 1688, escreveu Locke os dois Tratados do Governo, dos quais o segundo tem especial importância na história das ideias políticas.

18 de Fevereiro de 2012   Filosofia política

Terá Rawls refutado o utilitarismo?

Sagid Salles

Em 1971 era publicada uma obra que se tornaria muito importante nas discussões de filosofia política. O nome dessa obra é Uma Teoria da Justiça e seu autor John Rawls. Ao longo das aproximadas seiscentas páginas do livro, Rawls apresenta e defende a perspectiva que chamou de “Justiça como Equidade”.

21 de Março de 2004   Filosofia política

Rawls e o utilitarismo

David Johnston
Traduzido e adaptado por Vítor João Oliveira

A principal motivação da teoria da justiça como equidade é o desejo de Rawls de formular uma alternativa poderosa ao utilitarismo. Parecia-lhe que o utilitarismo era a teoria mais sistemática e abrangente disponível para fornecer uma base de comparação entre instituições e práticas sociais alternativas. No entanto, para Rawls, o utilitarismo é insatisfatório pelo menos por duas razões.

3 de Abril de 2004   Filosofia política

A teoria contratualista

Luís Filipe Bettencourt

Uma questão que muito preocupou os filósofos políticos dos séculos XVII e XVIII foi a de encontrar uma justificação racional — dedutiva — para a existência das sociedades humanas. O problema apresenta-se do seguinte modo...

23 de Abril de 2006   Filosofia política

A teoria da justiça de John Rawls

Faustino Vaz

Há crianças vendidas por pais extremamente pobres a quem tem dinheiro e falta de escrúpulos para as comprar; pessoas cujo rendimento não permite fazer mais do que uma refeição por dia; jovens que não têm a menor possibilidade de adquirir pelo menos a escolaridade básica; cidadãos que estão presos por terem defendido as suas ideias.

George Bush

8 de Dezembro de 2005   Filosofia política

O presidente em palpos-de-aranha

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

Houve um momento revelador na conferência de imprensa concedida por George W. Bush a 13 de Abril de 2004. Nessa altura, David Kay, nomeado pelo Director da CIA, George Tenet, para encontrar armas de destruição maciça no Iraque, dissera já que não tinha encontrado, nem esperava vir a encontrar, arsenais de armas de destruição maciça.

21 de Janeiro de 2006   Filosofia política

Bush, o bem e o mal

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

A facilidade com que Bush fala sobre bem e mal data de muito antes de 11 de Setembro de 2001, de antes da sua eleição como presidente, e de antes da sua campanha para este cargo, centrada na ideia de que ele levaria “honra e dignidade” à Casa Branca (no que todas as pessoas entenderam como um contraste em relação a Bill Clinton).

22 de Fevereiro de 2006   Filosofia política

Uma só nação de justiça e oportunidades

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

A primeira das três citações anteriores é retirada do discurso da campanha de Bush intitulado “Dever de Esperança” — um discurso inspirado que oferecia a esperança a cada americano, texto fulcral para a filosofia do “conservadorismo compassivo”.

24 de Março de 2006   Filosofia política

A cultura da vida

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

Após a tomada de posse de George W. Bush como presidente, decorreram mais de seis meses até que surgisse uma questão suficientemente importante que o levasse a dirigir-se ao povo americano através da televisão, em horário nobre.

28 de Abril de 2006   Filosofia política

O país mais livre do mundo

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

George W. Bush exprimiu frequentemente uma convicção que muitos americanos partilham: os Estados Unidos são “o país mais livre” do mundo. Mas na qualidade de recém-chegado aos Estados Unidos que viveu a maior parte da sua vida noutras democracias liberais, não me é absolutamente nada óbvio que os Estados Unidos sejam um país mais livre do que a Austrália, o Canadá, o Reino Unido ou a Holanda...

5 de Novembro de 2006   Filosofia política

O poder da fé

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

George W. Bush é cristão. O seu coração, disse-nos ele, está entregue a Jesus. Quando a guerra com o Iraque estava iminente, lia a Bíblia todos os dias. Também reza diariamente. Acredita num “plano divino que se sobrepõe a todos os planos humanos”. Aplica a fé na sua vida pública. Diz que a liberdade é “o plano do Céu para a humanidade”.

4 de Dezembro de 2006   Filosofia política

Partilhar o mundo

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

A afirmação franca de Bush do seu compromisso com o interesse nacional constituiu a resposta a uma pergunta feita por Jim Lehrer, moderador dos debates presidenciais de 2000, colocada a ambos os candidatos, sobre os respectivos princípios orientadores para exercer o enorme poder que um deles em breve deteria na qualidade de líder do país mais poderoso do mundo.

6 de Janeiro de 2007   Filosofia política

A guerra do Afeganistão

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

A 11 de Setembro de 2001, assistindo pela televisão à derrocada do World Trade Center e vendo o desgosto das famílias das vítimas, era fácil concordar com Bush, quando este disse: “Hoje, o nosso país viu o mal”. No seu breve discurso ao país, nessa noite, usou a palavra “mal” quatro vezes, dando o tom para os meses e os anos vindouros.

6 de Janeiro de 2007   Filosofia política

A guerra do Iraque

Peter Singer
Tradução de Maria de Fátima St. Aubyn

A lenta preparação para o ataque norte-americano ao Iraque, em Março de 2003, deu a George W. Bush muitas oportunidades de esclarecer as ideias éticas subjacentes aos seus actos. Bush indicou dois argumentos distintos para entrar em guerra com o Iraque que podem ser colocados nos seguintes termos...

Orwell

23 de Dezembro de 2015   Filosofia política

Notas sobre o nacionalismo

George Orwell
Tradução de Aluízio Couto

Byron usa algures a palavra francesa longueur e, de passagem, comenta que embora na Inglaterra por acaso não tenhamos a palavra, temos a coisa em considerável profusão. Do mesmo modo, existe agora um hábito mental tão disseminado que chega a afetar a nossa maneira de pensar sobre quase todos os assuntos, mas para o qual nenhum nome ainda foi dado.

30 de Novembro de 2004   Filosofia política

A reafirmação do óbvio

George Orwell
Tradução de Desidério Murcho
Power: A New Social Analysis
de Bertrand Russell
Londres: George Allen & Unwin, 1938, 254 pp.

Se algumas páginas do livro do Sr. Bertrand Russell, O Poder, parecem vazias, isso é unicamente porque descemos a um ponto tal que a reafirmação do óbvio é o primeiro dever dos homens inteligentes. O problema não é apenas que hoje em dia o governo da força crua se encontra em quase todo o lado. Provavelmente, isso sempre foi assim.

6 de Fevereiro de 2016   Filosofia política

A luta de Hitler

George Orwell
Tradução de Aluízio Couto
Mein Kampf
de Adolf Hitler
Tradução de Jaime de Carvalho
Lisboa: E-primatur, 2015, 656 pp.

É um sinal da rapidez com que os acontecimentos estão se sucedendo o fato de a edição sem cortes de Mein Kampf, de Hurst e Blackett, publicada há apenas um ano, ser editada de um ângulo pró-Hitler. A intenção óbvia do prefácio e das notas do tradutor é atenuar a ferocidade do livro e apresentar Hitler de um modo tão gentil quanto possível. Pois naquela data Hitler ainda era respeitável.

27 de Janeiro de 2010   Filosofia política

O que é a ciência?

George Orwell
Tradução de Desidério Murcho

No Tribune da semana passada havia uma carta interessante do Sr. J. Stewart Cook, na qual sugeria que a melhor maneira de evitar o perigo de uma “hierarquia científica” seria fazer todos os membros do grande público, tanto quanto possível, ter formação científica. Ao mesmo tempo, os cientistas deveriam sair do seu isolamento e ser encorajados a desempenhar um papel mais intenso na política e na administração.

24 de Abril de 2005   Filosofia política

Paixão pela verdade

Desidério Murcho
Essays
de George Orwell
Organização de John Carey
Londres: Everyman’s Library, 2002, 1369 pp.

George Orwell é o nome literário de Eric Blair (1903-1950), autor conhecido entre nós sobretudo graças a O Triunfo dos Porcos, de 1945 (Europa-América) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de 1949 (Antígona). Mas Orwell foi antes de mais um ensaísta popular. Pequenas crónicas e recensões, publicadas na imprensa inglesa, garantiram-lhe um lugar de respeito nas letras.

27 de Outubro de 2008   Filosofia política

Sartre e o anti-semitismo

George Orwell
Tradução de Desidério Murcho
Portrait of the Anti-Semite
Jean-Paul Sartre
Tradução de Erik de Mauny
Secker & Warburg, 1948, 128 pp.

O anti-semitismo é obviamente um assunto que precisa de ser seriamente estudado, mas parece improvável que o venha a ser nos próximos tempos. O problema é que enquanto o anti-semitismo for encarado simplesmente como uma aberração vergonhosa, quase um crime, qualquer pessoa suficientemente literata para ter ouvido a palavra irá obviamente declarar-se-lhe imune...

4 de Fevereiro de 2016   Filosofia política

Os escritores e o Leviatã

George Orwell
Tradução de Aluízio Couto

A posição do escritor numa era de controle estatal é um assunto já amplamente discutido, embora a maior parte dos dados que podem ser relevantes não estejam ainda disponíveis. Não quero expressar aqui qualquer opinião a favor ou contra o patrocínio estatal das artes, mas apenas ressaltar que o tipo de estado que nos governa tem de depender parcialmente da atmosfera intelectual dominante...